09 2026

Referências modernistas, linhas orgânicas e personalidade

15 set, 2026 | Apartamentos, De 100 a 200 m2, Cidade

Fotos: Júlia Tótoli / Divulgação
Projeto:
Flávia Nasr
Paisagismo: Fábio Camargo
Área: 500m²
Localização: Noroeste, Brasília, Distrito Federal

Projetado pela arquiteta Flávia Nasr para um casal, este apartamento de 500m², em Brasília, concilia referências modernistas, linhas orgânicas e elementos ligados à trajetória dos moradores. Distribuído em dois pavimentos, o projeto organiza as áreas de convivência e os ambientes privativos em planos distintos, articulados por uma escada escultórica.

Antes de procurar a arquiteta, o casal havia passado por outros dois processos de projeto. O principal desafio era reunir um repertório formado por viagens, hotéis, referências à arquitetura de Brasília e objetos ligados à história da família, transformando esse conjunto em uma linguagem coesa. Ele, engenheiro, desejava que sua formação e sua relação com o modernismo estivessem presentes no apartamento. Já ela buscava linhas mais suaves e orgânicas. O encontro entre essas duas perspectivas orientou as decisões de materiais, mobiliário e organização dos espaços.

A estrutura de concreto aparente, com lajes e pilares preservados à vista, estabelece a base modernista do projeto. A madeira aparece no piso e nos painéis para equilibrar a materialidade mais bruta, enquanto o ladrilho hidráulico da cozinha, a vegetação e as formas curvas do mobiliário introduzem textura e suavidade.

Uma referência a Athos Bulcão

Entre os principais pedidos do marido estava a incorporação de uma referência ao painel de Athos Bulcão no Palácio do Itamaraty. A solução desenvolvida foi um painel metálico vazado, com uma composição geométrica inspirada na obra do artista.

Instalada diante de um painel de marcenaria, a peça preenche visualmente os vazios e integra a escada de lance único que conecta os dois pavimentos. Além de estabelecer a referência desejada pelo morador, o elemento funciona como guarda-corpo e apoio estrutural da escada. A homenagem, portanto, participa da própria construção do espaço.

No sexto andar, concentram-se os ambientes de uso cotidiano e convívio. Estar, jantar e sala de TV formam um living integrado, acompanhado por cozinha, sala de almoço, área de serviço, escritório, sala de massagem e quarto de hóspedes.

O sétimo andar foi organizado como uma área privativa para o casal. O pavimento reúne cozinha integrada à sala, suíte principal, piscina e varanda exclusivas. A divisão permite separar os momentos de encontro e recepção da rotina mais íntima, sem romper a unidade entre os dois níveis.

Precisão no lavabo

Um dos ambientes de destaque é o lavabo, revestido com um tecido de ilustrações florais da Entreposto. Como as formas e as dimensões dos desenhos variavam entre os panos, cada estampa precisou ser mapeada manualmente antes da aplicação.

O posicionamento foi definido para que as ilustrações fossem enquadradas de maneira contínua e proporcional nas paredes. O trabalho exigiu uma execução precisa, próxima de um processo artesanal, e resultou no ambiente que mais surpreendeu Camila.

“Há anos sou admiradora do trabalho da Flávia. Quando a procuramos, já tínhamos em mente alguns elementos e escolhas previamente definidos. Ela surpreendeu e conseguiu compreender nossas referências, traduzir nossos desejos e, principalmente, harmonizar todo o conjunto do projeto. Um dos ambientes que me ganhou foi o lavabo, que superou nossas expectativas.”

Um fragmento da história familiar

No quarto do casal, o projeto incorporou um painel ripado de jacarandá com mais de 50 anos, proveniente da antiga casa do pai do morador, hoje demolida. A peça foi retirada por um marceneiro especializado, restaurada e adaptada ao novo espaço.

Integrado à arquitetura do quarto, o painel recebeu duas portas ocultas, que dão acesso ao banheiro e ao closet. A intervenção preserva o desenho original da madeira e atribui uma nova função a um elemento ligado à história familiar.

“Cada espaço foi cuidadosamente pensado para atender à nossa rotina e, ao mesmo tempo, ter uma estética perene e atemporal. Tivemos alguns elementos de família, como o jacarandá ripado com mais de 50 anos, que enriquece muito nosso quarto.”

Ao combinar concreto, madeira, geometrias modernistas, formas orgânicas e peças preexistentes, o projeto transforma referências inicialmente diversas em uma composição comum.

“Hoje, vivendo em nosso apartamento, percebemos o quanto essas escolhas foram importantes e como o projeto conseguiu, de fato, refletir aquilo que buscávamos.”