Atmosfera contemporânea, leve e descontraída
27 out, 2026 | Apartamentos, Acima de 200 m2, Cidade

Fotos: Raiana Medida Studio / Divulgação
Arquitetura: Renata Gold Arquitetura
Área: 200m²
Localização: Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
O sofá já estava no terceiro endereço da família quando encontrou seu lugar neste apartamento de 200m². A arquiteta Renata Gold, que também assinava seu terceiro projeto para os moradores, conhecia bem as peças que acompanhariam a mudança — e as necessidades que a nova planta precisaria resolver. Para o casal e suas duas filhas, a reforma deveria conciliar os encontros com amigos, um escritório reservado e mais espaço para as atividades do dia a dia.
Adquirido em mau estado de conservação, o imóvel passou por uma intervenção integral. A distribuição, porém, exigia mais do que renovar acabamentos: apesar da metragem, faltava um banheiro para as visitas e a cozinha era pequena para acomodar os pedidos de uma mesa e uma ilha com fogão.
A solução começou pelo reposicionamento dos ambientes. O banheiro da suíte foi deslocado, aproveitando um trecho angulado do antigo closet para o box. O banheiro social também recuou, abrindo espaço para um lavabo. Já a inversão da posição do quarto de serviço permitiu reorganizar a cozinha, que ganhou uma minicopa e uma península com fogão, adaptando o desejo dos moradores à área disponível.
Uma janela devolvida ao apartamento
Algumas das mudanças vieram da retirada de elementos que escondiam a própria arquitetura. Na sala, um antigo louceiro com porta camuflada por espelho e uma parede falsa ocultavam uma janela. Com a remoção, o espaço pôde receber o escritório, agora com luz natural e resguardado da convivência.
No hall, a parede de fechamento deu lugar a brises, mantendo o pilar existente. A troca ampliou a passagem de luz sem expor completamente a sala de TV. Nesse ambiente, quatro colunas de gesso e outra parede falsa foram retiradas, revelando uma superfície angulada que recebeu revestimento de tijolinhos cinza-claro. O estar, instalado onde antes havia uma varanda, trouxe outra questão: a laje baixa limitava a passagem das instalações.
“A solução foi adotar um sistema de ar dutado, com insuflamento e saída por grelha na sala de TV. Dessa forma, conseguimos manter o centro da sala mais alto, criando uma sensação de integração e amplitude entre os ambientes”, explica Renata.
O mobiliário como ponto de partida
Se a estrutura do apartamento precisou de uma transformação completa, boa parte dos móveis já estava escolhida. Conservadas pelos proprietários, peças especificadas na reforma anterior orientaram a nova composição. Além do sofá turquesa, permaneceram as cadeiras Claudia, de Aristeu Pires, a mesa de jantar em laca e o sofá da sala de TV.
A namoradeira recebeu um tecido listrado, passando a dialogar com as novas poltronas Fábula, de Maurício Bomfim, estofadas em terracota. O sofá Manu complementou o estar, enquanto a mesa de centro Copenhagen, de Pedro Mendes, e o carrinho-bar Pequi, de Larissa Diegoli, introduziram elementos em aço carbono que se relacionam com as estantes.
Concebidas a partir da mesma combinação de materiais, mas com escalas e funções distintas, as duas estantes ajudam a organizar a área social. A marcenaria em freijó e os tecidos fazem contraponto ao piso cinza e aos detalhes metálicos. Nos quartos, elementos em laca colorida individualizam os ambientes.
Concluído em dez meses, entre projeto, obra e decoração, o apartamento reúne mudanças que vão além do que se vê de imediato. Uma janela antes escondida viabilizou o escritório; o deslocamento dos banheiros abriu espaço para o lavabo; e os móveis de outros endereços encontraram novas relações. É desse ajuste entre o que a família já tinha e o que passou a precisar que o projeto ganha sua identidade.

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