Estou MUITO feliz em trazer um projeto do arquiteto Jean de Just no Open House, pois desde que recebi o primeiro projeto dele para postar aqui no blog, fiquei completamente impressionada: nunca tinha visto nada igual, e não estou exagerando rsss

O Jean é francês e, há quase 7 anos, recebeu uma proposta para projetar um hotel aqui no Brasil; oportunidade que o fez fixar residência e escritório no Rio de Janeiro. Com muitos projetos brasileiros no currículo, o apartamento de hoje traduz a personalidade da moradora, a Glaucia, psicóloga apaixonada por diferentes culturas e religiões, música, dança, e que tem forte relação com os índios daqui. Os 550m² dessa morada no Jardim Europa são interessantíssimos e nada óbvios, ou seja, imperdível 😉

Casa de Valentina: Existe alguma diferença entre projetar na França e aqui no Brasil?
Jean de Just: Sim, o tamanho dos apartamentos. Enquanto em Paris eu projeto um apartamento de 200m², aqui faço um de 1000m². A escala é bem diferente, mas sempre gostei de volumes grandes, acho um super desafio. Outra diferença, que acho inclusive engraçada, é que sinto os europeu mais abertos para cores. O mercado no Brasil é mais frio, mas acho que é nosso papel como arquitetos e designers inovar e acompanhar os clientes para realizar os sonhos deles, se livrando dos limites.

CV: Qual a vantagem de não definir um estilo para seu trabalho?
JDJ: A vantagem é que você não fica fora de moda hahaha. Falando sério, não gosto de ter uma classificação. Acredito que isso me traz mais liberdade criativa, porque os clientes não sabem exatamente o que vou propor, e gera uma surpresa que eu adoro. Meu estilo está sempre evoluindo com meus projetos, clientes e novidades do mercado, mas o principal é criar a casa para quem vai viver nela, e não para mim.

CV: Você sabe como é essa relação da Glaucia com a cultura indígena?
JDJ: Ela faz muita coisa com os índios. Fiz o projeto da casa dela na Chapada dos Veadeiros junto com uma aldeia multiétnica – esse projeto é demais -, e duas vezes por ano ela faz um evento com os índios para mostrar e apresentar a cultura deles à quem não conhece. Ela também tem uma casa na Bahia, onde organiza um festival de dança… É muito interessante.

No vídeo e fotos abaixo você terá a oportunidade de conhecer esse apartamento com estilo que tomei a liberdade de chamar de ‘do Jean’ hahaha Aperta o PLAY:

Fotos: Rafael Renzo

CV: Especificamente nesse apartamento, qual foi o maior desafio?
JDJ: Transformar o apartamento que estava totalmente escuro – mármores e paredes marrom, piso escuro -, em um apartamento claro e agradável, seguindo os mandamentos do Feng Shui. Todas as escolhas foram baseadas no Feng Shui, e foi a primeira vez que projetei assim.

CV: Quais foram suas fontes para projetar esse apê?
JDJ: A referência foi minha cliente mesmo. Como a Glaucia mudou mais de 12 vezes em São Paulo, ela tinha muitas coisas, então me inspirei no estilo dela e de todas as últimas moradas para criar esse lugar novo. Como ela gosta de diferentes culturas – indígena, indiana, marroquina, etc… -, pesquisei um pouco nos meus arquivos e na minha imaginação; a pintura das paredes, por exemplo, remete à festa das cores na Índia, já no quarto da filha, a pintura é um mix de geometria e cultura indígena brasileira.

CV: Você tem algum cômodo predileto?
JDJ: Sim, e a reposta é fácil hahah A sala, porque é aberta 180º à um terraço cheio de plantas… Não é um paraíso? É bem aconchegante e relaxante.

CV: E o que é uma casa com alma para você?
JDJ: Uma casa que reflete a pessoa que mora ali, por isso não tenho restrição e sou totalmente aberto aos desejos dos moradores.