10 2026

Um jardim tropical para viver de perto

15 out, 2026 | Casas, Acima de 200 m2, Campo

Fotos: Mariana Araújo / Divulgação
Paisagismo:
Flávia D’Urso 
Arquitetura: Tetro
Área do terreno: 5.000m²
Localização: Lagoa Santa, Minas Gerais

Os caminhos de entrada, a privacidade de quem está na piscina, a sombra junto aos espaços de convivência: na Casa Tangram, o paisagismo de Flávia D’Urso participa de cada uma dessas situações. Localizada em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte, a residência tem arquitetura assinada pelo escritório Tetro, com volumes triangulares, planos inclinados e cobertura de madeira. Entre esses elementos, a vegetação estabelece outras referências para percorrer e aproveitar a casa.

O projeto atende a um casal de empresários com filhos jovens, que fez do imóvel sua residência principal. Com uma rotina voltada ao uso das áreas sociais e externas, a família desejava proximidade com a natureza, privacidade e um jardim predominantemente verde. Espécies tropicais, manutenção reduzida e interesse visual ao longo do ano também estavam entre os pedidos.

Um jardim composto em camadas

Para responder à geometria da construção, Flávia trabalhou com diferentes alturas, volumes e texturas vegetais. A distribuição das plantas considera a topografia, a incidência de luz e a função de cada espaço, criando relações entre os canteiros e os ambientes que os cercam.

“O maior desafio foi equilibrar a força geométrica da arquitetura com uma paisagem natural, acolhedora e funcional. A Casa Tangram possui uma linguagem muito marcante, e o paisagismo precisava valorizar essa identidade sem disputar protagonismo”, explica a paisagista.

Nos canteiros de transição, as espécies mais altas estruturam a composição, enquanto as folhagens intermediárias acrescentam densidade e as forrações dão continuidade ao jardim junto ao solo. Essa organização em camadas suaviza os encontros entre a edificação e o terreno e permite que diferentes perspectivas se revelem durante os percursos.

Da chegada às áreas de convivência

Logo nos acessos, xantorreias, pitosporuns e acácias seyal se combinam a alecrins pendentes, lavandas e capins. O conjunto apresenta a diversidade de formas e texturas que acompanha o restante do projeto, cuja seleção reúne mais de 30 espécies.

Perto da piscina, das varandas e dos espaços de estar, a vegetação ganha volume com palmeiras, strelitzias, alocasias, helicônias, guaimbês e imbé-undulatum. A posição desses agrupamentos ajuda a filtrar as vistas e a resguardar os moradores, além de contribuir para o sombreamento das áreas de convivência.

A predominância do verde permite explorar as diferenças entre as próprias plantas. Folhas de tamanhos e desenhos variados, associadas ao movimento dos capins e à verticalidade das palmeiras, dão profundidade aos canteiros e conectam os setores do jardim.

O paisagismo também ocupa a casa

A presença da vegetação continua nas varandas, nas circulações e nos ambientes internos e cobertos. Nesses pontos, os vasos foram incorporados ao projeto para preencher vazios, suavizar superfícies e aproximar as plantas dos lugares onde a família se reúne.

Ficus, dracenas, Monstera adansonii, heras pendentes e Philodendron squamiferum estão entre as espécies utilizadas. As composições consideram as condições de luz de cada local e alternam plantas verticais e pendentes, estendendo para dentro de casa o trabalho com alturas desenvolvido nos canteiros.

“A ideia era fazer com que a vegetação estivesse presente em diferentes momentos da rotina”, afirma Flávia. Da chegada à permanência nos espaços de estar, essa intenção orienta todo o paisagismo: o jardim acompanha os moradores, oferece resguardo e aproxima a escala da construção das atividades cotidianas.