07 2026

Refúgio de memórias: Daniel de Castro Cunha assina a Suíte do Casal Colecionador na CASACOR SP 2026

01 jul, 2026 | Mostras, Até 50 m2, Cidade

Fotos: Alessandro Gruetzmacher / Divulgação
Escritório: Daniel de Castro Cunha Arquitetura
Área: 49m²
Localização: CASACOR São Paulo 2026

Se você é fã de espaços que contam histórias reais e fogem do óbvio, prepare-se para se encantar. Em sua segunda participação na CASACOR SP, o arquiteto Daniel de Castro Cunha trouxe para o icônico Parque da Água Branca um ambiente de 49m² que é pura poesia visual: a Suíte do Casal Colecionador. Sob o tema nacional “Mente e Coração”, o projeto foi desenhado para responder a uma pergunta central: como traduzir arte, memória e identidade em um único refúgio urbano?

A resposta veio em um layout fluido e inteligente, dividido em três atos: quarto, home office e closet.

O passado como protagonista

O ponto de partida do projeto já traz uma bagagem histórica e tanto. O edifício no Parque da Água Branca possui paredes tombadas e características arquitetônicas preservadas. Em vez de camuflar o passado, Daniel optou por exaltá-lo. Ele manteve o piso original e respeitou cada detalhe da construção antiga.

“Os ambientes ganham mais significado quando conseguimos equilibrar o que já estava ali e aquilo que acrescentamos”, pontua o arquiteto. É aquele equilíbrio perfeito entre o ontem e o hoje que a gente tanto ama!

Um abraço em tons de verde

A escolha da paleta cromática foi guiada pela natureza exuberante do entorno, apagando as fronteiras entre o “dentro” e o “fora”. O verde conduz o olhar por todos os cantos. No quarto e no home office, um papel de parede de seda de inspiração indiana muda de nuance conforme a luz do dia avança. A cor também abraça a marcenaria planejada, aparecendo nos detalhes de rodapés, rodatetos e pórticos. Até o teto ganhou um tom de branco com leve pigmentação esverdeada — um segredo sutil para deixar a atmosfera acolhedora.

No quarto, a grande estrela é a cabeceira da cama. Com quase quatro metros de comprimento, desenhada pelo próprio escritório e dividida em três partes, ela é revestida com tecido da Entreposto. Segundo Daniel, o efeito visual e sensorial é “quase como um abraço”.

Curadoria afetiva e surrealismo

Para fazer jus ao nome do ambiente, a seleção de arte e mobiliário é densa e cheia de personalidade. Com uma forte conexão com o movimento surrealista e o universo onírico, as paredes exibem obras de peso de artistas como Ismael Nery, Eleonore Koch, Walter Levy e uma imponente tela de Raiana Rayo que se destaca no home office.

O mobiliário é outro espetáculo à parte. Misturando épocas e propostas, o arquiteto garimpou móveis franceses campesinos do acervo de Arnaldo Danemberg, incluindo a mesa de trabalho e um antigo seca-pratos que ganhou vida nova como bar. Completando a composição, peças da Vermeil dividem espaço com estantes repletas de livros e objetos carregados de memória afetiva.

O resultado é um espaço vibrante, íntimo e acolhedor, que prova que uma casa de verdade é feita de camadas de tempo e de histórias para contar.