Apartamento antigo restaurado com integração, design nacional e corredor azul-bic

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04 2026

Apartamento antigo restaurado com integração, design nacional e corredor azul-bic

30 abr, 2026 | De 100 a 200 m2, Cidade

Fotos: Denilson Machado / Divulgação
Projeto: Roberta Moura e Paula Faria
Área: 170m²
Localização: Arpoador, Rio de Janeiro

Quando o casal de moradores adquiriu este apartamento no Arpoador, ele se encontrava em estado de deterioração, mas carregava o charme das construções antigas que ambos sabiam valorizar. O desejo central era transformar aquela estrutura desgastada em um lar plenamente integrado, ideal para o momento de vida atual do casal, cujos dias são agora compartilhados apenas pelos dois, enquanto a filha de 20 anos estuda no exterior. Foi então que chamaram as arquitetas Roberta Moura e Paula Faria para uma reforma completa.

O ponto de partida foi a reconfiguração da planta, eliminando as divisões rígidas do passado para favorecer a fluidez entre a sala, a cozinha e a circulação. As arquitetas abraçaram o desafio de atualizar as instalações e criar suítes confortáveis sem apagar as memórias intrínsecas da construção. O resultado é uma planta que respira, onde a integração máxima não compromete o caráter atemporal e a forte personalidade solicitados pelos clientes. Cada decisão buscou o equilíbrio entre a funcionalidade de uma reforma integral e o respeito ao que o tempo já havia construído ali.

“O maior desafio deste projeto foi criar um espaço com muita personalidade aproveitando as características originais do imóvel antigo, que consideramos lindas. Isso acabou tornando o projeto único.”

Logo na entrada, o projeto rompe com o óbvio através de um corredor tingido integralmente de azul-bic, do piso ao teto. Essa intervenção audaciosa transforma o que seria apenas uma área de passagem em uma galeria imersiva, funcionando como um eixo de conexão entre a ala social, a cozinha e a área íntima. Visível de diversos ângulos da sala, essa “caixa colorida” injeta uma vibração contemporânea e artística no apartamento, servindo como o cartão de visitas perfeito para uma casa habitada por uma designer de joias e um profissional do mercado financeiro.

Na área social, a preservação de materiais originais funciona como uma âncora histórica de extrema elegância. O piso em taco de peroba-do-campo, com sua icônica paginação em espinha de peixe, foi meticulosamente restaurado para recuperar seu brilho e calor, estendendo-se inclusive para a cozinha para reforçar a unidade visual. Outros detalhes, como a porta de entrada em serralheria e o mármore original próximo às janelas, foram mantidos como testemunhas da arquitetura de época. Para filtrar a luz do Rio e garantir o conforto térmico, painéis venezianos deslizantes em laca branca foram instalados, permitindo controlar a privacidade sem perder a luminosidade natural.

O mobiliário reflete uma curadoria refinada que mistura o acervo pessoal da família com peças fundamentais do design brasileiro moderno e contemporâneo. Poltronas que pertenciam ao endereço anterior ganharam vida nova ao lado das cadeiras Tião, de Sergio Rodrigues, e da icônica poltrona Dinamarquesa, de Jorge Zalszupin. A mesa de centro Rosá, assinada por Maria Cândida Machado, e o carrinho-bar Nômade, de Claudia Moreira Salles, completam o cenário, criando uma sala que não parece um showroom, mas sim um espaço preenchido com histórias, afeto e excelência estética.

Um elemento de marcenaria desenhado exclusivamente pelo escritório tornou-se o protagonista funcional da sala de jantar: uma estante em carvalho americano composta por 33 nichos. Além de organizar o acervo de livros e objetos dos moradores, a peça atua como um anteparo que aquece visualmente o ambiente e traz textura à parede principal. A integração com a cozinha mantém esse mesmo padrão de acabamentos, garantindo que a área de preparo das refeições seja uma extensão elegante do convívio, em vez de um espaço isolado, reforçando o conceito de que cada metro quadrado deve ser aproveitado e celebrado.

Em contraste com a claridade das salas, o lavabo foi concebido para surpreender através de uma atmosfera dramática e envolvente. As arquitetas optaram por revestir paredes e teto com um papel de parede de estampa animal, criando um ambiente cenográfico que destoa propositalmente da serenidade do restante da casa. Concluído em cerca de dez meses, o projeto prova que é possível revitalizar um imóvel antigo com audácia cromática e design de ponta, sem sacrificar a elegância e o respeito à arquitetura original que o tornam verdadeiramente único.

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