Mobiliário afetivo e design brasileiro
18 set, 2026 | Apartamentos, Acima de 200 m2, Praia

Fotos: Luiza Schreier / Divulgação
Projeto: Renata Lemos Arquitetura
Produção visual: Rennan Scalabrin, Renata Lemos e Flavia Zimetbaum
Área: 300m²
Localização: São Conrado, Rio de Janeiro
Após anos vivendo no Qatar e na Suíça, um casal com três filhos retornou ao Rio de Janeiro trazendo móveis, objetos e obras de arte reunidos durante esse período. No apartamento de 300 m², a arquiteta Renata Lemos e sua sócia, a designer Flavia Zimetbaum, do escritório Renata Lemos Arquitetura, partiram desse acervo para criar uma nova identidade para os interiores, equilibrando peças internacionais, design brasileiro e referências à atmosfera carioca
Como o imóvel já havia passado por uma reforma de infraestrutura, a planta original foi mantida. Com exceção dos banheiros, todos os ambientes receberam novas soluções de marcenaria, mobiliário, iluminação, revestimentos e cores. A área social reúne hall, estar e jantar, enquanto copa e cozinha permanecem integradas. O apartamento também conta com três quartos para os filhos e uma suíte máster com closet.
Acervo como ponto de partida
Grande parte do mobiliário veio da antiga residência da família na Suíça, transportado em um contêiner para o Brasil. Entre as peças preservadas estão os sofás Groundpiece, da Flexform, a mesa de jantar Saarinen original, o bar da varanda, a mesa do hall, uma miniadega e um rack branco.
A curadoria buscou acomodar esses elementos sem reproduzir a configuração da casa anterior. A presença predominante do design italiano foi combinada a peças nacionais, como a poltrona Mole, de Sergio Rodrigues, escolhida pelos moradores para marcar o retorno ao país. Também integram o conjunto as cadeiras Helga, do Estudiobola, a mesa de centro Duetto, de Luia Mantelli, e o pendente Araucária, de Cristiana Bertolucci.
Na sala de jantar, uma obra de Linda Dayan acompanha a composição, enquanto objetos reunidos ao longo dos anos ocupam a estante e outras superfícies da área social. Um dos exemplos é o móvel em formato de barco que pertenceu à casa de serra da família, foi levado para a Suíça e agora retorna ao apartamento no Rio.
Marcenaria para integrar peças existentes
As novas marcenarias foram executadas em freijó natural e incluem painéis, brises, estante e um móvel de apoio ao café. Além de organizar os ambientes, elas permitiram adaptar o acervo às proporções do novo imóvel.
“Como o rack branco trazido da Suíça era menor do que a nova parede, desenhamos uma estante de madeira vazada, do piso ao teto, para envolvê-lo e integrá-lo naturalmente ao conjunto”, explica Renata.
Na área de televisão, a estrutura acomoda o rack e cria espaço para livros, obras e objetos pessoais. A solução estabelece uma relação entre os móveis já existentes e os elementos desenvolvidos especificamente para o apartamento.
Base neutra e pontos de cor
A área social tem como base os sofás brancos, os estofamentos em couro caramelo, a madeira natural, os tapetes em tom areia e o porcelanato existente, também em tonalidade areia. Os tapetes, produzidos em PET, são da Galeria Haithi.
O tijolo aparente introduz o terracota na parede ao fundo da sala. Inicialmente, o azul foi considerado por sua relação com a vista para o mar, mas a opção foi evitar essa associação direta. Uma estampa vermelha da Entreposto definiu a direção cromática adotada em almofadas, na cúpula de uma luminária e nas capas listradas de uma poltrona de madeira.
O vermelho também aparece em peças do acervo, como o tapete trazido do exterior e um quadro produzido a partir de uma antiga janela. Os cocares da coleção dos moradores completam a composição.
Soluções distintas nos dormitórios
O piso vinílico amadeirado foi aplicado em todos os quartos para estabelecer unidade entre os ambientes. Na suíte do casal, o lambri em meia altura combina uma base branca à pintura bege na parte superior. A cabeceira, desenhada pela arquiteta com o volume de um grande travesseiro, ocupa a largura da cama.
No quarto da filha, o mobiliário vindo da Suíça foi mantido e associado a um lambri verde seco. Uma das paredes recebeu um arco-íris pintado pela tia da criança. Já o quarto do filho de cinco anos reúne brinquedos, mesa de estudos e uma área para expor suas camisas de futebol, com o azul acinzentado presente nas paredes e nos baús.
No dormitório do caçula, o papel de parede foi aplicado na parte superior das paredes e prolongado pelo teto. Os quadros que integram o ambiente foram produzidos por Rafaela Jordão.
Projeto conduzido à distância
O trabalho foi concluído em seis meses, incluindo desenvolvimento, aprovações, execução e decoração. Como os moradores ainda estavam no exterior, as decisões foram acompanhadas por reuniões em vídeo. Flavia Zimetbaum ficou responsável pelas conferências técnicas do apartamento e pelos ajustes relacionados à reforma anterior, enquanto Renata concentrou o trabalho na definição dos interiores.
“O maior desafio foi criar uma nova identidade para o apartamento sem abrir mão da história da família, reaproveitando os móveis e objetos que vieram da Suíça. Como os clientes ainda estavam fora do Brasil, todo o processo de decisão aconteceu à distância através de reuniões por vídeo. O objetivo era que eles desembarcassem no Rio e encontrassem a casa pronta para começar imediatamente essa nova fase de vida.“, conclui a arquiteta.

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