CASACOR SP 2026: Isabella Nalon assina “A Poética do Ritmo”, um convite ao bem-estar e à memória afetiva
15 jun, 2026 | Mostras, Até 50 m2, Cidade

Fotos: JP Image / Divulgação
Escritório: Isabella Nalon
Área: 45m²
Localização: CASACOR São Paulo 2026
Em um mundo hiperconectado e marcado pelo excesso de estímulos digitais, a arquitetura de interiores assume um papel que vai muito além da estética: ela se torna uma ferramenta de cura e reconexão. É sob essa premissa que a arquiteta Isabella Nalon apresenta o ambiente “A Poética do Ritmo” na CASACOR São Paulo 2026.
Em sua segunda participação na mostra, a profissional assina uma ilha de conforto de 45m² inspirada no tema central do evento, “Mente e Coração”. O espaço investiga o ritmo do morar contemporâneo, transformando o que seria uma área de passagem em um refúgio de permanência, convivência e pura experiência sensorial.
“O projeto nasceu da ideia de que o alinhamento entre mente e coração gera um estado de clareza e força. É nesse ponto de convergência que surgem as escolhas mais autênticas, tanto na vida quanto na arquitetura” — Isabella Nalon.
Três setores integrados: uma circulação fluida e intuitiva
Sem barreiras ou divisórias rígidas, o layout foi desenhado para criar uma transição natural e harmoniosa. A circulação livre instiga o visitante a desacelerar e notar os detalhes. O projeto se organiza em três eixos principais que celebram a brasilidade e a conexão com o analógico:
A entrada: o começo da experiência sensorial
Logo na chegada, o público é envolvido por uma fragrância exclusiva com notas de fundo de chá branco e acordes florais. Um imponente pórtico de madeira (executado pela Todeschini Arte Design) abraça o visitante, aproveitando o generoso pé-direito de 4 metros e antecipando a atmosfera acolhedora que rege todo o projeto.
Sala de música: o ritual do analógico
Na sala de música, o ritmo diminui. O grande protagonista é o ritual de ouvir música física: escolher um LP, retirá-lo da capa e posicionar a agulha no toca-discos.
- Marcenaria curva: O móvel desenhado pelo escritório acolhe os vinis selecionados em parceria com a Maison de La Musique.
- Painel Tetris: As paredes recebem o revestimento ripado no sofisticado tom wallnut (nogueira), que traz textura e conforto acústico.
- Cores e contrastes: O teto e as paredes formam uma “caixa” monocromática na cor Café Místico (Coral). O tom terroso serve de pano de fundo para o sofá de veludo verde e para a icônica luminária Cantante, assinada por Claudia Moreira Salles para a Bertolucci.
A biblioteca: raízes e contemplação
Na transição para a biblioteca, o cenário ganha dramaticidade e profundidade visual com a aplicação da cor Chapada Diamantina (Coral). No teto, vigas de madeira aparentes formam uma composição ritmada que remete aos telhados das antigas varandas coloniais brasileiras.
Nas estantes, nada é cenográfico: livros reais lidos pela arquiteta dividem espaço com objetos afetivos, vegetação e obras de arte, criando o aconchego típico de um jardim de inverno.
Os detalhes que contam histórias: design com alma
O que torna “A Poética do Ritmo” um espaço único é a curadoria de peças que carregam ancestralidade e história pessoal:
- O Espelho de Jacarandá (Anos 1960): Herança de família adquirida na lendária loja L’Atelier — reduto do design moderno brasileiro —, a peça acompanha Isabella desde a infância.
- O Violino do Avô: Exposto na parede, o instrumento é uma homenagem ao seu avô, um imigrante siciliano que chegou ao Brasil no pós-guerra e nunca abandonou a paixão pela música.
- O Tapete de Ladrilho Hidráulico: Em vez de um tapete têxtil, a arquiteta desenhou uma paginação exclusiva de ladrilhos hidráulicos artesanais da Ladrilar (com tons de areia, rosé e verde), incluindo a peça em formato de cruzeta criada por Nathália Candelária. O piso demarca a transição dos ambientes com a poesia do “feito à mão”.
Natureza e o ritual do chá
A busca pelo bem-estar se completa em dois pontos focais de descompressão:
O carrinho de chá e o cacau baiano
Dois carrinhos de chá (Bella Home) organizam a experiência da pausa. Um deles exibe bules garimpados no antiquário Loja Teo, resgatando memórias de infância da arquiteta. O outro armaze na cascas de cacau orgânico e biodinâmico trazidos diretamente da fazenda Cruzeiro do Sul, na Bahia, propondo uma infusão rica em antioxidantes — o “chá da felicidade”.
Biofilia e tecnologia luminotécnica
A exuberante planta Pachira aquatica (conhecida como árvore-do-dinheiro) traz a força da flora das regiões Norte e Nordeste para o espaço. Para garantir a saúde da espécie em um ambiente interno de mostra, o projeto luminotécnico incluiu luzes artificiais com radiação fotossinteticamente ativa, aliando tecnologia e paisagismo técnico.


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