JARDINS VERTICAIS POR JULIANA FREITAS



Quem não fica babando ao ver aqueles jardins verticais com plantas exuberantes nas revistas de decoração? A gente ama esse recurso e aposta que vocês também adoram, mas não é tão simples assim aplicar essa ideia em casa. Então, para ajudá-los a concretizar esse sonho paisagístico, pedimos que a nossa colunista Juliana Freitas – arquiteta e paisagista expert no assunto – respondesse algumas dúvidas sobre esse tema. Confira as dicas abaixo.

Para falar de jardins verticais, a primeira coisa que me vem à cabeça é o crescimento desenfreado das áreas urbanas e o consequente sumiço das áreas permeáveis… Entendo que as certificações existentes, os chamados "selos verdes", e o trabalho de conscientização da população são fatores que influenciam positivamente, mas infelizmente não acompanham a velocidade da construção civil, do surgimento de novas ruas e avenidas, da redução ao mínimo dos canteiros centrais…

E o que isso tem a ver com jardins verticais? É apenas minha justificativa para dizer que jardim na parede não é modismo e sim uma solução verde. Os quintais das casas estão quase extintos e transformaram-se em corredores estreitos com imensas paredes ou muros de divisa. As grandes fachadas brotam como "mato" na cidade e contribuem para uma paisagem cinza e dura. Não estou sendo radical nem pessimista, este é o cenário que convivo e que, como arquiteta paisagista, tento evitar trabalhando para tornar tudo mais NATURAL!!!

As paredes verdes, que inclusive podem ser extremamente coloridas, são lindas e contribuem para este cenário bem mais otimista, mas principalmente reduzem a poluição do ar e sonora, a temperatura e ajudam a umidificar o nosso ar.
Para ter um jardim vertical de sucesso, deixo aqui algumas dicas e detalhes para ficarem atentos:r
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1. Sistema | A escolha do sistema deve ser condizente com a infraestrutura do local:

– Parede com capacidade para suportar o peso do sistema escolhido, lembre-se de verificar com o fabricante a carga antes da execução da parede para poder calcular a estrutura.
– Dreno – a água da irrigação precisa sair para um dreno, ralo ou área permeável.
– Fixação da estrutura – prever a força dos ventos e vibrações das paredes do jardim.

2. Iluminação natural | Escolha de espécies vegetais adequadas para cada situação, tanto para incidência de luz solar como para situações de meia- sombra.
3. Irrigação | De preferência automatizada para garantir a rega adequada a cada espécie com quantidade de água e frequência corretas.
4. Desenvolvimento | A escolha das espécies vegetais deve ser feita por um especialista que poderá prever o crescimento e "mapear" a parede para um jardim de sucesso .
5. Materiais | os sistemas devem utilizar materiais apropriados ao clima da região. Atenção ao superaquecimento dos compartimentos que receberão as mudas, atenção à umidade constante da estrutura do jardim vertical pois em locais de clima quente podem ser um ambiente perfeito para fungos e outros tipos de doenças.

Seguem algumas imagens de projetos onde utilizei esse recurso.r
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Em visita ao jardim vertical do Musée Du Quai Branly, de Paris, tive a oportunidade e honra de conversar pessoalmente com o "papa" dos jardins verticais: Patrick Blanc. A fachada do museu, que é obra do artista, segue como inspiração e encerra a minha coluna em grande estilo!!!r
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Fotos via Juliana Freitas

2014-01-31T11:55:00-03:00 Categorias: Ambientes, Jardins & Varandas|

Um Comentário

  1. Mário Jorge da Silva Rocha dezembro 20, 2016 em 11:30 am - Responder

    Parabéns pelo artigo, Juliana Freitas!

    Gostaria de saber qual o substrato mais indicado (de um modo geral) para ser utilizado nos vasos/jardineiras que compõem o jardim de inverno.

    Desde já agradeço e aguardo sua orientação.

    Mário Jorge

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