10 2026

Entre pedras e desníveis, uma casa aberta à paisagem

30 out, 2026 | Casas, De 100 a 200 m2, Praia

Fotos: Beware Collective / Divulgação
Escritório:
 Lucio Fleury Arquitetura
Área: 125m² internos e 250m² de área construída total
Localização: Ponta da Sela, Ilhabela, SP

O acesso acontece praticamente pela cobertura. A garagem se apoia em uma laje suspensa, e um grande deque de madeira conecta a casa à piscina, construída sobre uma pedra existente. Nesta residência assinada por Lucio Fleury Arquitetura, cada uma dessas soluções nasceu de uma mesma condição: um terreno tão íngreme que parecia impossível construir ali.

Localizado em Ilhabela, o lote reunia um declive acentuado, muitas pedras e restrições de ocupação por estar cercado por áreas de preservação ambiental. Para o escritório, o desafio era encontrar espaço para uma casa que atendesse a um casal com dois filhos, recebesse hóspedes e aproveitasse a vista em todos os ambientes.

Uma casa desenhada a partir do terreno

A inclinação impedia a ocupação de boa parte do lote. Somada à legislação, essa condição levou o escritório a organizar a construção em uma malha de 10 × 10 metros, trabalhando a distribuição dos ambientes e a relação entre os pavimentos dentro dessa área.

As pedras também exigiram soluções distintas. Muitas precisaram ser quebradas para abrir espaço às fundações, mas o material permaneceu no próprio terreno: foi reaproveitado na construção dos muros de contenção. Desse trabalho surgiu um platô que não estava previsto inicialmente e que passou a compor a implantação da casa.

“Quem olhava para este terreno antes dizia ser impossível construir ali”, conta o escritório. O projeto avançou justamente ao reconhecer o que precisava ser transformado e o que poderia servir de apoio à construção.

Uma pedra como base para a piscina

Um pouco à frente do platô, uma grande pedra oferecia uma condição diferente das demais: sua configuração permitiu apoiar a piscina diretamente sobre ela. A solução aproveitou um elemento existente no lote para viabilizar um dos principais pedidos dos clientes, a piscina com borda infinita.

Para conectá-la à residência, o escritório criou um amplo deque suspenso de madeira. Assim, casa e área de lazer se articulam sobre o desnível, ampliando os espaços de convivência ao ar livre e a relação com a paisagem.

Espaços que se abrem e se transformam

O interesse pela construção em madeira veio antes mesmo da contratação do escritório. Os clientes procuraram inicialmente uma empresa de estruturas de madeira engenheirada, que indicou Lucio Fleury Arquitetura para desenvolver o projeto.

Na organização interna, duas suítes ocupam o pavimento superior. Uma terceira, no térreo, recebe hóspedes e pode se integrar à sala quando não está em uso. Essa flexibilidade permite adaptar a área social à rotina da família e às visitas.

Os 125 m² internos, condicionados pelo limite de aproveitamento do lote, ganham amplitude com o pé-direito duplo, os vazios internos e a integração com as áreas externas. A vista participa dessa percepção, prolongando o olhar para além dos ambientes.

É nessa articulação entre espaços internos, varandas e deque que o projeto encontra sua generosidade. O terreno íngreme, que parecia inviabilizar a construção, acabou definindo uma maneira particular de chegar, circular e viver a casa.