
Fotos: Arquivo pessoal / Reprodução
Desde que gravei o Open House da casa da arquiteta Carolina Neuding, passei a acompanhar seus projetos com ainda mais atenção. O que me marcou naquela visita foi a liberdade com que a família ocupava os espaços, os filhos aproveitavam os ambientes e a casa se transformava junto com eles. Uma arquitetura a serviço da vida que acontece ali. E foi exatamente isso que encontrei neste nosso passeio!
Desta vez, visitei uma casa de estilo colonial que atravessou gerações de uma mesma família. Quatro irmãos cresceram ali e, depois que os pais se mudaram para um apartamento, a filha mais nova voltou a ocupar os ambientes com o marido e os três filhos. A reforma precisava acomodar essa nova fase, mas havia muita história que todos faziam questão de preservar.
Carol já conhecia bem o imóvel: havia realizado outras intervenções para a geração anterior. Agora, o trabalho envolvia decidir o que abrir, o que atualizar e o que deveria continuar exatamente como estava. E eu adorei perceber que a idade da casa foi respeitada nas escolhas.
O que fica também transforma
As janelas redondas, com suas serralherias trabalhadas, são um ótimo exemplo. Seria fácil substituí-las por aberturas retangulares, como vemos acontecer em tantas reformas. Aqui, elas permaneceram e participam da personalidade dos ambientes, inclusive da cozinha. A escada que faz parte da memória da família, a porta e o lustre da sala de jantar também encontraram seu lugar nessa nova etapa.
Mas o lavabo talvez seja a lembrança mais divertida dessa história. Preservado como era, ganhou o apelido de “túnel do tempo”: a sensação dos netos é de que, ao sair dali, vão encontrar a casa de antigamente!
Enquanto alguns espaços guardam essas referências, outros ganharam novas possibilidades de uso. A sala do dia a dia se abriu para o jardim e para a piscina, antes separados por portas de madeira. O mesmo piso atravessa as áreas internas e externas, e a vegetação forma uma cortina verde que deixa tudo ainda mais gostoso.
Uma casa pronta para receber
A antiga edícula passou por uma transformação grande. Antes térrea e dividida em pequenos ambientes, ela ganhou uma área para cozinhar e receber, além de uma academia no pavimento superior, voltada para o jardim.
Lá embaixo, fiquei encantada com escolhas que fazem diferença no uso. Em vez de uma única mesa comprida, Carol colocou duas mesas quadradas, que podem funcionar separadas ou se juntar conforme o encontro. A marcenaria de madeira deixa o revestimento da parede aparecer ao fundo, e as portas também são de madeira, escolhidas pela presença do material e pela experiência de tocar, abrir e fechar.
É um espaço que dá vontade de ocupar sem pressa, com a piscina por perto e o jasmim crescendo sobre a cobertura.
A cozinha e os espaços das crianças
A cozinha foi um dos meus ambientes preferidos. Ampla, ela passou a se conectar com a copa, que antes era fechada. As portas permitem separar os espaços quando necessário, mas, no dia a dia, ficam quase sempre abertas. A marcenaria feita sob medida organiza os objetos da rotina e acomoda até as limitações da estrutura existente.
No andar de cima, as decisões também partiram do jeito de viver da família. A possibilidade de criar uma suíte para cada filho foi estudada, mas os moradores preferiram manter os banheiros separados dos quartos. Os meninos dividem o espaço de dormir, enquanto os estudos e as brincadeiras têm outros lugares na casa.
Um antigo quarto e seu terraço deram origem à área de estudos, onde uma mesa e cadeiras herdadas convivem com peças novas. Dali vem o acesso ao sótão, aproveitado como território de diversão das crianças. Achei uma delícia essa ideia de descobrir novos usos dentro da própria casa!
Essa visita está cheia de soluções e histórias que merecem ser vistas com calma. Assista ao Open House completo e venha comigo conhecer uma casa que continua mudando junto com a família, sem perder as marcas de quem já viveu ali.

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