O cimento é um dos materiais mais requisitados no universo da arquitetura e decoração há um tempo pelo fato do uso variado e simples. É possível aplicá-lo no piso, parede, teto… ou até mesmo nas bancadas, tema de hoje que particularmente adoro!

Para começar, o cimento mesmo é um pó cinza; um aglomerante hidráulico, que sozinho é bem pouco usado, mas no caso das bancadas é feita uma argamassa que consiste em água, areia e cimento. O tom cimento queimado é o mais comum no mercado que, mesmo com esse nome, não envolve nenhuma técnica de fogo no processo. Os estilos industrial e urbano na decoração, por exemplo, usam dessa caracteristica por conta da cor e rusticidade.

A escolha por uma bancada de cimento vai além da estética, é necessário conhecer a montagem da peça e como ela se comporta; o processo é o seguinte: manda fazer a fôrma de acordo com o projeto, completa com concreto, espera secar, desenforma e, finalmente, lixa e impermeabiliza para dar acabamento. O desenho das fôrmas e criação da estrutura das bancadas são fundamentais para encaixar a marcenaria no cimento, e também determinar onde os recortes de cuba, cooktop ou churrasqueira vão ficar, ou seja, projeto técnico detalhado aqui é com certeza mais que bem-vindo!

Obviamente é necessária uma mão de obra especializada para o resultado ficar satisfatório e o processo leva de 20 à 30 dias para ficar pronto, dependendo da dificuldade. Mesmo tendo o fator prazo um pouco mais longo, fazer a bancada em cimento é uma escolha bem barata em relação à outros revestimentos e que traz bastante personalidade para o projeto.

É impossível não levar em consideração o visual rústico que a bancada de cimento proporciona ao ambiente. Uma das coisas que mais encanta os fascinados por esse material, são as imperfeições que a montagem e o tempo de uso agregam à bancada; as manchas de uma panela, trincas ou a própria irregularidade dão charme e muitas vezes são resultados de boas histórias e vivências dali. É como wabi-sabi, conceito japonês que valoriza e percebe a beleza do imperfeito. Essa é uma apreciação pelo processo, e não por uma estética final, está ligado à um estilo de vida desacelerado de quem gosta de aproveitar o natural, o rústico e irregular.

Além de tudo isso, por ser uma massa, a bancada fica sem rejunte e traz continuidade, contribuindo para a sensação bruta e ao mesmo tempo suave no espaço. Vale lembrar que o cimento é um material poroso e, por conta disso, absorve com facilidade sujeiras e líquidos, mas nada que uma boa impermeabilização não resolva. Tudo sempre vai depender da realidade e rotina de quem vai usar a bancada.

Fiz esse post AQUI há mais de dois anos mostrando algumas referências de cozinhas que penso para minha casa nova, e é engraçado como meu gosto ainda é o mesmo! Minhas favoritas são as bancadas de cimento branco que lembram bem as casas mediterrâneas na Espanha, outro estilo e aplicação do material que dá para se inspirar 😉

Projeto acima: Jardim Arquitetura

Projeto acima: Manore Arquitetura e Urbanismo

Fontes: Youtube.com (DomaArquitetura), Casaeconstrucao.org
Imagens: Remodelista.com, Entirehomefurniture.com, Archdaily.com.br, Buildinganddecor.co.za, Dirpages.org