
Fotos: Arquivo pessoal / Reprodução
No open house de hoje, te levo para conhecer uma casa única e que conquista pela alma. Não é só sobre projeto ou localização, e sim sobre personalidade, histórias e um jeito muito próprio de viver. Estou falando da casa da Juliana Françozo, fundadora do A Caza Fina.
Logo na chegada, o aviso vem em tom leve, quase como um convite: “não repara na bagunça”. Mas basta atravessar o portão para entender que ali nada é desordem, mas acúmulo de histórias. A casa, com seus generosos 500m² de terreno, foi um achado inesperado. Antes de ser lar, já havia passado pelas mãos da moradora, que a conheceu pintando ambientes para um Airbnb. Na época, parecia grande demais, mas logo deixou de ser.
O que se vê hoje é resultado de um processo orgânico, intuitivo e profundamente autoral. As paredes, antes tomadas por estampas intensas, foram descascadas, revelando respiros necessários. Intervenções surgiram aos poucos, muitas já com a casa habitada, e transformaram cada superfície em suporte para expressão. Aqui, pintar não é só estética, é linguagem.
A decoração segue o mesmo princípio: nada é aleatório, mas tudo parece espontâneo. Objetos garimpados, presentes de amigos, memórias de viagens e criações próprias convivem sem hierarquia. Tem placa de igreja dos anos 60 encontrada na feira, coleção de patinhos de borracha que começou quase por acaso, desenhos de sobrinhos, peças de festa e obras de artistas independentes.
A casa também revela muito sobre o fazer da moradora. Foi ali, durante a pandemia, que a pintura ganhou espaço e virou profissão. Hoje, o traço leve e expressivo ultrapassa as telas e aparece em taças, roupas, garrafas e até experiências ao vivo em eventos. Mais do que o resultado final, existe um valor no gesto manual, na imperfeição bonita, no processo que se mostra.
Apesar do maximalismo evidente, há um cuidado com equilíbrio. A própria moradora reconhece a importância do respiro visual, algo que buscou ao longo das transformações, como comenta que “antes era over de um jeito exaustivo. Agora tem mais ar”. Essa consciência aparece nos contrastes, nas pausas entre cores e na forma como os ambientes se conectam.
E se a estética chama atenção, a vivência completa o encanto. A casa é feita para receber. Festas, encontros, aulas, cafés — tudo acontece ali. Os espaços se adaptam, se expandem, se reinventam. Até o banheiro vira atração, e o quintal, com suas soluções improvisadas e criativas, reforça o espírito livre que guia cada escolha.
No fim, visitar essa casa é entender que morar também pode ser um ato criativo. Um processo contínuo, cheio de camadas, memórias e experimentações. Um lugar onde nada é definitivo, e talvez seja exatamente isso que a torne tão especial!
Aperte o PLAY para assistir ao Open House completo!

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