Uma casa aberta para o quintal
05 out, 2026 | Casas, De 50 a 100 m2, Cidade

Fotos: Monica Assan / Divulgação
Escritório: Estúdio Maré
Área: 72m²
Localização: Saúde, São Paulo
Uma nova abertura entre a cozinha e o quintal mudou completamente a maneira de morar nesta casa de 72m² em São Paulo. Assinada pelo Estúdio Maré, da arquiteta Lívia Leite, a reforma colocou a cozinha no centro da convivência e recuperou elementos da construção para acompanhar a rotina de seu novo morador.
O trabalho envolveu tanto a reorganização dos espaços quanto a recuperação de materiais e características da residência. O piso de madeira foi preservado, a fachada voltou a exibir seus tijolos aparentes e o verde, já presente na casa, passou a conectar as esquadrias da entrada à serralheria dos fundos.
A cozinha como espaço de encontro
A principal mudança na planta aconteceu na relação entre a cozinha e a área externa. Para conectar os dois ambientes, o escritório criou uma abertura que exigiu estudos e reforços estruturais. Com a intervenção, a cozinha ganhou mais luz natural e condições para a ventilação cruzada.
Nesse encontro com o quintal, a serralheria verde com abertura em sistema camarão permite recolher as folhas e ampliar a passagem. A cor retoma o tom usado na fachada, estabelecendo uma continuidade entre diferentes pontos da casa.
A ilha central reúne boa parte do armazenamento da cozinha e funciona como ponto de encontro. Ao concentrar essas duas funções, a peça participa tanto do preparo das refeições quanto dos momentos de convivência. As banquetas são da Desmobilia, e o revestimento do frontão é da Portobello.
Toda a marcenaria e a marmoraria foram desenhadas pelo escritório para o projeto. Os armários atendem às necessidades de organização do morador, enquanto a iluminação sobre as bancadas foi planejada para o uso diário das superfícies de trabalho.
Tijolos e esquadrias na fachada
Na entrada, o projeto recuperou o tijolinho aparente original e retomou a esquadria de madeira do pavimento superior, que havia sido substituída por uma versão de alumínio. A porta e a janela receberam pintura verde, recuperando uma referência da própria construção.
“Sempre acreditamos que uma reforma deve revelar as qualidades de uma casa, e não escondê-las. Nesta residência, cada decisão buscou preservar sua memória arquitetônica enquanto criávamos espaços preparados para uma nova forma de viver”, explica Lívia Leite.
Nos interiores, a linguagem dos tijolos aparentes também participa da composição. Na sala e na cozinha, o projeto utiliza revestimentos da Kyoto, combinados à marcenaria e aos demais acabamentos de aspecto natural.
Luz e privacidade nos fundos
A reorganização dos fundos do terreno incluiu o reposicionamento da lavanderia para que o ambiente recebesse iluminação e ventilação naturais. Uma parede de tijolos de vidro permite a passagem da luz e resguarda a privacidade da área de serviço.
Ao lado, foi criado um lavabo para atender às visitas e ao próprio morador durante o uso do térreo. A intervenção acrescenta uma função ao pavimento e acompanha a nova dinâmica da cozinha e do quintal.
Madeira preservada na área íntima
Na suíte, o piso de madeira existente foi mantido, junto à presença do tijolinho aparente. Já o banheiro recebeu novos revestimentos, louças, metais e marcenaria, atualizando as instalações e os acabamentos.
A reforma da Casa AJ articula essas diferentes escalas de intervenção: recupera a composição da fachada, preserva o piso de madeira e modifica a estrutura onde uma nova passagem transforma o uso dos ambientes. É na abertura da cozinha para o quintal que essa proposta fica mais evidente, aproximando o espaço de cozinhar da convivência e da área externa.

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