09 2026

Texturas naturais e design brasileiro em duplex contemporâneo

14 set, 2026 | Apartamentos, Acima de 200 m2, Cidade

Fotos: Denilson Machado / Divulgação
Projeto de interiores: Marrocos Aragão Arquitetura
Área: 354,93m²
Localização: Eusébio, Ceará

Quando os moradores receberam as chaves desta casa duplex de 354,93m², a arquitetura já estava praticamente definida. O ponto de partida da arquiteta Rafaela Marrocos, do escritório Marrocos Aragão Arquitetura, foi, portanto, outro: trabalhar sobre uma estrutura existente para aproximá-la da rotina e das preferências da família, sem promover alterações significativas na configuração original.

A casa foi adquirida pronta por um casal com duas filhas, de 19 e 12 anos. O contato com Rafaela havia começado na CasaCor Ceará 2024 e, a partir da entrega das chaves, o escritório assumiu todo o projeto de interiores. Além da ambientação, foram feitos ajustes pontuais de layout e a revisão de alguns acabamentos, pedras e revestimentos.

Integração sem alterar a estrutura

Em vez de redesenhar a planta, o projeto procurou explorar as possibilidades que ela já oferecia. As intervenções concentraram-se principalmente na integração entre os ambientes e nas conexões visuais, buscando tornar a circulação mais direta e a área social mais adequada tanto à rotina da família quanto aos momentos de receber.

No térreo, sala de estar e jantar, cozinha, varanda e lavabo compõem a área social. A cozinha pode ser integrada à sala conforme o uso. No pavimento superior estão a suíte máster, com closet e banheiro, além das suítes das duas filhas.

Essa estratégia permitiu preservar a arquitetura existente ao mesmo tempo que os interiores passaram a funcionar como elemento de continuidade entre os espaços.

Madeira, pedra e design brasileiro

A arquitetura brasileira contemporânea orientou a escolha de materiais e mobiliário. Madeira, pedra natural e peças de design aparecem sobre uma base de branco, bege e areia, relacionada também ao porcelanato claro original, que foi mantido.

Na marcenaria, o tom de pau-ferro é combinado ao preto e ao bege foscos. O contraste introduz profundidade aos ambientes sem criar uma ruptura entre eles. Tons terrosos e preto aparecem também de maneira pontual, enquanto as obras de arte assumem parte da presença cromática da casa.

A seleção de móveis seguiu o mesmo princípio. Em vez de uma composição baseada em tendências, o escritório priorizou peças de desenho duradouro, considerando proporção, materialidade e conforto. Entre elas estão a poltrona Caju, de Roberta Banqueri, cujo desenho combina giro e balanço, e a mesa de centro de vidro assinada por Giacomo Tomazzi.

Peças que já pertenciam aos moradores foram incorporadas às novas escolhas, ao lado de obras de artistas brasileiros e internacionais. O resultado não depende de uma única linguagem decorativa, mas da relação entre materiais, arte, mobiliário e arquitetura.

A varanda como extensão da área social

Na varanda gourmet, a presença do design brasileiro se mantém por meio de peças da DonaFlor, materiais naturais e diferentes texturas. O ambiente funciona como continuidade da área social e concentra parte do pedido dos moradores por uma casa preparada também para receber.

Todo o processo, entre desenvolvimento, aprovação, execução, decoração e entrega, durou aproximadamente seis meses. O desafio esteve menos em transformar a arquitetura do que em perceber onde era preciso intervir.

Ao trabalhar com ajustes de layout, novos acabamentos, marcenaria, arte e mobiliário, Rafaela Marrocos construiu uma nova leitura para uma casa que já estava pronta. A estrutura permaneceu praticamente a mesma; a forma de habitá-la, não.