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O poder do preto: design minimalista e com personalidade em casa-ateliê | Open House com Eduardo Caires

Fotos: Eduardo Caires / Divulgação

Se você me acompanha por aqui, já sabe o quanto eu defendo que a casa é um organismo vivo, que muda junto com a gente. Mas o open house de hoje me levou para um universo totalmente particular e surpreendente! Fui visitar o apartamento do Eduardo Caires, um designer inteligentíssimo que criou um espaço superminimalista, monocromático e com uma identidade visual poderosíssima. Aqui, o preto não é só uma escolha de cor nas paredes: é parte da própria história dele.

Quem vê o Edu hoje, todo imerso nessa estética impecável em preto e branco, mal imagina que ele já foi super clubber e cheio de cores! Por volta dos 23 anos, com o corpo totalmente tatuado e colorido, ele sentiu que precisava neutralizar aquele excesso de informação visual. O preto entrou na vida dele — no armário, no trabalho e no lar — e virou sua marca registrada.

Uma tela em branco (ou melhor, em preto!)

O Edu mora aqui há 7 anos. Quando ele mudou, o apartamento estava totalmente cru: paredes brancas, do jeitinho que a construtora entregou. Sem fazer nenhuma reforma estrutural ou quebra-quebra, ele transformou o espaço inteiramente na raça, através da pintura, da iluminação e de uma curadoria cirúrgica de móveis e obras de arte.

E se você tem aquele medo de que uma sala com paredes e cortinas pretas fique escura ou pesada, o Edu me deu uma verdadeira aula de como resolver isso. O segredo dele é o jogo de texturas. Ele mistura couro, linho, veludo, mármore e madeira. Essa riqueza de superfícies traz profundidade e faz com que o ambiente continue superaconchegante e dinâmico. Para quebrar o monocromático, ele usa um único e estratégico ponto de cor: o vermelho, que traz luz, tensão e atrai o nosso olhar imediatamente.

Aliás, ontem mesmo eu estava lembrando de um videocast delicioso que gravei no Casa de Valentina com o Michel Alcoforado. A gente falava justamente sobre isso: se a sua casa está 100% pronta e parada, tem algum problema! Significa que a gente morreu, porque a casa precisa acompanhar a nossa evolução. E o apartamento do Edu é a prova viva disso.

Garimpos e amigos criativos

O apartamento funciona quase como uma galeria de arte particular, onde cada cantinho transborda memórias afetivas. Como trabalhou por 15 anos com Visual Merchandising, o Edu tem um olhar afiadíssimo para criar verdadeiras instalações dentro de casa.

    • O móvel de 50 anos: Um armário antigo que ele herdou, tirou todas as portas e transformou em uma estante linda para expor seus objetos prediletos, livros de música e as revistas que contam a história da marca dele.

    • Design e Garimpo: Fiquei apaixonada pelas cadeiras da Prototype na sala de jantar — elas são robustas com o cromado, mas têm a delicadeza do veludo. Elas dividem o espaço com uma mesa Saarinen e um espelho maravilhoso que ele garimpou na tradicional Feira do Bixiga.

  • Instalações esculturais: O Edu adora uma luz baixa e dramática à noite. Num dos cantos, ele criou uma composição com velas derretendo sobre folhagens secas e mamonas pintadas de preto que parecem esculturas do Krajcberg! Pertinho, brilha a luminária da marca Carvão, que foi a primeira peça de design assinado que ele conquistou na vida.

O mais gostoso é ver que a casa dele é cheia de amigos. Tem uma escultura orgânica lindíssima da Vivi Rosa — que parece pesada como cerâmica, mas é superleve, feita de algodão e vidro triturado —, além de uma peça em cerâmica raku do artista Gilberto Gomes. Fora as telas espatuladas na parede, que o próprio Edu pintou de forma totalmente autodidata!

O corredor-galeria e o refúgio do quarto

O caminho para o quarto é um corredor envelopado que conta toda a trajetória dele, exibindo campanhas de moda da sua marca e até a icônica saia escultural de metal que ele desenvolveu para a Pamela Varja usar no Baile da Vogue, inspirada no balé da Bauhaus. Uma verdadeira obra de arte!

Quando entramos no quarto, sentimos que ali é o verdadeiro refúgio dele. O Edu é superligado em energias e espalhou cristais por toda a casa para proteger e limpar o ambiente. No quarto, o mood P&B continua. Ele me contou que foi difícil achar roupa de cama preta de qualidade, mas encontrou um linho lindo na Zara Home. O grande destaque do cômodo é a cabeceira de veludo preta, feita sob medida pela marca Meninos na Casinha, iluminada pela luminária meia-lua de latão fundido da Orte — que, por sinal, é o único ponto dourado de todo o apartamento.

Um lar com uma identidade visual forte, marcante, mas que passa longe de ser frio. É uma casa cheia de calor, de afeto e, acima de tudo, com a alma do dono. Para ver o vídeo completo, é só apertar o PLAY!

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