Do bruto ao acolhedor
22 dez, 2025 | Apartamentos, Acima de 200 m2, Cidade

Fotos: Maira Acayaba / Divulgação
Escritório: Península Arquitetura
Paisagismo: SEIVA Paisagismo
Área: 340m²
Localização: Vila Madalena, São Paulo
Assinado pelos arquitetos Eugenio Conte, José Guilherme Carceles e Gabriel Cesar, do escritório Península Arquitetura, este apartamento linear de 340m² traduz com precisão a passagem do bruto ao acolhedor. Pensado para um casal com dois filhos, o projeto aposta na integração dos espaços sociais e em uma materialidade forte, onde o concreto aparente dialoga com a madeira cumaru, criando uma atmosfera contemporânea e, ao mesmo tempo, calorosa.
A planta original foi profundamente reinterpretada para atender ao principal desejo dos moradores: viver em ambientes amplos e conectados. As duas varandas posicionadas nas extremidades da área social foram incorporadas ao interior, dando origem a três espaços distintos — sala de jantar, sala de estar e sala de TV — que se articulam de forma fluida. Essa operação não apenas ampliou a área útil, como também reforçou a sensação de continuidade visual ao longo de toda a fachada.
“Como o casal coleciona arte brasileira, esculturas e objetos de madeira e cerâmica, foram planejadas estantes em marcenaria que, além de organizar e expor as peças, funcionam como elementos de divisão entre os ambientes — conectando ou delimitando áreas como a biblioteca/escritório, o hall de entrada e a própria cozinha.”
Um dos gestos mais marcantes do projeto está junto aos caixilhos, onde um banco linear em pedra Perla Santana foi desenhado sob medida para contornar os pilares existentes. Multifuncional, o elemento atua como assento, aparador e suporte para paisagismo, além de estabelecer uma relação direta com o exterior. Prateleiras em chapa metálica complementam o conjunto, atendendo tanto à mesa de jantar quanto aos equipamentos de som da família.
A organização espacial é conduzida por estantes de madeira que funcionam como elementos de transição entre as áreas sociais, íntimas e de serviço. Esse mobiliário contínuo orienta a circulação e revela os ambientes de maneira gradual: de um lado, a cozinha integrada à sala de jantar; do outro, a biblioteca e os dormitórios. Além de expor a coleção de arte brasileira dos moradores, com esculturas, objetos em madeira e cerâmica, essas estantes também cumprem o papel de dividir e conectar os espaços.
“A curadoria cuidadosa do mobiliário, com destaque para peças do design brasileiro, reforça a identidade do projeto e reflete a paixão dos proprietários por arte e cultura local.”
Na área social, o teto teve o concreto aparente revelado para ampliar o pé-direito e intensificar o contraste com a madeira. O gesto trouxe leveza ao espaço e evidenciou a estrutura original do edifício. No pano de vidro da fachada, persianas automatizadas garantem o controle da entrada de luz natural, assegurando conforto visual ao longo do dia sem comprometer a relação com a paisagem urbana.
A escolha da madeira cumaru para pisos, estantes e portas confere unidade e conforto ao conjunto. Em contraste, a cozinha assume uma estética mais neutra, com marcenaria em tons claros e uma ampla bancada de inox, que reforça seu papel central na rotina da casa. Já a biblioteca foi pensada como um refúgio de leitura: totalmente revestida em madeira, do piso ao forro, passando pelas estantes e até pela persiana, cria uma atmosfera introspectiva e acolhedora, onde o morador passa grande parte do tempo.


Deixar um comentário