Acervo baiano em casa de praia
17 set, 2026 | Casas, Acima de 200 m2, Praia

Fotos: Paola Kiminami y Renato Rebouças / Divulgação
Escritório: GAM Arquitetos
Área construída: 417,92m²
Área do terreno: 700m²
Localização: Praia do Forte, Bahia
Projetada pelo GAM Arquitetos para um casal com dois filhos, a Casa Acervo parte de dois elementos centrais: a convivência familiar e a coleção de arte reunida pelos moradores ao longo dos anos, com destaque para obras de artistas baianos.
A construção de 417,92m² funciona como segunda residência e foi pensada para acomodar a rotina da família, os períodos de descanso e os encontros com convidados. Desde os primeiros estudos, arquitetura, mobiliário e superfícies expositivas foram desenvolvidos em conjunto para incorporar livros, objetos e obras de arte aos ambientes de uso cotidiano.
Ambientes sociais conectados
Um dos principais pedidos dos moradores era uma casa ampla, com áreas sociais que favorecessem a permanência e o convívio. O projeto integra sala de estar, jantar e área gourmet, enquanto o pé-direito duplo amplia a percepção do espaço e estabelece uma conexão visual entre os pavimentos.
A área gourmet participa diretamente dessa organização, sem ser tratada como um setor isolado. A adega segue a mesma lógica: além de atender à função de armazenamento, integra-se à dinâmica dos encontros e ocupa uma posição de destaque na área social.
No pavimento térreo, uma suíte permite receber hóspedes e amplia as possibilidades de uso da casa. A distribuição também inclui espaços de apoio, escritório e suítes no andar superior, garantindo separação entre as áreas coletivas e íntimas.
Arte integrada à arquitetura
Em vez de criar uma sala exclusiva para a coleção, o GAM Arquitetos distribuiu as obras pelos espaços de convivência. Assim, o acervo participa da experiência diária da casa e orienta diferentes pontos do projeto.
A parede-galeria foi dimensionada para receber as obras, enquanto a grande estante da sala acomoda livros, objetos pessoais e peças colecionadas pela família. Desenhada especialmente para a residência, ela funciona ao mesmo tempo como elemento arquitetônico, superfície de exposição e apoio para o living.
O principal desafio foi equilibrar a presença visual da coleção com os demais componentes do projeto. Para isso, o escritório reduziu a quantidade de elementos concorrentes e adotou materiais naturais, proporções amplas e uma paleta neutra. Essa base destaca as obras sem transformar os ambientes em espaços expositivos formais.
Luz natural e ventilação cruzada
A implantação foi definida para aproveitar a iluminação natural e favorecer a ventilação cruzada. As aberturas também estabelecem continuidade entre as áreas internas e externas, aproximando os ambientes sociais do deck, da piscina, da hidromassagem e dos jardins.
Essa relação permite que os espaços de convivência se estendam para fora da construção e atendam ao uso característico de uma casa de praia. Ao mesmo tempo, os ambientes permanecem conectados visualmente, reforçando a leitura do projeto como um conjunto.
Coleção e vida cotidiana
Na Casa Acervo, as obras, os livros e os objetos não aparecem como complementos adicionados depois da arquitetura. Parede-galeria, estante e áreas de circulação foram concebidas para recebê-los desde o início do projeto.
O resultado é uma casa em que o acervo se integra aos hábitos dos moradores e à organização dos ambientes. A arquitetura cria o suporte para a coleção, enquanto as peças revelam os interesses e as referências da família ao longo dos espaços.

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