Um refúgio de 131m² para desacelerar, conviver e cuidar de si | CASACOR Rio 2026
06 nov, 2026 | Mostras, De 100 a 200 m2, Cidade

Fotos: Denilson Machado / MCA Estúdio
Escritório: Natália Lemos Arquitetura
Área: 131m²
Localização: CASACOR Rio, Rio de Janeiro
Uma fonte de pedra recebe os visitantes e apresenta a ideia que conduz todo o projeto: trazer para dentro de casa uma relação mais próxima com a água e seus tempos. No Espaço de Cura, ambiente de 131m² criado por Natália Lemos na CASACOR Rio, o percurso das águas termais inspira tanto a escolha dos materiais quanto a organização dos espaços. Sala, cozinha, quarto e banheiro se conectam em uma proposta que reserva lugar para a convivência, o descanso e os pequenos rituais cotidianos.
O ponto de partida foi a passagem da água pelas rochas na região de Avène, no sul da França. A arquiteta levou essa referência à composição por meio de superfícies minerais, texturas e elementos naturais. O desafio era aproximar o universo da marca de um ambiente doméstico, acolhedor e convidativo à permanência, sem reproduzir a aparência de uma clínica.
Integração com espaço para a intimidade
A distribuição dos ambientes acompanha diferentes formas de cuidado. Na cozinha e na sala, a atenção se volta aos encontros e à vida compartilhada. A proposta aparece na continuidade entre os espaços, que favorece as conversas e aproxima as atividades do dia a dia.
“Na cozinha, valorizamos o encontro e o acolhimento, enquanto a sala, principal área de convivência, celebra as relações humanas como parte fundamental do processo de cura. Pensamos esses ambientes para favorecer as trocas e reforçar a ideia de que o bem-estar também se constrói por meio dos vínculos”, diz Natália.
Já o quarto ganha resguardo com brises verticais pivotantes, com acabamento em corten e vidro acidato. A solução estabelece uma separação sem criar uma barreira visual permanente entre as áreas. Atrás da cama, uma bancada de pedra rosa recebe os objetos de uso pessoal e incorpora os rituais de autocuidado à organização do ambiente.
Da fonte ao banho de imersão
Na entrada, a água atravessa a pedra em uma referência ao processo natural de mineralização. O mármore Bege Bahia bruto reveste a parede da fonte do piso ao teto, enquanto uma canaleta de inox introduz um contraste entre a superfície rochosa e a precisão do metal.
No banheiro, essa relação com a água assume outra escala. Cercada por folhagens, a banheira de imersão em tom terracota recebe Chukum, revestimento de origem maia aplicado manualmente. As irregularidades da superfície reforçam a presença da matéria e dialogam com a proposta de fazer do banho um momento de pausa.
Texturas que conectam os ambientes
A continuidade do projeto também se constrói pela repetição dos materiais. As placas cimentícias bege do piso reaparecem, em escala menor, no painel atrás da cama e na bancada monolítica. Paredes e teto recebem uma textura rústica em bege rosado, enquanto a marcenaria em tom de nogueira acrescenta contraste à composição.
A madeira se estende às persianas horizontais, acompanhadas por cortinas de cambraia de linho. Entre essas superfícies, o inox aparece na mesa de refeições, na prateleira sobre a penteadeira e na própria fonte. Sua presença cria pontos de contraste com as pedras brutas e os tecidos, sem interromper a unidade do conjunto.
Design brasileiro e objetos com história
O mobiliário reúne diferentes gerações do design brasileiro. A poltrona PL 87, de Percival Lafer, e o espelho Mac, de Sergio Rodrigues, convivem com a cama Dobra e a luminária Adobe, de Guilherme Wentz, a luminária Wave, de Jader Almeida, e a mesa de centro Cós Treliça, de Maria Cândida Machado. A seleção inclui ainda a poltrona Lina, em homenagem a Lina Bo Bardi, e a cadeira Rio, de Luan Del Savio.
Móveis de garimpo da Galeria Teo, livros antigos, vidros farmacêuticos e fotografias da região de Avène aproximam a ambientação da história que inspirou o projeto. A produção visual é de Paulo Carvalho, e uma trilha que combina sons da natureza e música clássica completa a experiência.
Criada especialmente para o espaço, uma obra do Estúdio Manus sintetiza a ideia de cuidado por meio de um gesto. Um vidro âmbar fica suspenso sobre um bloco de argila crua, do qual surge um pequeno galho de bronze. A posição do vidro sugere o ato de regar: uma referência ao cultivo que encontra eco na água, nos materiais e nos usos pensados para cada ambiente.

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