Jardim e luz no centro da casa
10 set, 2026 | Casas, Acima de 200 m2, Cidade

Fotos: Pedro Kok / Divulgação
Escritório: Estúdio Cedo e Maçonilio Arquitetura
Paisagismo: Flávia Tiraboschi
Área: 271m²
Localização: Pinheiros, São Paulo
Discreta para quem passa pela rua, a Casa Maguari concentra seus principais acontecimentos no interior do lote. O projeto de Estúdio Cedo e Maçonilio Arquitetura partiu da reforma de uma casa geminada e reorganizou seus 271m² ao redor de um jardim central, que passou a orientar tanto a circulação quanto as relações visuais entre os ambientes.
Os moradores, um casal jovem formado por um professor universitário e uma médica interessada em design e arquitetura, conheceram os escritórios pelas redes sociais. Antes da compra, os arquitetos chegaram a acompanhá-los em visitas a diferentes imóveis. Desde o início, havia duas diretrizes claras: uma casa discreta e uma paleta reduzida, baseada em materiais de qualidade. As referências trazidas pelo casal passavam ainda pelas casas modernistas paulistas.
Um pátio protegido dos vizinhos
A condição geminada da construção determinou algumas das decisões mais importantes da reforma. A demolição precisou ser feita de maneira controlada para preservar a estrutura vizinha e, ao mesmo tempo, a nova organização deveria garantir privacidade ao jardim e aos ambientes internos.
A resposta aparece principalmente no pavimento superior. Um corredor elevado conecta o volume principal da casa ao bloco dos fundos, onde está a suíte do casal. Além de estabelecer a circulação entre as duas partes da construção, essa passarela funciona como um limite construído para o pátio, reduzindo a exposição em relação aos imóveis vizinhos.
No térreo ficam os ambientes sociais; no andar superior, três suítes e uma sala de TV. A distribuição mantém o jardim sempre próximo da rotina da casa, especialmente na sala de estar, onde grandes portas de vidro ampliam a abertura para a área externa.
Madeira, branco e poucos materiais
A paleta segue a intenção de reduzir o número de elementos. Paredes com textura branca aparecem ao lado de pisos de madeira, cimentício e pedra, enquanto as bancadas utilizam marmoraria branca.
Na sala de estar e jantar, o piso em palitos de tauarí cria continuidade com a marcenaria em lâmina natural. Em alguns móveis, portas com fechamento em palha interrompem as superfícies de madeira, enquanto a porta de entrada, executada em madeira maciça, ganha presença própria no conjunto.
A mudança de material ajuda também a marcar os diferentes usos. Na cozinha, o piso de madeira dá lugar ao Concresteel Nude e a marcenaria recebe fórmica branca. Já nos dormitórios, o tauarí reaparece tanto no piso quanto, na suíte, na marcenaria.
O mobiliário acompanha essa seleção precisa. No living, aparecem mesa da Cremme, poltrona Dio, do Estúdio Felipe Madeira, cadeiras Wishbone, de Carl Hansen, e poltronas Oscar, da Dpot. Entre as peças do acervo dos moradores, um banco de couro preto que pertenceu aos avós da moradora ocupa posição de destaque na sala.
A passagem do sol pelas paredes
Um dos elementos que define a Casa Maguari está no pé-direito duplo da sala de estar: uma abertura circular permite que a luz solar atravesse o espaço e se projete sobre as paredes brancas. Ao longo do ano, o deslocamento desse desenho acompanha as diferentes posições do sol e transforma a abertura em uma espécie de marcador das estações.
A geometria circular foi levada também ao projeto de iluminação, desenvolvido por Nina Morelli e Estúdio Lodi. A maior parte das peças permanece discreta, com luminárias de teto redondas que acompanham formalmente a abertura da sala. Os pontos de maior presença estão sobre as mesas de jantar e da cozinha gourmet e na arandela do lavabo.
A luz natural é controlada ainda por brises metálicos na fachada, enquanto a ventilação cruzada percorre os dois pavimentos. Na cozinha, janelas foram posicionadas acima e abaixo dos armários; no andar superior, a abertura dos quartos estabelece um corredor de ventilação associado às claraboias das circulações. A cobertura recebeu também placas fotovoltaicas.
Um jardim construído desde o início
Assinado por Flávia Tiraboschi, o paisagismo não entrou apenas na etapa final da obra. Uma árvore foi levada ao terreno ainda nas primeiras fases da construção para que chegasse mais estabelecida ao momento da ocupação. O restante do quintal foi mantido majoritariamente gramado, com vegetação mais alta concentrada em uma das laterais e um percurso de pedra fazendo a ligação entre os espaços.
Entre a sala de estar e a área gourmet, a transição acontece por meio de cacos de granito. É ao redor desse espaço aberto que os ambientes sociais se articulam, fazendo com que o verde permaneça no campo de visão de diferentes pontos da casa. Para os arquitetos, justamente a proporção assumida pelo jardim e a maneira como a luz se desenha sobre as superfícies claras estão entre os aspectos mais representativos do projeto.
O nome Maguari faz referência ao pássaro branco brasileiro, associado pelos escritórios tanto aos tons escolhidos para a arquitetura quanto à intenção de incorporar uma referência brasileira ao projeto. Da fachada contida ao pátio que organiza a casa por dentro, a reforma trabalha com poucos elementos para fazer jardim, matéria e luz assumirem o protagonismo.

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