06 2026

Apartamento de 190m² acompanha o crescimento da família com nova organização da planta

30 jun, 2026 | De 100 a 200 m2, Cidade

Fotos: Mariana Orsi / Divulgação
Projeto: Grafito Studio
Paisagismo: Cecília Degani
Área: 190m²
Localização: Jardim Paulista, São Paulo (SP)

Este apartamento de 190m², localizado no Jardim Paulista, em São Paulo, representa mais um capítulo da trajetória de uma família acompanhada pelo Grafito Studio desde o início. Depois de assinar o primeiro imóvel do casal, o escritório foi novamente convidado para desenvolver o projeto da nova residência, motivada pelo crescimento da família com a chegada de dois filhos.

“A cliente, Gabi, é minha prima. Já tínhamos feito o outro apartamento do casal, quando casaram. Depois fizemos um quartinho de bebê para o Lipe e, quando a Manu nasceu, eles sentiram a necessidade de mudar para um apartamento maior. Foi quando nos chamaram novamente para esse projeto”, conta o escritório.

Assim como no apartamento anterior, a proposta envolveu uma reforma completa em um edifício antigo, incluindo alterações significativas na planta. O principal desafio era conciliar uma série de demandas dos moradores: manter as três suítes — uma para o casal e uma para cada filho —, criar um closet para a suíte principal, preservar o lavabo, ampliar o banheiro do casal para receber uma banheira de alvenaria e, ao mesmo tempo, manter a amplitude da área social.

A reorganização da planta exigiu soluções técnicas precisas. O lavabo foi deslocado para outra região do apartamento para liberar espaço para o novo closet e permitir a ampliação do banheiro da suíte principal. Toda essa intervenção precisou ser executada sem interferir no apartamento inferior e sem criar desníveis no piso. Para isso, o projeto combinou diferentes estratégias construtivas, como o uso de vaso sanitário com saída horizontal, base de alvenaria na cozinha e o aproveitamento da laje tipo caixão perdido na lavanderia.

Outro aspecto determinante para o desenvolvimento do projeto foi o atendimento aos princípios do Feng Shui, uma diretriz importante para os moradores e que orientou decisões relacionadas à distribuição dos ambientes.

Na área social, alguns elementos presentes na residência anterior foram reinterpretados para a nova configuração. Logo na entrada, um móvel desenhado especialmente para o projeto estabelece uma transição entre o hall e a sala sem bloquear a integração visual. Produzido com serralheria e marcenaria, o elemento possui linhas curvas, estrutura vazada e ripas delicadas que permitem a passagem da luz enquanto acomodam objetos e lembranças da família.

A coleção de discos de vinil, outro desejo dos proprietários, também ganhou protagonismo. Desta vez, a estante foi integrada ao painel da televisão e prolongada até a sala de jantar, formando um único elemento contínuo que organiza os equipamentos, acomoda a coleção e conecta visualmente os ambientes.

Os detalhamentos da marcenaria aparecem em diferentes pontos do apartamento e foram desenvolvidos especificamente para cada ambiente. A integração entre madeira, serralheria e pedra está presente, por exemplo, no buffet da sala de jantar, enquanto nichos, prateleiras e painéis incorporam iluminação indireta, reforçando a leitura volumétrica dos móveis.

“A Gabi ama essas iluminações cênicas e pediu muita iluminação nos móveis, nos nichos, cortineiros, prateleiras, embaixo dos móveis flutuantes e nos rodapés. Foi um projeto cheio de detalhes”, explica o escritório.

A varanda, apesar das dimensões compactas, também recebeu uma solução personalizada. Um banco de alvenaria foi integrado a jardineiras laterais, ambas revestidas com o mesmo porcelanato utilizado no piso interno e no painel da televisão, criando continuidade visual entre os espaços. O paisagismo, assinado por Cecília Degani, trouxe vegetação para o ambiente e contribuiu para aumentar a privacidade em relação ao apartamento vizinho, além de ampliar a sensação de bem-estar na área de convivência.

Ao longo do projeto, cada intervenção buscou responder simultaneamente às necessidades funcionais da família e às limitações construtivas do edifício existente. O resultado é um apartamento que preserva a identidade construída ao longo dos anos entre moradores e arquitetos, enquanto adapta a arquitetura a uma nova fase da vida da família.