Madeira e arte num apê com jeito de casa
01 out, 2026 | Apartamentos, De 100 a 200 m2, Cidade

Fotos: Cecilia Neves / Divulgação
Escritório: Marina Dubal | Dubal Arquitetura
Área: 162m²
Localização: Belo Horizonte, Minas Gerais
Um apartamento com ares de casa foi o pedido que orientou o trabalho de Marina Dubal, da Dubal Arquitetura, neste imóvel de 162m², em Belo Horizonte. A resposta começou por uma estante de nogueira, concebida para acomodar objetos pessoais, peças trazidas de viagens e registros do crescimento dos filhos. A partir dela, a marcenaria se conecta ao móvel da televisão e encontra no forro uma extensão até a sala de jantar, dando unidade à área social.
À frente das decisões junto ao escritório, a moradora Isabela trouxe seu interesse por arquitetura, arte e design, especialmente por peças com uma trajetória. Essa preferência guiou tanto a escolha do mobiliário quanto a criação de espaços para expor o que a família já tinha. Madeira, pedra e texturas formam a base para essas escolhas, que incluem uma poltrona garimpada e uma pintura feita por uma amiga do casal.
O apartamento era novo e nunca havia sido habitado. Sem mudanças estruturais, o projeto preservou a distribuição dos cômodos e concentrou as intervenções na troca de acabamentos, na integração da cozinha e no desenho da marcenaria.
A madeira como ligação entre os ambientes
Mais do que um móvel para guardar e expor objetos, a estante principal ajudou a definir a arquitetura dos interiores. Executada com lâmina natural de nogueira, ela estabelece uma relação entre o estar, a televisão e o jantar, fazendo com que esses espaços sejam percebidos como partes de um conjunto.
No teto, o forro de ripas de madeira se alterna com áreas de gesso acartonado. A solução leva o material para além dos móveis e envolve a sala de jantar, onde os pendentes Pitanga, de Adriana Yazbek, acrescentam a textura do papel artesanal.
A mesa, desenhada por Marina para o ambiente, tem um contorno irregular próximo ao triangular. Sua forma permite ampliar as passagens junto às divisórias e ao mobiliário, sem abrir mão do espaço para reunir a família. As cadeiras Luisa, do Estúdio Bola, completam a composição.
Design e arte com vínculos pessoais
No estar, a poltrona de Percival Lafer foi garimpada e revitalizada pela Pé Palito. A peça divide o ambiente com a mesa de centro Naia, de Lucas Takaoka, e com uma tela da artista Dulce Maria Cardoso, amiga dos moradores. A pintura retrata aspectos da trajetória do casal e de como os dois se conheceram, trazendo uma referência pessoal para o centro da casa.
Esse cuidado também aparece na maneira como o mobiliário acompanha os usos do apartamento. O sofá Lençóis Maranhenses, de Léo Apter, tem formato de ilha e encosto móvel, permitindo diferentes configurações. Assim, os assentos podem se voltar para outros pontos da área social, aproximando o estar da varanda gourmet, do balanço e da área de spa.
As peças escolhidas participam da rotina e ajudam a organizar os ambientes, ao mesmo tempo que expressam o repertório dos moradores.
A varanda como extensão do estar
A integração da varanda à sala ampliou as possibilidades de uso da área social. Com vista para o parque, o espaço oferece um segundo ambiente para refeições e permite que os encontros se distribuam pelo apartamento.
A mesa se conecta ao bar, e a cuba pode ser usada como champanheira quando os moradores recebem convidados. São soluções que permitem adaptar o ambiente à ocasião sem depender de uma configuração única.
A seleção de mobiliário inclui a mesa Bank, de Jader Almeida, as cadeiras Helga, do Estúdio Bola, o banco Longo, de Zanini de Zanine, e o balanço Mumbai, da Franccino. A variedade de assentos acompanha a proposta de ter espaços tanto para reunir pessoas quanto para aproveitar a casa no dia a dia.
Uma cozinha que pode se abrir ou fechar
A cozinha foi integrada à sala, com uma ilha pensada também como lugar para ficar e conversar. O preparo das refeições passa a fazer parte da convivência, um hábito valorizado pelos moradores.
Os armários verdes, executados pela Lidea com desenho da Dubal, se combinam ao granito de tom marrom e acabamento escovado das bancadas e da ilha. A cor acrescenta uma variação à base de madeira e pedra presente no restante do apartamento.
Para permitir o uso independente da cozinha, o projeto incorporou uma porta de correr em vidro espelhado bronze. Quando necessário, ela separa os ambientes; aberta, mantém a cozinha conectada à área social.
Texturas e obras de arte nos espaços íntimos
Na suíte principal, os painéis de madeira clara se combinam ao tom castanho da cama e das mesas laterais, assinadas por Giacomo Tomazzi para a Breton. Os detalhes em palha e latão acrescentam outras texturas à composição, acompanhada por obras da própria Marina Dubal.
O escritório reúne espaço para estudos e entretenimento, além de um sofá-cama para acomodar hóspedes. A marcenaria oferece apoio às diferentes funções, enquanto os quadros de Samuel Bicalho levam a produção do artista mineiro para o ambiente.
O jeito de casa pedido pelos moradores se constrói nessa relação entre materiais, usos e escolhas pessoais. A madeira conecta os espaços, os móveis permitem diferentes maneiras de ocupá-los e a arte encontra lugar junto aos objetos da família, dando ao apartamento uma identidade ligada a quem vive ali.

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