Um universo particular em 42m² | CASACOR Rio 2026
20 out, 2026 | Mostras, Até 50 m2, Cidade

Fotos: Juliano Colodeti, do MCA Estúdio / Divulgação
Escritório: Raphael Assaf Arquitetura
Produção visual: Lu Algarthe
Área: 42m²
Localização: CASACOR Rio de Janeiro 2026
Morar sozinho permite pensar a casa a partir de um ritmo próprio: como receber, descansar, cozinhar e ocupar cada canto. Essa liberdade orienta o Estúdio Orbe, projeto de Raphael Assaf para a CASACOR Rio 2026. Nos 42 m² do loft, sala, cozinha, quarto e banheiro formam uma casa para uma pessoa, com soluções que conciliam o aproveitamento da planta e a expressão de quem poderia viver ali.
A proposta parte da casa como um universo particular e interpreta o tema “Mente e Coração” na relação entre funcionalidade e escolhas sensíveis. Enquanto o desenho dos ambientes organiza a rotina, tecidos, obras de arte e objetos dão ao espaço uma dimensão pessoal.
“A inspiração vem desse desejo de criar um abrigo completo em poucos metros, onde a solitude é entendida não como ausência, mas como uma forma de presença e conexão consigo mesmo”, explica o arquiteto.
Uma marcenaria, diferentes funções
O principal recurso de organização é um bloco de marcenaria em MDF padrão pau-ferro que percorre toda a lateral do loft. Nele, cristaleira, cozinha e lavatório externo ao banheiro se sucedem, reunindo diferentes usos em um mesmo desenho. As bancadas em Quartzito Abstrato reforçam essa continuidade.
No piso, o porcelanato cinza com textura de terrazzo acompanha todos os ambientes. Já a separação entre sala e quarto é feita por tijolos de vidro, que delimitam os espaços e permitem que a luz natural da fachada alcance o estar. Assim, a divisão da área íntima mantém a passagem de iluminação entre os ambientes.
Referências modernistas e contrastes de materiais
A relação com o modernismo aparece no vidro, na madeira escura e nas superfícies cimentícias. No quarto, o volume do banheiro ganha uma parede curva revestida com placas de acabamento bruto, concebida para lembrar um grande pilar. Por dentro, a materialidade muda: pastilhas bordô revestem o espaço, e o nicho do chuveiro retoma o quartzito das bancadas.
Sobre a base cinza, o sofá terracota alaranjado e o estofamento verde da cama introduzem cor. Na sala, um tapete redondo rosado se sobrepõe a um iraniano de fundo vermelho, acrescentando outras texturas à composição.
O mobiliário reúne os bancos Angela e Jake, de Fernando Mendes, as banquetas Iaiá, de Gustavo Bittencourt, sofá e poltronas do Estúdio Niz e a mesa de centro Abaporu, de Roberta Banqueri.
Arte na escala da casa
Selecionadas no acervo do coletivo Casa Voa, as obras de arte participam da composição dos ambientes. Na parede da sala, quatro trabalhos em madeira entalhada de Lulo Chaumont aproximam-se dos tons terracota do mobiliário. Ao lado, cinco pequenos trabalhos de Clarice Rosadas formam uma sequência vertical.
O cuidado com os recursos também aparece na execução. O espaço utiliza construção seca com drywall e iluminação integralmente em LED, além de concentrar funções para aproveitar a área disponível.
Entre a marcenaria que organiza a rotina, as divisórias que deixam a luz passar e a presença da arte, o Estúdio Orbe mostra como uma planta compacta pode acomodar diferentes usos sem abrir mão de escolhas pessoais. Os 42 m² são o ponto de partida para uma casa pensada em torno de quem a ocupa.

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