Papo de Paisagista – Que tal sair da “mesmice” e escolher plantas menos comuns?

Sempre gostei de estudar as espécies vegetais, decorar os nomes populares e científicos das plantas, conhecer as famílias e gêneros botânicos, descobrir plantas novas todos os dias. Pode parecer coisa de maluca, mas é uma paixão e na verdade eu faço isso a 20 anos !!!

E assim eu segui minha carreira de arquiteta paisagista fazendo projetos bem diferentes uns dos outros, experimentando muitas plantas e desenhando paisagens diversas. Até hoje curto muito essa diversidade e faço uso dela em meus desenhos.

Mas tem um problema que já enfrentei muitas vezes que é o meu assunto de hoje e vai ser o tema do Papo Online que faremos no dia 09 de abril com a Paisagista convidada Flavia Nunes.

Trata-se de “Especificar algumas plantas em projeto e depois não encontrá-las para comprar na hora de implantar o jardim”. A gente tenta inovar, ser diferente mas muitas vezes acabamos caindo na “mesmice”.

Alocasia nigra – Orelha de elefante – essas são do Viveiro Spagnhol Plantas

Mas vcs sabiam que esse é um problema que tem via de mão dupla? Com os anos de profissão eu fui conhecendo proprietários de viveiros e descobri que muitos deles param de produzir plantas bem especiais, simplesmente porque não as vedem… fácil de entender !!! Por outro lado, os profissionais param de especificar porque não as encontram nos viveiros… fácil de entender também !!!

Muitas espécies nativas da nossa flora passaram a ser consideradas “raras” e deixaram de aparecer nos projetos dos paisagistas pela comodidade na hora da implantação, já que todos preferem especificar espécies vegetais normalmente encontradas nos Gardens e Centros de Distribuição de Plantas como o famoso CEASA (São Paulo e Campinas).

Tradescantia fluminensis – Erva-da-fortuna – Viveiro Ciprest

E a consequência disso é que além dos projetos sempre muito parecidos, as produções perdem a variedade já que os produtores investem nas plantas da “moda” que vão dominando e ocupando o espaço de espécies que passam a ser mais “raras ou menos comuns”.

“Infelizmente o uso corriqueiro de algumas plantas ornamentais faz com que o produtor não tenha o estímulo de produzir algumas plantas de valor ornamental potencial, por falta de uso” diz a paisagista Flavia Nunes.

Segundo a paisagista “devemos trabalhar em parceria com os produtores afim de incentiva-los a sempre produzir novidades”.

Strobilanthes dyerianus – Escudo persa – Viveiro Ciprest

Solandra Máxima – Trombeta dourada – Viveiro Ciprest

Sabemos que os produtores estão super abertos à cultivarem espécies diferentes e que esperam sugestões dos profissionais. Eu mesma já pedi para produzirem certas plantas que eu queria experimentar, eles me atenderam e adoraram receber o meu pedido.

“Gostaria que os que viessem depois de mim pudessem, pelo menos, ver alguma coisa que ainda lembrasse o país fabuloso que é o Brasil do ponto de vista botânico, dono da flora mais rica do Globo.” Roberto Burle Marx

Hohenbergia castellanosii – Bromelia – Viveiro Plantação Local

E aí pessoal, vamos valorizar a nossa flora e surpreender nossos clientes? Um jardim deve trazer boas surpresas ao longo do ano, apresentando novas cores, diferentes volumes, encantando com seus perfumes e sempre modificando-se, assim como é a VIDA !!!

E se quiserem papear mais sobre o assunto e conhecer uma variedade de espécies vegetais diferentes e lindas, vou deixar aqui embaixo o link do Papo de Paisagista Online que acontecerá no dia 09 de abril, esperamos vocês para esticarmos essa conversa !!!

https://www.sympla.com.br/papo-online-com-a-paisagista-flavia-nunes__473203

Até nosso próximo Papo!!!

Um Comentário

  1. Celia abril 17, 2019 em 6:48 am - Responder

    Bom dia
    Eu sinto que a escolha das plantas para as pessoas não será aquilo que se adapta a sua casa mas sim as modas de momento é logo as plantas não duram porque não há um estudo se necessitam de sombra sol se tem necessidade de muita ou pouca água , bem eu falo pelo que se passa aqui em Portugal……….

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