Home2023-08-18T23:22:29-03:00
PROJETO > MOSTRAS
Um refúgio de 131m² para desacelerar, conviver e cuidar de si | CASACOR Rio 2026
BLOG > OPEN HOUSE
Dois apartamentos em um, muita arte e cor | Open House com Mauricio Arruda
PROJETO > CASAS
Marcenaria de freijó redesenha o térreo de uma casa de 390m²
PROJETO > APARTAMENTOS
Uma cozinha que se abre em duas direções e um assoalho que conta a história do apê

_CASA DE VALENTINA
NO YOUTUBE

For privacy reasons YouTube needs your permission to be loaded.
I Accept

_GUIA DE
PROFISSIONAIS

_GUIA DE
PROJETOS

Dois apartamentos em um, muita arte e cor | Open House com Mauricio Arruda

Fotos: Maura Mello / Divulgação
Paisagismo: Letícia Bononi

Há tempos acompanho o trabalho do Mauricio Arruda, e uma das coisas que mais admiro é a maneira como eles olham para o Brasil sem cair no caricato. Neste Open House, fui conhecer o apartamento do arquiteto e encontrar de perto esse repertório: móveis garimpados, arte popular, peças contemporâneas e objetos que ele faz questão de usar no dia a dia.

O gostoso da visita foi ouvir as histórias por trás das escolhas. Tem descoberta de viagem, coleção que surgiu sem querer, móvel que acompanha Mauricio há anos e obra que ele conheceu durante uma pesquisa e não conseguiu mais devolver. E, entre uma conversa e outra, também aparecem soluções de projeto que dão vontade de levar para casa!

Dois apartamentos e uma nova maneira de morar

Quando Mauricio comprou o imóvel, os dois apartamentos já estavam unidos pelos antigos proprietários, que viveram ali por quase cinco décadas. Em um prédio que ele estima ser do final dos anos 1960 ou início dos 1970, essa configuração permitiu concentrar a área social de um lado e os quartos do outro.

A grande transformação aconteceu justamente nos espaços de convivência. Onde antes havia cozinha fechada, lavanderia e quartos, surgiu uma área aberta, com uma cozinha generosa logo na chegada. Mauricio contou que, no começo, chegou a resistir à ideia de entrar por ela. Mas a solução acabou fazendo todo o sentido para a rotina da casa: ele gosta de cozinhar, e Rafa prepara o jantar diariamente.

Os pilares que precisavam permanecer também ajudaram a organizar o projeto. Junto deles, um bloco reúne funções como a sapateira da entrada, escondida por uma porta espelhada, o lavabo e o louceiro. É aquele tipo de solução que resolve várias necessidades sem interromper a relação entre os ambientes.

Uma cozinha para usar todos os dias

A ilha é o lugar onde os dois mais ficam e fazem as refeições. Ao redor, a coleção de tábuas, as jarras e as louças estão ao alcance das mãos. Algumas peças vieram de viagens recentes, como os garimpos do Mercado das Pulgas de Buenos Aires; outras acompanham Mauricio desde antes de ele morar em São Paulo.

Adorei essa relação com os objetos. As peças bonitas participam da rotina, e o prazer está justamente em escolher uma caneca, servir a comida, colocar a mesa. Entre elas, fotografias de família aproximam ainda mais a cozinha da história dos moradores.

A bancada de aço inox é outra escolha que veio da experiência em apartamentos anteriores. Mauricio gosta da facilidade de limpeza e da maneira como o material envelhece, incorporando as marcas do uso. Já a coifa recebeu uma caixa de marcenaria pintada no mesmo tom das paredes e do teto, para suavizar sua presença no meio da área social. O duto, por sua vez, ficou aparente em inox.

Até as plantas tiveram seu lugar pensado a partir de um hábito antigo. No apartamento anterior, elas ocupavam uma estante perto da janela. Aqui, ganharam prateleiras em um nicho com iluminação lateral, repetindo uma condição que já funcionava bem.

Garimpos, arte popular e escolhas com história

Mauricio me contou que é difícil comprar algo novo para a própria casa: a peça precisa ser muito especial. Boa parte do mobiliário vem de garimpos ou já o acompanha há bastante tempo, mas há espaço para criações contemporâneas, como a cadeira de Zanini de Zanine adquirida durante a reforma.

Esse olhar também aparece na arte. Ao longo da conversa, ele falou sobre o interesse crescente pela produção popular brasileira e sobre como essa pesquisa atravessa tanto sua casa quanto o trabalho no escritório. Uma pintura de Ema Valle, encontrada em Salvador, e uma tela de Expedito, comprada em Parnaíba, estão entre as descobertas que ele me apresentou.

Uma das presenças mais marcantes é a árvore de Vavá, com flores e frutos convivendo na mesma escultura. Também aparecem cerâmicas, figuras de casais e peças trazidas de diferentes lugares. Achei curioso quando percebemos que os casais se repetiam em vários pontos: uma coleção que foi tomando forma aos poucos, sem partir de um plano fechado.

Há ainda uma atenção muito clara à escala. Mauricio prefere objetos maiores e pensa na relação entre os volumes e os espaços vazios. Isso ajuda a entender por que tantas peças diferentes conseguem conviver sem que cada superfície precise estar ocupada.

Uma sala que continua mudando

Mesmo depois da reforma, a casa segue em transformação. Mauricio contou que, ao longo de três anos, substituiu um dos sofás por poltronas, deixando a sala mais leve e flexível. Entre as peças que vimos estava uma poltrona de Tobias Scarpa, restaurada e trazida da loja MAL, que, segundo ele, estava apenas “passeando” por ali.

Gosto de ver essa liberdade de experimentar na própria casa. O mobiliário muda de lugar, uma descoberta encontra espaço, outra peça sai para ser restaurada. As almofadas também trazem uma história próxima: algumas nasceram de uma colaboração entre a MAL, a Retropia, marca de Rafa, e a Codex, levando para a decoração estampas que já apareciam nas roupas.

Na varanda, outra intervenção ajuda a costurar os dois apartamentos. Os espaços externos foram conectados, criando uma continuidade entre a sala e o quarto. O piso recebeu ladrilho hidráulico, e um espelho fumê amplia a percepção da largura.

Madeira, cor e reaproveitamento

A sucupira aparece no piso e na marcenaria, resultado de uma pesquisa do escritório sobre madeiras brasileiras. No lavabo, um detalhe me chamou especialmente a atenção: o mármore Napoleão Bordeaux foi aplicado seguindo a mesma paginação dos tacos. O material veio da sobra de uma bancada de cozinha de um projeto da CASACOR.

As cores também renderam uma boa conversa. Mauricio explicou que gosta de tons saturados e escuros, e que a combinação com a madeira e as paredes sem branco ajuda a acomodar essa intensidade. O azul, escolhido depois de vários testes, é uma dessas decisões que continuam fazendo sentido com o passar do tempo. “Eu abro de manhã, a casa está… Dá uma felicidade”, ele me contou.

Saí da visita com vontade de olhar de novo para as coisas que já tenho e pensar no que ainda quero trazer para perto. Conhecer a casa do Mauricio é também acompanhar um pouco desse exercício de escolher, pesquisar, usar e mudar, dando espaço para que o apartamento continue contando novas histórias.

Assista ao Open House completo e venha fazer esse passeio comigo! É só apertar o PLAY.

For privacy reasons YouTube needs your permission to be loaded.
I Accept

PERFIL

CATEGORIAS

Ir ao Topo