O arquiteto Thiago Manarelli, sócio do escritório Manarelli Guimarães Arquitetura, tem uma conexão especial com a data de hoje, 2 de fevereiro. Além de ser dia de Iemanjá, a quem ele sente profunda ligação, e do lançamento do seu novo empreendimento no bairro Rio Vermelho, em Salvador, a data também marca o início de um ciclo pessoal importante: há exatamente um ano, ele estava finalizando a reforma do seu apartamento em São Paulo, cuja história você conhecerá neste Open House!

A Manarelli Guimarães Arquitetura tem sede em Salvador, onde o Thiago mora, e conta com um escritório em São Paulo também. Por isso, fazia todo sentido para o arquiteto manter um apartamento de apoio bem pertinho do seu local de trabalho por aqui, que fica em uma travessa da Rua Gabriel Monteiro da Silva. Mas não era só isso. Buscava um imóvel onde tivesse conforto para receber os amigos e a família, que fosse tão aconchegante quanto o seu apartamento em Salvador, porém, com uma metragem bem mais enxuta. Resumindo: um cantinho paulista com alma baiana, superprático e charmoso. E não é que ele conseguiu encontrar exatamente o que procurava em um prédio da década de 1970, no Itaim?!

“O que mais me encantou foi o fato do imóvel ser antigo. Apesar de ser um quarto e sala, ele tinha uma metragem muito boa e, por isso, eu sentia que poderia fazer uma transformação grande nele”, relembra.

O apartamento tem apenas 55 m², mas transmite a sensação de um espaço bem mais generoso, graças às intervenções que o Thiago fez na estrutura e às escolhas precisas de acabamentos. A primeira grande mudança que trouxe um impacto real para os ambientes foi a remoção do forro de gesso. “Reparei que a laje da varanda era mais alta que o gesso interno. Quando retirei o forro descobri que a laje era todinha de concreto, o que me deu a possibilidade de aumentar o pé-direito, que inicialmente tinha 2,50 m. Consegui deixá-lo com 2,80 m, o que para um apê pequeno é muito bom. Essa foi uma das surpresas que tive durante a obra e que me fez inclusive modificar a direção do projeto”, revela. Para chamar atenção para o teto original, o Thiago concebeu uma estrutura volumétrica toda feita em marcenaria que concentra a área da sala de jantar e um pequeno station de café. Escolheu dar à caixa acabamento brilhante em um tom de azul muito específico: é a cor do céu de Salvador quando cai o pôr do sol. “Eu queria ter essa referência da Bahia na minha casa de São Paulo”, conta.

Como o Thiago gosta muito de garimpar peças diferentes e está sempre adicionando novas aquisições à sua coleção, preferiu trabalhar com um entorno clean e uniforme, utilizando os mesmos revestimentos em todos os ambientes. Mas inicialmente, a ideia era outra: “Eu comecei o projeto tentando ser minimalista. Queria fazer um apartamento que não tivesse nada, que fosse um sofá, um quadro, uma mesa e quatro cadeira. Mas eu não sou assim no meu dia a dia, não sou assim para os clientes e não seria assim para minha própria casa. Então, a maneira que eu encontrei de fazer um projeto um pouco mais limpo foi criar uma base bem contemporânea para poder entrar com todos os elementos decorativos que eu gosto”. O único revestimento que destoa do restante é o piso da varanda que foi mantido, revelando um pouco da história do apartamento. Junto das plantas e do gradil de ferro com ares vintage, esse cantinho bucólico se transformou em um refúgio intimista em meio ao caos da metrópole. Aliás, sempre que o o Thiago chega em casa, corre para acender as luzes da jardineira que deixam o cenário ainda mais charmoso: “me dá a sensação de que estou realmente no meu ninho”, completa. 

São tantos detalhes e histórias que eu poderia passar horas e horas discorrendo sobre o cantinho paulista do Thiago, mas quero guardar alguns particularidades para a segunda parte da matéria. Reparou que eu falei bastante sobre a reforma, né? Então, se você quiser saber mais sobre o processo de decoração e, de quebra, conhecer o restante do apê, volta aqui amanhã – faltou te mostrar a cozinha e a área íntima, que é linda de morrer!! Até lá 😉


Fotos: MCA