Entre a casa de infância e o modernismo | CASACOR Rio 2026
23 out, 2026 | Mostras, De 50 a 100 m2, Cidade

Fotos: MCA Estúdio / Divulgação
Escritório: Jacira Pinheiro
Local: CASACOR Rio 2026 — Edifício Aliança da Bahia, Rio de Janeiro
Área:98m²
Um tapete pode definir muito mais do que a posição dos móveis. Na Casa Una, loft de 98 m² projetado por Jacira Pinheiro para a CASACOR Rio 2026, seu desenho orienta a circulação, delimita os espaços de estar e chega à parede do quarto. A peça ajuda a compreender a proposta da arquiteta: pensar a casa a partir dos encontros e dos caminhos que fazem parte da vida cotidiana.
O ponto de partida foi a casa onde Jacira cresceu, especialmente a sala, lugar de reunião da família. Essa experiência orienta a distribuição do loft, que reúne living, cozinha, jantar e suíte no Edifício Aliança da Bahia, construção modernista no Centro do Rio, em frente ao Palácio Gustavo Capanema. Em sua nona participação na mostra, a arquiteta aproxima referências pessoais do design brasileiro e da arquitetura que abriga o projeto.
Do chão à parede
Desenhado por Jacira e produzido pela Galeria Hathi, o tapete do living tem uma borda larga quadriculada que conduz o olhar entre os setores. No centro, as listras marcam a área destinada à permanência, estabelecendo uma relação entre o desenho da peça e o uso do ambiente.
“O desenho faz do tapete mais do que um elemento de composição: ele estabelece um caminho pela casa e articula a relação entre os espaços”, explica a arquiteta.
Na suíte, essa linguagem ganha outra posição: o tapete sobe pela parede e se transforma em tapeçaria atrás da cama. Entre os quadrados, pequenos beija-flores azuis fazem referência às aves que entravam pela varanda da casa de infância de Jacira. Sob a cama, um segundo tapete, listrado, demarca a área de dormir.
Os livros também participam dessa aproximação com a vida familiar. Em vez de ocuparem uma estante aberta, ficam em uma cristaleira com portas de vidro, integrada à marcenaria do living. A escolha coloca a leitura em evidência e dá outro uso a um móvel tradicionalmente associado à exposição de louças e objetos.
Referências modernistas nos materiais e no mobiliário
As paredes brancas e o porcelanato off-white de 120 × 120 cm formam a base do projeto. Sobre ela, a marcenaria desenhada pela arquiteta, executada em MDF no padrão nogueira, introduz uma tonalidade escura que remete ao jacarandá dos interiores modernistas.
O terracota dos tapetes aparece em contraponto ao verde da parede de entrada e das bancadas. Na cozinha e no lavatório da suíte, a escolha foi pela pedra-sabão verde de origem brasileira, que aproxima os dois ambientes pelo material.
No mobiliário, diferentes gerações do design brasileiro dividem espaço. De Sergio Rodrigues, estão presentes as poltronas Franco e Carmel, a luminária de piso Sérgio Augusto e o banco Leif. A seleção inclui ainda a poltrona Esfera, de Ricardo Fasanello, e cadeiras de Joaquim Tenreiro. Já o sofá Quartiere e a mesa de cabeceira, de Roberta Banqueri, trazem a produção contemporânea para o conjunto.
Na Casa Una, as referências pessoais têm consequências concretas no projeto: determinam o lugar dos livros, o desenho dos tecidos e a relação entre os ambientes. É por essas escolhas que Jacira transforma sua experiência de morar em uma proposta de casa.

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