
Você me pergunta: “Lucila, vc não cansa do blog?”
E eu te respondo: “Quando o seu trabalho é conhecer La Muralla Roja não dá para se cansar né…”
Olha bem para essas fotos e me fala se esta construção não te toca. Você pode sentir-se oprimido – que foi a sensação que eu tive – deslumbrado, assombrado, surpreso, encantado, enfim… O fato que é a arquitetura pode ser viceral, apaixonante e questionadora. Vou te contar sobre esta construção aqui, a La Muralla Roja que fica em Alicante, na Espanha.

Em primeiro vou te falar sobre o arquiteto, o catalão Ricardo Bofill. Ele construiu uma carreira pautada por uma visão mais holística (não curto a palavra mas não me vem outra a cabeça agora) da arquitetura. Em 1963 montou o escritório Taller de Arquitectura com engenheiros, arquitetos e sociólogos. E de lá para cá faz projetos enormes e de alto impacto sócio cultural, como a nova capital da Argélia, o aeroporto de Barcelona, o Teatro Nacional da Catalunha, etc.
Bom, agora vamos a La Muralla Roja. O projeto é da década de 70 e faz uma referência a arquitetura árabe mediterrânea, mais especificamente as construções de abode. A linha condutora do projeto coloca em cheque o nosso entendimento de público e privado reinterpretando o kasbah.
O que é kasbah? São construções fortificadas muito comuns em países árabes, geralmente quadradas, que protegiam as populações de ataques, invasões, tempestades de areia e do frio intenso.
O projeto é voltado para si e tem o formato de uma cruz. São 150 apartamento de 60 a 120m2 e no último andar tem uma estrutura de piscina, solário e sauna para os moradores. Um conceito bem contemporâneo para um prédio de 1973. Externamente, o prédio foi inteiro pintado em tons de vermelho e o pátio interno em tons de azul – de acordo com o Taller de Arquitectura, o contraste foi usado para dar a ilusão de espaço.


