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Uma casa redesenhada de dentro para fora | Open House com Ana Sawaia

Fotos: Andre Scarpa / Divulgação
Tem casas que começam a se revelar antes mesmo de cruzarmos a porta. Neste Open House, a chegada já diz muito: uma rua tranquila, o som dos pássaros e um jardim que transforma o percurso da calçada até a entrada. Foi assim que conheci a nova morada de Raquel e Sérgio, uma casa de 1938 reformada por Ana Sawaia.
A parceria entre os três começou há cerca de 14 anos, quando Ana projetou outra casa para o casal. O imóvel anterior, de 1932, também exigiu um trabalho atento sobre uma construção existente. Depois de uma década, porém, o avanço da verticalização e as obras ao redor levaram os moradores a se mudar. A nova casa apareceu em uma rua que eles já admiravam e, ao perceberem o potencial do imóvel, procuraram novamente a arquiteta.
O resultado é uma reforma que altera profundamente a maneira de viver os espaços sem apagar as marcas do tempo. Assista ao vídeo completo para acompanhar esta visita comigo e descobrir as soluções do projeto.
Um acesso redesenhado durante a obra
Como a casa está mais de três metros acima da cota da rua, tornar a chegada mais agradável foi um dos principais desafios. A antiga escada, estreita e sinuosa, deu lugar a uma sequência de patamares cercados pelo paisagismo. No percurso, uma pequena praça cria uma pausa antes da entrada e amplia o uso da área externa.
A definição do acesso principal surgiu da observação da própria obra. Ao perceber que os trabalhadores haviam criado um caminho mais direto para transportar materiais, Ana entendeu que aquele também seria o percurso mais natural para os moradores. A mudança evitou uma segunda escada íngreme e deixou uma área maior para o jardim.
A garagem, que antes só se conectava à casa pelo lado externo, também ganhou acesso interno. Para levar iluminação e chuva ao pavimento inferior, parte da laje foi aberta e recebeu um piso de gradil metálico sobre um jardim. O elemento permite a passagem, filtra a luz e mantém a continuidade visual da escada.
Uma planta completamente invertida
A organização interna original era compartimentada: a sala ficava na frente, a cozinha ocupava um canto reduzido e um corredor atravessava praticamente toda a casa. Na reforma, essa lógica foi invertida. Os quartos passaram para a frente, enquanto cozinha e sala foram levadas aos fundos e abertas para o jardim.
A antiga edícula, quase encostada à construção principal, foi demolida para liberar o quintal e permitir a integração da área social com o verde. Grandes aberturas, apoiadas por uma nova estrutura, aproximam interior e exterior. Uma pequena varanda protege os ambientes do sol e da chuva sem interromper essa relação.
A cozinha pode permanecer totalmente aberta ou ser isolada por delicados caixilhos de ferro e vidro aramado. A solução atende tanto à rotina do casal quanto aos dias de receber, quando fechar as portas permite preservar a sala do movimento da cozinha. Entre os ambientes, a marcenaria substitui paredes: de um lado funciona como estante e, do outro, como despensa e apoio para casacos, bolsas e sapatos.
A matéria existente como ponto de partida
Embora as paredes internas tenham sido reorganizadas, os tijolos da construção original foram preservados. Durante a demolição, as peças foram retiradas, armazenadas e depois recolocadas na própria obra. A decisão reduziu resíduos e manteve a materialidade da casa.
Portas, arcos e caixilhos de ferro também foram recuperados. Onde novas esquadrias eram necessárias, o ferro foi mantido para dar continuidade à linguagem existente. No telhado, a retirada do estuque revelou o desenho das águas e as tesouras de madeira. As estruturas em boas condições permaneceram aparentes, enquanto os trechos comprometidos foram substituídos.
As diferentes intervenções podem ser reconhecidas sem criar uma ruptura. As paredes de tijolos antigos receberam pintura; já o novo núcleo hidráulico, construído com blocos e laje de concreto, foi revestido com massa grossa. É uma maneira clara de distinguir o que já estava ali do que foi acrescentado.
O jardim como parte da casa
O paisagismo acompanha toda a experiência da casa, da entrada à área social. Espécies de diferentes alturas criam uma camada densa de verde junto às janelas, enquanto a horta e o cuidado cotidiano de Sérgio aproximam o jardim da rotina. A vegetação não aparece como cenário: ela define vistas, percursos e lugares de permanência.
Na área externa, um banco de seis metros desenhado por Ana combina uma viga metálica com ladrilhos hidráulicos da coleção Pausa. Criado originalmente para a Casa Cor de 2019, o desenho nasceu de símbolos de uma partitura musical e de uma homenagem ao pai da arquiteta, que era compositor. Fermata, pausas, variações de intensidade e o sinal de encerramento formam uma composição que encontra no jardim um novo contexto.
Também há espaço para peças que acompanharam o casal desde a casa anterior, como o sofá, agora renovado com outro tecido, e para novos elementos escolhidos para esta morada. Essa combinação reforça o princípio que orienta toda a reforma: transformar o necessário, preservar o que ainda faz sentido e permitir que a casa antiga continue reconhecível, agora aberta à luz, ao jardim e a uma nova forma de viver.
Quer ver a visita completa e conhecer todos os detalhes deste projeto? É só clicar aqui e asssistir ao Open House completo!

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