Fotos: Marco Antonio / Divulgação

Sabe aquela história de que, para morar em um apartamento com alma modernista, você precisa necessariamente se mudar para bairros tradicionais como Higienópolis ou Jardins? O arquiteto Robert Robl provou que não. Ele sempre alimentou o desejo de viver em um imóvel dos anos 50, 60 ou 70, mas esbarrou em um dilema familiar: seu marido não queria abrir mão da praticidade do Brooklin Novo, região onde concentram a rotina, o colégio do filho e o showroom do escritório. A solução? Trazer a atmosfera modernista para dentro de um prédio recém-construído.

Caminhando pelo bairro, Robert identificou o lançamento de um edifício com uma planta singular que remetia imediatamente aos grandes clássicos da arquitetura paulistana: uma sala retangular generosa, ausência de varanda gourmet integrada e imensos caixilhos de vidro que vão do piso ao teto. Essa configuração garantiu uma iluminação abundante e ventilação natural cruzada impecável, exatamente nos 133m² inteligentes que a família precisava para viver bem.

O imóvel foi entregue pela construtora completamente “no osso”, sem nenhum tipo de revestimento, com as áreas molhadas apenas no reboco e pontos de hidráulica aparentes. Robert se impôs o desafio de executar a obra, decorar e mudar em apenas três meses. Para alcançar o prazo, a estratégia foi desenhar uma arquitetura de interiores otimizada e com excelente custo-benefício. O mesmo porcelanato reveste toda a área social e íntima, enquanto os três banheiros das suítes receberam o básico e atemporal azulejo branco quadrado (15×5 cm) apenas na área do box, mantendo uniformidade também nas louças e metais.

A planta original entregue pela construtora previa a cozinha totalmente aberta para a sala e um ponto para churrasqueira na área social. Robert manteve a posição das paredes, mas subverteu o layout proposto: eliminou a churrasqueira e criou um móvel bar sofisticado com portas de couro, estante de ferro e vidro, além de paredes espelhadas.

Para delimitar a transição entre a cozinha e o living sem erguer barreiras visuais pesadas, o arquiteto desenhou um móvel divisor inteligente em MDF. Voltado para a sala, ele funciona como painel de TV mimetizado; pelo lado da cozinha, transforma-se em um armário de apoio prático que embutiu a geladeira, abrigou o micro-ondas e os nichos de equipamentos, otimizando drasticamente a capacidade de armazenamento.

O verdadeiro espetáculo deste apartamento reside na fusão meticulosa do design brasileiro e do garimpo vintage. Na área do bar, um clássico sofá Chesterfield dialoga perfeitamente com a poltrona original de Carlo Hauner, dos anos 50. No living de TV, a contemporaneidade ganha força com um estofado de linhas limpas acompanhado pela expressiva poltrona “Carcará”, assinada por Larissa Catossi. Na sala de jantar, a mesa com tampo de mármore desenhada pelo próprio Robert divide espaço com as emblemáticas cadeiras Cesca e duas peças contemporâneas revestidas com estampa Gunta — uma homenagem direta aos grafismos da tecelã da Bauhaus, Gunta Stölzl. O buffet, uma joia da tradicional Móveis Cimo dos anos 50, arremata o conjunto.

Enquanto as suítes seguem a cartilha da neutralidade, o lavabo ganhou um tratamento cenográfico: bancada personalizada em mármore nobre, vaso sanitário preto, paredes revestidas de espelho e folhas de rádica — acabamento sofisticado que também abraça o hall do elevador e de entrada. Finalizando a composição com uma rica estética étnica, as cortinas trazem uma padronagem geométrica desenvolvida pelo próprio escritório, inspirada no trabalho de Pierre Frey e nos grafismos tradicionais das mulheres do povo N’debele, da África do Sul. É um lar que transborda história, aproveitamento de espaço e design acessível real.

Aperte o PLAY para assistir ao Open House completo!

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