Podemos encarar o Open House de hoje como uma aula de conscientização, pois SIM, foi isso que vivi durante minha passagem pelo apartamento da personal stylist Rachel Helidonis. Só de ler o nome da profissão já imaginamos um closet enooorme e recheado, mas não, o apê de 148m² localizado no Brooklin projetado pela designer Melina Romano, segue à risca a filosofia de vida da moradora: minimalismo. Optar por uma vida sem acúmulos e desperdícios, abre espaço para leveza e compreensão dos reais propósitos que temos, além de nos fazer refletir sobre ansiedade, consumismo e valores em todos os aspectos de nossa rotina, inclusive na nossa própria casa!

Casa de Valentina: Como foi o processo de escolha do apartamento?

Rachel Helidonis: Foi uma surpresa! Havíamos contratado a Melina para reformar o apartamento que morávamos e, no meio do caminho, surgiu a oportunidade de comprarmos esse. Com isso, traçamos um novo plano com ela e iniciamos a obra.

CV: Quando entrei no seu apto, mais especificamente no closet, confesso que fiquei chocada e com uma pontinha de inveja rsss Você já ficou chocada com o oposto; com situações de acúmulo?

RH: Mesmo sendo “fora dos padrões” o convívio com pessoas que presam outros parâmetros sempre se fez presente, tanto na vida pessoal quanto profissional. E lido super bem com isso. Entendo que cada indivíduo vive sua verdade e possui necessidades específicas nesse sentido. Acredito que meu papel é mostrar que é possível ficar bem – em todos os aspectos (emocional, físico, estilo de vida) – com menos.

Fiz um tour pelo apê com a Rachel, é só dar PLAY no vídeo abaixo! Mas claro, tem muuuito mais entrevista ao longo deste post, além de fotos lindas 😉

Fotos: Monica Assan

CV: Quais os passos iniciais para o desapego?

RH: Minha primeira sugestão é: comece devagar! Não tente fazer tudo de uma só vez. Dê o primeiro passo com um cômodo ou armário. A experiência instantaneamente irá trazer motivação para expandir esse estilo de vida para as outras áreas do guarda-roupa, da casa e da vida. Além disso, desvincular suas emoções dos objetos é fundamental. Pode parecer difícil, mas tente deixar seu apego emocional de lado. Ainda que projetemos emoções e sentimentos nos itens que possuímos, eles apenas terão o significado que vincularmos. E se esse vínculo não for positivo, por que não se libertar dele? Com esse mindset, os passos seguintes tornam-se muito mais fáceis de ser colocados em prática. Acredite em mim!

CV: Você já vivenciou alguma situação em que gostaria de ter mais de algo, ou que chegou a pensar “Aaaah se eu tivesse comprado…”?

RH: Pode parecer loucura, mas não! Na verdade o arrependimento já bateu pela compra de coisas que coloquei muita expectativa emocional em cima. O desejo de aquisição de algo novo vai sempre existir, e se não aprendermos a nos satisfazer de verdade com o que temos, dentro de dias novas vontades surgirão… O problema é ficarmos nesse ciclo de desejo/necessidade/compra/insatisfação sem fim.

CV: E apego? Você tem por algum objeto?

RH: Sim, tem dois objetos que são muito especiais para mim e o Rafa: o relógio que dei para ele em comemoração aos nossos 10 anos juntos, um Welby da década de 50 que foi garimpado a dedo. Seu design lembra uma bússola, que representa que os caminhos são muitos no decorrer do tempo, e que, não importa a direção, sempre estaremos juntos. E o segunda objeto, é uma estátua de Afrodite – deusa do amor – que meu sogro nos deu. Ele é Grego, trouxe de lá há muitos anos, e como admiramos sua origem e história de vida, ter um objeto que simbolize isso é incrível!

CV: Sei que você participou desde o projeto, até a escolha das canecas hahaha Qual a importância de acompanhar tudo?

Melina Romano: Enorme! Quando você está envolvido do macro ao micro, temos o resultado de uma mesma linguagem. O conceito minimalista foi pensado desde os revestimentos e mobiliários, até o bowl de café que os moradores usam. Isso só é possível quando o cliente mergulha de cabeça no projeto!

CV: Qual foi o maior desafio?

MR: Foi aliar a delicadeza e feminilidade da Rachel, ao lado industrial do marido. O mix ficou inusitado e com personalidade de ambos; tem metalon em diversos movéis, junto ao rose na marcenaria.

CV: Quanto tempo durou a obra? Teve alguma situação inesperada?

MR: Durou cerca de 6 meses. Inicialmente os moradores não pensavam em ter uma cozinha aberta, tinham medo de como se comportaria no dia a dia. Mas durante o projeto, identificamos que o melhor seria integrar tudo, e hoje o casal assume foi a melhor escolha!

CV: Quais suas marcas de roupas e de casa prediletas?

Rachel Helidonis: Gosto muito de peças com linguagem fora do lugar comum, mas que ainda assim sejam refinadas. Trousseau, Loja Theo, Dpot Objeto e Marche Art de Vie foram alguns dos lugares que me encantaram quando estava selecionando itens para decorar minha casa. Quando o assunto é guarda-roupa, minha marca preferida é sem sombra de dúvidas a Cris Barros. Gosto muito também da A Niemeyer, Osklen, NK, isso sem contar os garimpos que faço na Conceito E e no Gallerist. Para acessórios Lool, Andrea Colli, Antonio Bernardo e Alexandre Birman. Marcas internacionais queridinhas são Burberry, Cult Gaia, Staud, Acne Studios, Tibi, Mansur Gavriel e J Crew. Gosto muito dos sapatos da Aquazzura e Jimmy Choo.