Só de chegar na porta da casa onde mora e trabalha a arquiteta Maristela Faccioli já dá para sentir o clima despojado e caseiro que ela e a família cultivam no dia a dia. O sobrado dos anos 60 carrega em si elementos originais que trazem aquele toque de nostalgia super acolhedor, sabe? Sim, estou falando do concreto aparente, dos elementos vazados, dos painéis de caixilhos de ferro, do granilite… traços de uma arquitetura bem brasileira que serve de inspiração para os projetos mais modernos de hoje em dia. Bom, tantas qualidades só poderiam render um belo Open House Votorantim Cimentos, né?

O visual ao redor da casa também é super gostoso: o verde vem para suavizar as linhas duras do concreto a ponto de parecer que estamos no interior, algo que a arquiteta  valoriza muito:

“Vejo São Paulo como uma cidade de oportunidades como poucas, porém não me considero totalmente urbana. Por isso me agrada viver em um bairro residencial onde as relações de vizinhança ainda são muito presentes, onde o verde é abundante e o silêncio aos finais de semana ainda impera”.

Lá no comecinho do texto eu comentei que a o escritório da Maristela também fica nessa casa, lembra? Pois bem, a história do projeto teve como ponto de partida a vontade que ela sentia de morar e trabalhar no mesmo lugar. Por isso, ela e o marido procuraram por imóveis que tivessem uma segunda entrada independente. Foram muitas visitas até que encontrassem o candidato ideal: um sobrado que estava praticamente original, salvo algumas intervenções, mas que precisava urgentemente de uma boa reforma. “Meu marido viu um potencial nessa casa que eu não tinha visto. Ela estava completamente desfigurada! Limpamos o imóvel de forros de gesso, pisos laminados artificiais, e acreditamos que demos a ela uma aspecto muito mais próximo da intenção do projeto original”, comenta.

Uma das características da casa que mais chamou a atenção da arquiteta foi a falta de vigas aparentes. A construção foi erguida com um tipo de estrutura chamada “caixão perdido”. Essencialmente, isso quer dizer que as vigas são invertidas, ou seja, ficam para cima da lage e em baixo do piso e por isso não aparecem sobre as janelas e portas. A grande vantagem é que os espaços ficam completamente livres e a sensação de amplitude é ainda mais valorizada.

Apesar das grandes aberturas, a cozinha ainda seguia o modelo antigo e ficava separada da sala de estar, o que para os moradores não fazia o menor sentido. A derrubada da parede divisória criou um espaço ainda mais convidativo, muito iluminado e o melhor, intimamente ligado aos corredores jardinados externos. Essa mudança estrutural também casou muito bem com o estilo de vida da família: “esse ambiente se revelou meio sem querer como um ponto de agregação de pessoas”, revela.

A Maristela me contou que considera essa casa uma lição de arquitetura em vários aspectos. Além de uma ótima distribuição, o imóvel tinha uma porta de entrada com um pequeno hall que não era virado pra rua. Tinha também um lavabo resguardado, algo super moderno para época, e uma edícula onde ficava a lavanderia e o antigo “quarto de empregada”. Foi nesse espaço que a arquiteta criou o seu escritório: “O espaço dele é resultante de um aumento de área feito por uma bay window de concreto que otimizou o ambiente e me coloca praticamente dentro do pouco jardim que eu tenho!”, explica.

Bora conhecer esse lar delicioso? Vamos começar pela área social e amanhã terminamos o tour nos ambientes íntimos da casa 😉

Fotos: Rafa Renzo