08 2026

Estrutura metálica e materiais naturais para cabanas em meio à natureza

31 ago, 2026 | Casas, De 50 a 100 m2, Campo

Fotos: Daniel Santos / Divulgação
Projeto:
Juliana Fabrizzi Arquitetura
Paisagismo: Cuesta Jardins
Área: aproximadamente 90m² por unidade
Localização: Cuesta de Botucatu, SP

Entre as curvas da Cuesta de Botucatu, um conjunto de cabanas projetado pela arquiteta Juliana Fabrizzi parte de uma construção leve e de uma implantação cuidadosa para estabelecer uma relação direta com a paisagem. Destinadas à hospedagem de curta duração, as unidades foram pensadas para favorecer uma rotina menos acelerada, em contato com a luz, os ventos e a vegetação do entorno.

O ponto de partida dos proprietários era criar um espaço simples e acolhedor, capaz de se integrar ao terreno rural sem grandes interferências. A resposta veio por meio de uma estrutura metálica aparente, pintada de preto, que também tornou a execução mais limpa e rápida — uma questão importante diante das dificuldades de acesso ao local.

Uma construção que toca pouco o terreno

Em vez de acomodar as cabanas por meio de grandes movimentações de terra, o projeto eleva as construções em relação ao solo. A solução reduz a interferência na topografia existente, favorece a drenagem e protege os interiores da umidade e do contato com a fauna local.

Com cerca de 90m² cada, as unidades foram posicionadas considerando orientação solar, ventos e, principalmente, os diferentes enquadramentos da paisagem. As grandes aberturas prolongam visualmente os ambientes e transformam a vista em parte da arquitetura.

A planta é compacta: reúne área social integrada e dormitório, além de dois terraços com usos distintos. Enquanto um deles concentra os momentos de convivência, o outro assume caráter mais reservado.

O contraste entre metal e madeira

A estrutura metálica preta estabelece a linguagem do projeto, mas aparece combinada a materiais de diferentes texturas, como madeira, pedra, linho e palha. O contraste evita que a construção assuma um aspecto excessivamente industrial e aproxima os interiores da paisagem ao redor.

“O preto cria profundidade e permite que a construção se integre visualmente à paisagem, sem competir com ela”, explica Juliana Fabrizzi.

A escolha dos materiais também responde a questões práticas. O projeto utiliza eucalipto tratado de origem local, enquanto a combinação do fechamento metálico com o lambri de madeira auxilia no conforto térmico e acústico diante das variações climáticas da região. A redução da movimentação de terra completa as principais estratégias adotadas para diminuir o impacto da construção sobre o terreno.

Paisagismo como continuidade

Assinado pela Cuesta Jardins, o paisagismo utiliza espécies como lavandas e capins para aproximar ainda mais as construções do entorno. Em vez de estabelecer uma separação rígida entre área construída e jardim, a implantação faz com que a vegetação se aproxime dos terraços e acompanhe os volumes das cabanas.

Nos interiores, peças garimpadas pelos proprietários introduzem outra camada ao projeto. Banheiras e cubas antigas foram reaproveitadas e, em alguns casos, levadas para as áreas externas, criando situações em que atividades normalmente restritas ao interior acontecem em contato direto com a paisagem. Como resume Juliana:

“Aqui, a arquitetura não busca protagonismo. Ela serve como suporte para uma vivência mais conectada com o tempo e com a paisagem”.