Já estavam aqui perguntando sobre os posts de Marrakech. E a curiosidade não é à toa. Vamos lá Bruna, conte-nos um pouco do que viu por lá 🙂

É quase impossível encontrar as palavras perfeitas para descrever o coração de uma cidade, mas até que a metáfora se encaixa bem nesse caso. Sim, porque a Medina de Marrakech é realmente como um coração: acelerada, pulsando por todos os lados, com ruas estreitas e minúsculas que lembram veias, distribuindo as pessoas em um emaranhado de caminhos secretos… Em um lugar tão exótico quanto o Marrocos, essa enorme Medina concentra os melhores e mais peculiares aspectos da cultura desse povo. É uma terra de contrastes, um lugar que ao mesmo tempo em que encanta, causa surpresa. (Aquela estranheza incrível de estar vivenciando inúmeras coisas novas ao mesmo tempo, sabe?).

Maaaas, antes que eu me perca em um relato apaixonado, é preciso explicar o que exatamente são as Medinas. Lá no Norte da África, o termo é comum – muitas cidades marroquinas têm uma Medina para chamar de sua. As escalas, porém, variam bastante, e a de Marrakech talvez seja a mais relevante de todas. Elas são como o centro das cidades, como um enorme mercado aberto cheio de lojas, pedestres, motos e muita informação visual. O que define uma Medina são as ruas apertadas e labirínticas, que não suportam o tráfego de carros (justamente por terem no máximo 2 metros de largura) e podem facilmente confundir os passos de um desavisado, seja ele turista ou não.

Mas voltando à Marrakech… Em frente a Medina existe uma praça enorme chamada Jemaa el-Fna – parada obrigatória. Ali você encontra os mais variados tipos de barraquinhas e tendas improvisadas, algumas cuja atração principal são as mulheres fazendo henna, as serpentes que dançam e os macacos simpáticos. (Apesar de ser interessante, só consegui ficar com dó daqueles bichinhos, sujeitos aos olhares dos turistas e presos aos donos). Ao redor da praça, restaurantes e cafés com terraços bem altos permitem uma vista privilegiada de todo aquele cenário caótico lá embaixo.

E conforme o sol se põe…r
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Nessa época do ano, o sol só se despede do Marrocos por volta das 21 horas da noite, tingindo o céu de rosa, amarelo e laranja antes de sair de cena. De repente, percebe-se uma movimentação ainda mais agitada em Jemaa el-Fna.

Centenas de barracas parecem brotar no meio daquela praça, com lâmpadas penduradas em cada uma delas, criando uma atmosfera mágica que se completa com os vendedores simpáticos e convincentes, com a fumaça e o cheirinho de comida que se espalha pelo ar, com a música tocada em rodas por marroquinos de diferentes origens… Vale a pena se arriscar e experimentar alguma especiaria, como as sopas, berinjelas fritas, espetinhos de carne e o babouche – como eles chamam o escargot. É tudo baratinho e no mínimo inusitado para o paladar.

Entre todos esses detalhes e surpresas, Jemaa el-Fna é um verdadeiro espetáculo dessincronizado, como um universo paralelo para nós, mas tão comum para eles. Tanto que o local, assim como a Medina, foram considerados Patrimônio Mundial pela Unesco, por representarem tradições únicas de um povo rico através da música, das cores, da religião, da arte, das vozes, dos temperos…r
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Fotos by Bruna Lourenço | Reprodução