Reforma completa com acervo afetivo e marcenaria sob medida
09 abr, 2026 | Acima de 200 m2, Cidade

Fotos: Juliano Colodeti, do MCA Estúdio
Escritório: Roberta Moura + Paula Faria Arquitetura
Produção visual: Lu Algarthe
Área: 211m²
Localização: Jardim Botânico, Rio de Janeiro
No Jardim Botânico, Rio de Janeiro as arquitetas Roberta Moura e Paula Faria assinam a transformação de um apartamento de 211m² que revela, em cada detalhe, a intimidade de uma família e sua forma de morar. A dupla conduziu uma reforma completa guiada por proximidade e confiança: amigos da arquiteta, os moradores participaram ativamente do processo, o que resultou em um projeto de forte caráter autoral e profundamente conectado ao cotidiano do casal e de seus dois filhos.
A história do imóvel começa no mesmo edifício, onde a família já vivia em outro andar. A decisão de adquirir um apartamento maior veio acompanhada do desejo de redesenhar os espaços com mais precisão, alinhando arquitetura e rotina. A nova configuração privilegia o convívio sem abrir mão da privacidade, organizando a planta de forma clara e funcional. Cozinha, área de serviço e apoio à funcionária se mantêm bem resolvidos, enquanto a ala íntima abriga a suíte do casal com closet ampliado e os quartos dos filhos.
“Os moradores buscavam um apartamento mais alinhado à dinâmica da família, com ambientes amplos, integrados e que favorecessem o convívio no dia a dia. Também pediram soluções flexíveis, como a possibilidade de isolar o escritório quando necessário, além de uma base neutra que valorizasse o acervo afetivo, incluindo obras de arte e peças já existentes. Havia ainda o desejo de criar uma atmosfera acolhedora e contemporânea, com espaços funcionais e duradouros, sem excessos.”
A reformulação da planta foi decisiva para a fluidez do projeto. Um dos quartos foi incorporado à sala e deu origem a um escritório que pode ser isolado por portas de correr, oferecendo flexibilidade ao dia a dia. Já o antigo quarto de serviço foi redimensionado para viabilizar a ampliação do closet do casal. Com essas intervenções, a área social se expandiu e passou a abrigar, de forma contínua, os ambientes de estar, jantar, TV e trabalho, conectados por uma linguagem coesa.
A proposta das arquitetas parte de uma base neutra que valoriza o acervo afetivo dos moradores. Materiais naturais e escolhas descomplicadas constroem uma atmosfera contemporânea e acolhedora, onde a arquitetura atua como pano de fundo para histórias pessoais. O resultado é um equilíbrio sensível entre permanência e renovação, com espaços que acolhem tanto a rotina quanto os encontros.
Peças carregadas de memória convivem com novas aquisições em uma composição rica e sem excessos. A poltrona redonda rosa, o sofá mostarda no escritório, o armário-vitrine hospitalar em metal branco e as cadeiras de couro preto da sala de TV seguem em destaque, ao lado de obras de arte que pontuam os ambientes. Entre os elementos recém-incorporados, a poltrona com banqueta Pitu, de Aristeu Pires, estofada em lona verde, cria um ponto de cor no espaço de trabalho, enquanto a mesa de centro Duetto, de Luia Mantelli, e a mesa de jantar Duomo, de Jader Almeida, reforçam a sofisticação discreta do conjunto.
“Um dos pontos mais interessantes do projeto é como a arquitetura foi pensada para funcionar como uma espécie de “plano de fundo” para o acervo dos moradores, valorizando obras de arte e peças afetivas sem competir com elas.”
A marcenaria sob medida assume papel estruturador no projeto. Um banco-aparador em “L” percorre toda a extensão da janela da sala e avança até a área de TV, integrando funções e desenhando o espaço com precisão. Com gavetas inferiores e uma jardineira na extremidade, a peça sintetiza o cuidado com o detalhe e a busca por soluções que unem estética e funcionalidade. Ao redor, persianas horizontais filtram a luz natural de forma delicada, contribuindo para a atmosfera acolhedora.
A materialidade reforça o caráter atemporal do apartamento. Nas áreas sociais, as tábuas corridas de cumaru foram preservadas, enquanto a área íntima mantém o taco em espinha de peixe. As paredes alternam superfícies brancas e textura cinza de tecnocimento, em diálogo com a marcenaria em carvalho americano natural. Na cozinha, a coifa verde se destaca como elemento decorativo sobre o piso preto e branco de inspiração retrô, trazendo um gesto de personalidade ao ambiente.
“Quando decidimos mudar para um apartamento maior no mesmo prédio, queríamos uma casa que refletisse melhor a nossa rotina e acomodasse com mais conforto a nossa família. Pedimos às arquitetas espaços integrados, mas com soluções que permitissem certa flexibilidade no dia a dia, além de uma base neutra que valorizasse as peças e obras que já faziam parte da nossa história. Hoje, sentimos que o projeto traduz exatamente quem somos, com ambientes acolhedores, funcionais e cheios de significado. É uma casa que nos representa e que convida a viver e conviver.”
Com cerca de um ano entre projeto e obra, o resultado revela um apartamento que equilibra com naturalidade arquitetura e afeto, criando um cenário onde cada escolha carrega intenção e pertencimento.




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