Uma cozinha que se abre em duas direções e um assoalho que conta a história do apê
04 nov, 2026 | Apartamentos, Acima de 200 m2, Cidade

Fotos: Luiza Schreier / Divulgação
Escritório: A+G Arquitetura
Área: 150m²
Localização: Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ
Uma das decisões mais delicadas da reforma deste apartamento estava debaixo das paredes que iriam ao chão. O casal, que tem duas filhas pequenas, queria incorporar um dos quartos à sala e poder abrir a cozinha por inteiro nos dias de casa cheia. Já o assoalho de ipê-champagne, que atravessava as áreas social e íntima, merecia ficar. Coube aos arquitetos Ana Luisa Cairo e Gustavo Prado, do A+G Arquitetura, redesenhar a planta e recompor o piso justamente nos trechos em que a demolição deixaria marcas.
Duas portas resolvem a esquina da cozinha
No lugar das paredes que separavam a cozinha da sala, os arquitetos desenharam um fechamento em L. De um lado, a porta-camarão se dobra sobre si mesma. Do outro, uma folha desliza. Com as duas abertas, a cozinha se volta para a área de convivência em toda a extensão da esquina. Quando a família prefere isolá-la, as portas fechadas formam um plano verde-bambu que se estende até o hall de entrada.
O mesmo verde aparece nos armários, de modo que, ao abrir as portas, quem está na sala reencontra a cor no interior da cozinha. Um detalhe da estante ajuda a entender o cuidado com essa vista. Embora tenha acabamento em folha natural de freijó, sua estrutura é metálica, o que permitiu desenhar perfis mais finos. Ao fundo, o azulejo Alga, da Lurca, acrescenta um grafismo discreto.
Um quarto a menos, mais lugar à mesa
A incorporação de um dos quartos deu à família uma sala maior para receber. Para que o antigo limite do cômodo desaparecesse também sob os pés, foi preciso complementar o assoalho de ipê-champagne nos pontos antes ocupados pelas divisórias. Sobre ele, os arquitetos distribuíram poucos móveis. A mesa de jantar redonda deixa a passagem livre ao redor e acomoda uma cadeira a mais quando chega visita. No estar, um pufe, um baú e uma pequena mesa dividem a função de mesa de centro.
Entre as peças escolhidas para o novo endereço está o sofá Rocco, de Luan del Savio. Já o tapete de juta e algodão veio da casa anterior, assim como o sofá que hoje ocupa a sala de TV. As obras também têm história de família. Comprados em leilão e dados de presente pelos pais do morador, os trabalhos ganharam lugar nos dois ambientes. Burle Marx ficou no estar, enquanto Djanira e Tarsila fazem companhia a quem se senta para ver televisão.
Um caminho de luz até os quartos
Na passagem da sala para a área íntima, um brise articulado de freijó resguarda a porta do lavabo e leva luz natural ao corredor dos quartos. O desenho permite que os moradores ajustem as lâminas ao longo do dia. A madeira reaparece em folha natural na parede principal do estar, ao lado das cortinas de cambraia de linho branco.
Nos dormitórios, a marcenaria responde a outras escalas de uso. Para as meninas, os arquitetos desenharam móveis que pudessem acompanhá-las à medida que crescessem, com armários em laca branca e palhinha junto ao papel de parede de bolinhas. Na suíte do casal, uma pequena mesa com banqueta serve de penteadeira e de apoio para o computador. Na parede da cabeceira, a pintura a meia altura atravessa a guarnição e segue pela porta. Mesmo fechada, ela faz parte do desenho.

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