09 2026

Casa térrea organiza área social em torno da piscina

03 set, 2026 | Casas, Acima de 200 m2, Campo

Fotos: Keniche Santos / Divulgação
Escritório: Duppla Arquitetura
Paisagismo: Mônica Costa Paisagismo
Área construída: 500m²
Localização: Ribeirão Preto, São Paulo

Projetada pela arquiteta Juliana Terreri, da Duppla Arquitetura, para sua própria família, esta casa térrea de 500 m² parte de uma premissa bastante objetiva: fazer com que todos os espaços tenham uso no cotidiano. Desenvolvido em parceria com Lucila Jorge, também sócia do escritório, o projeto atende a uma família de quatro pessoas e combina uma planta funcional a ambientes abertos para receber familiares e amigos.

A arquitetura segue uma linguagem contemporânea de linhas retas, com poucos materiais e uma relação constante entre interior e exterior. Em vez de recorrer a muitos elementos formais, o escritório concentrou as decisões na organização da planta, na entrada de luz natural e na presença de materiais como mármore travertino e madeiras naturais.

“O ponto de partida foi uma casa prática, aberta, arejada e sem excessos. A estética contemporânea de linhas retas orientou todas as escolhas, da planta à especificação de materiais.”

Piscina integrada à arquitetura

Um dos principais desafios estava justamente em um elemento normalmente associado à área de lazer: a piscina com raia. Em uma residência térrea, havia o risco de que ela ocupasse uma parcela extensa do terreno sem estabelecer uma relação direta com os ambientes internos. A solução foi posicioná-la no corredor lateral da área social.

Assim, a raia acompanha o living e passa a funcionar visualmente como um espelho d’água. Em vez de aparecer como uma estrutura independente no jardim, a piscina participa da composição da casa e ajuda a construir a transição entre arquitetura e paisagismo.

Uma planta dividida em três faixas

A implantação foi organizada em três faixas. Na frente do terreno estão a área social e a piscina; no centro, os espaços funcionais e de serviço, incluindo a garagem; e, nos fundos, ficam os dormitórios. A divisão estabelece diferentes graus de privacidade sem criar uma circulação excessivamente compartimentada.

O living foi implantado na face sombreada do lote, dispensando a necessidade de barreiras constantes contra a incidência solar. Grandes aberturas aproximam os interiores do jardim, assinado por Mônica Costa, enquanto a presença da vegetação e da água contribui para o conforto térmico. O mármore travertino, empregado em diferentes áreas, também foi escolhido por aquecer pouco sob o sol.

Estrutura leve e poucos materiais

Na área social, a estrutura metálica permitiu trabalhar vãos maiores e uma arquitetura visualmente mais leve, enquanto os quartos e espaços de serviço receberam estrutura convencional de concreto. A paleta de materiais foi mantida reduzida: travertino nacional aparece em pisos e paredes, enquanto Cumaru e Tauari entram na marcenaria e nos forros. Na área gourmet, o mármore Carmenere foi utilizado nas bancadas.

A marcenaria, inteiramente desenhada pela Duppla Arquitetura, também participa da continuidade visual entre os ambientes. Entre os elementos desenvolvidos pelo escritório está um grande móvel suspenso que percorre o comprimento da sala, além de uma prateleira que incorpora iluminação indireta. Madeira e pedra se repetem nos revestimentos, evitando mudanças bruscas de linguagem entre os espaços.

Cozinha aberta para a área gourmet

Essa continuidade chega à cozinha, integrada à área gourmet por uma porta muxarabi do piso ao teto. Quando aberta, ela praticamente elimina a separação entre os dois ambientes. A ilha foi posicionada para facilitar a rotina da família e, segundo as arquitetas, a cozinha acabou se tornando o espaço mais utilizado da casa no dia a dia.

Com quatro suítes, sala de TV, escritório, living, jantar, cozinha e espaço gourmet, a residência concentra sua identidade menos na quantidade de elementos e mais na relação entre eles. Planta, estrutura, materiais, paisagismo e iluminação seguem a mesma lógica de redução de excessos, fazendo da funcionalidade uma das principais decisões arquitetônicas do projeto.