Concreto, madeira e jogo de luz em casa de campo
25 set, 2026 | Casas, Acima de 200 m2, Campo

Fotos: Maíra Acayaba / Divulgação
Escritório: Patrícia Bergantin Arquitetura
Engenharia: Lampur Engenharia
Paisagismo: Hanazaki Paisagismo
Área construída: 1.300m²
Área do terreno: 5.800m²
Localização: Porto Feliz, São Paulo
Assinada por Patrícia Bergantin, esta casa de campo de 1.300m² foi implantada em um terreno de 5.800m² na Fazenda Boa Vista, em Porto Feliz. O projeto partiu do declive acentuado para distribuir os ambientes em diferentes níveis e criar uma relação contínua entre a arquitetura, o jardim e as áreas de lazer.
Pensada para um casal com filhos adultos e netos, a residência deveria oferecer espaços amplos para reunir a família e os amigos, além de ambientes voltados a momentos mais reservados. A área social, portanto, concentra diferentes possibilidades de convivência e se abre tanto para a piscina quanto para o jardim frontal.
Uma casa definida pela topografia
A implantação e a definição dos níveis orientaram todo o projeto. Em vez de modificar o terreno para acomodar a construção, a arquitetura acompanha seu perfil natural. O acesso acontece pelo pavimento das suítes e, a partir dele, chega-se ao nível social, situado abaixo.
Essa configuração invertida permitiu liberar o pavimento social e transformá-lo em um grande plano envidraçado, atravessado pela paisagem. Acima dele, o volume de concreto aparente que abriga a área íntima parece flutuar, apoiado sobre pilares discretos e painéis de vidro.
No centro da composição está o salão com pé-direito duplo, que organiza os fluxos, amplia a entrada de luz natural e estabelece a conexão visual entre os pavimentos. Living e jantar ocupam 200 m² e se integram ao terraço, ao espaço gourmet, ao deck e à piscina por meio de grandes portas retráteis.
Ambientes para diferentes encontros
A organização interna contempla tanto as grandes reuniões quanto a convivência cotidiana. Além do living e da sala de jantar, a casa recebeu sala de televisão com espaço para jogos, brinquedoteca, cinema e uma área externa voltada para o gramado.
A sala de jantar é delimitada por painéis e forro de madeira, combinados a um nicho horizontal em mármore claro. Já a sala da família reúne pedra natural e concreto aparente, com abertura direta para o jardim. No cinema, paredes escuras, iluminação linear e poltronas de couro criam uma atmosfera mais reservada.
Na área externa, a continuidade do piso de travertino e do teto de madeira ripada reforça a passagem sem interrupções entre o interior, a varanda e a piscina. A quadra de areia foi posicionada em um dos patamares formados pelo declive.
Peso e transparência
A materialidade estabelece um contraponto entre elementos de diferentes densidades. O concreto aparente define a estrutura e o volume superior, enquanto madeira, pedra natural e vidro equilibram a composição.
No pavimento íntimo, painéis de madeira do tipo camarão formam uma segunda pele diante das aberturas. Além de participar do desenho das fachadas, eles permitem controlar a incidência solar, a ventilação natural e a privacidade dos dormitórios.
A cobertura recebeu painéis fotovoltaicos e um sistema de aquecimento, enquanto as soluções passivas de sombreamento e ventilação contribuem para reduzir a necessidade de climatização artificial.
Arquitetura em diferentes níveis
Um dos principais desafios foi acomodar a garagem no ponto mais baixo do terreno, abaixo da área da piscina. O acesso inclinado exigiu atenção especial à circulação e à articulação entre os patamares. O espaço foi dimensionado para receber a coleção de carros do proprietário, um dos pedidos centrais do projeto.
Ao transformar a topografia em parte da solução, Patrícia Bergantin estruturou uma casa na qual concreto, vidro e madeira acompanham os diferentes níveis do terreno. A construção se abre para a paisagem sem perder a definição dos ambientes, conciliando as grandes reuniões familiares com espaços voltados à rotina.

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