10 2026

Entre livros, bordados e arte na CASACOR

16 out, 2026 | Mostras, Até 50 m2, Cidade

Fotos: Juliano Colodeti, do MCA Estúdio / Divulgação
Escritório:
Bianca Sieberer Arquitetura e Interiores
Paisagismo: Andreia Sinhorelli
Produção visual:
Lu Algarthe
Área: 40m²
Localização: CASACOR Rio 2026 — Edifício Aliança da Bahia, Centro do Rio de Janeiro

Uma livraria também pode convidar à descoberta pelo que acontece fora das páginas. No espaço assinado por Bianca Sieberer para a CASACOR Rio 2026, esse convite aparece em caixas que giram para apresentar bordados, em cerâmicas que avançam do piso às paredes e no mobiliário desenhado para receber os livros. A arte orienta o projeto, que aproxima o fazer manual da experiência de percorrer o ambiente.

Instalada no Edifício Aliança da Bahia, construção modernista erguida entre 1957 e 1961, em frente ao Palácio Gustavo Capanema, a livraria ocupa 40 m² internos, com outros 20 m² voltados à circulação e à convivência externas. Em diálogo com o tema “Mente e Coração”, da 35ª edição da mostra carioca, a arquiteta reúne trabalhos autorais e soluções que preservam a presença da arquitetura existente.

Uma parede em movimento

O painel interativo é um dos elementos que traduzem essa proposta. São 24 caixas móveis de 30 x 30 cm, que giram sobre o próprio eixo e servem de suporte para trabalhos bordados à mão pela artista Lorena da Donolina. O movimento permite alterar a composição e introduz uma possibilidade de interação com a arte.

Na marcenaria, os padrões Nogueira e Azul Astral, da Duratex, aparecem acompanhados de detalhes em laca rosa. Ao fundo, o desenho responde a uma condição estrutural do imóvel: uma estante vazada envolve os quatro pilares e recebe prateleiras flutuantes. Assim, a estrutura participa da organização da livraria, enquanto os vãos mantêm a entrada de luz pela fachada de vidro.

Entre a estante e a fachada, o paisagismo de Andreia Sinhorelli ocupa a meia altura e filtra parcialmente a luminosidade, acrescentando vegetação à composição sem fechar o espaço.

Do piso às mesas expositoras

A cerâmica artesanal estabelece uma continuidade entre as superfícies. Peças de 10 x 10 cm da linha Num, da Kerâmica, combinam o matiz esverdeado de Taipa ao branco quente de Bruma. A disposição em listras cria uma transição gradual entre as cores, que percorre o piso e se prolonga por algumas paredes até a meia altura.

No centro, duas mesas de alturas diferentes, desenhadas por Bianca, organizam a exposição dos livros. Os tampos de contorno orgânico são feitos de mármore Azul Macaúba, apoiados sobre bases cilíndricas de Bege Bahia vulcanizado. O desenho permite observar os materiais tanto nas superfícies de apoio quanto nos volumes que as sustentam.

Um encontro com o edifício

Na iluminação, a arandela da coleção Amazônica, de Cris Bertolucci, traz uma referência às folhas da Orelha-de-Elefante em uma peça produzida em couro vegetal. Já o lustre original do edifício ganhou lugar no projeto depois de chamar a atenção da arquiteta durante seu desenvolvimento.

A permanência da peça amarra a relação entre a livraria e o imóvel que a recebe. Entre bordados, livros e elementos existentes, Bianca propõe um espaço em que observar a arquitetura também faz parte da visita.