Apartamento alugado de 30m² ganha identidade com arte, cor e concreto aparente
08 set, 2026 | Apartamentos, Até 50 m2, Cidade

Fotos: Yuri Rios Ribeiro / Divulgação
Escritório: Aquele Escritório
Área: aproximadamente 30m²
Localização: Meireles, Fortaleza — Ceará
Projetar um apartamento alugado costuma impor uma equação particular: como construir identidade sem recorrer a grandes intervenções ou investimentos que permanecerão no imóvel? Foi a partir dessa questão que o Aquele Escritório desenvolveu este apartamento de aproximadamente 30 m², em Fortaleza, para uma médica e arteterapeuta com uma relação próxima com a arte.
A intenção era fazer com que o imóvel deixasse de ser percebido como provisório. A moradora buscava uma casa acolhedora e sem excessos, mas que tivesse personalidade e incorporasse cores, objetos e trabalhos artísticos à vida cotidiana. O projeto, realizado em 2024, procurou responder a esse desejo com intervenções pontuais e escolhas capazes de produzir impacto espacial sem depender de materiais de alto custo.
Autoria possível em um imóvel alugado
O principal desafio esteve justamente em conciliar o caráter autoral do projeto com as limitações de um apartamento alugado. Em vez de neutralizar os espaços diante dessa condição, o escritório adotou o caminho oposto: trabalhou a materialidade, a iluminação e a composição dos ambientes para construir uma atmosfera particular.
Entre as intervenções, uma das mais significativas foi retirar o revestimento da laje existente para revelar o concreto. O processo exigiu cuidado durante a execução, mas introduziu uma superfície de aspecto bruto que participa diretamente da linguagem do apartamento.
A escolha também evidencia a estratégia que atravessa o projeto: trabalhar com poucos gestos, mas fazer com que cada um deles tenha presença. Em 30 m², teto, mobiliário, obras, tecidos, plantas e objetos passam a atuar em conjunto na construção visual do espaço.
Iluminação para diferentes atmosferas
A luz recebeu atenção especial. Em vez de uma iluminação única e homogênea, foram previstas diferentes possibilidades de acendimento, permitindo alterar a percepção do apartamento conforme o horário e o uso.
Essa flexibilidade ajuda a construir o caráter intimista pedido pela moradora e amplia as possibilidades de um espaço compacto. Mais do que responder apenas a uma necessidade funcional, a iluminação participa da composição dos ambientes e da relação entre cores, texturas e obras de arte.
A curadoria final e a produção visual também ficaram a cargo do Aquele Escritório. Sem um projeto de paisagismo específico, as plantas foram incorporadas à composição juntamente com peças garimpadas, mobiliário e trabalhos artísticos.
Uma casa construída a partir da proximidade
A relação entre arquiteto e moradora antecede o próprio apartamento. Os dois se conheceram em Jericoacoara e construíram uma amizade antes que surgisse a oportunidade de desenvolver o projeto em Fortaleza. Essa proximidade permitiu que referências pessoais entrassem no processo de maneira natural.
“Nosso projeto nasceu de uma grande história de amizade e confiança. Eu já sabia, muito antes da obra, que o Will seria o meu arquiteto — e foi justamente essa sintonia que fez o apartamento ficar tão a nossa cara. Ele abraçou minhas ideias e trouxe toda a sua irreverência criativa, deixando cada canto ainda mais vivo e colorido”, conta a moradora.
Algumas das escolhas que hoje caracterizam o apartamento surgiram dessa troca, como o quadro de tecido, o teto descascado, as cadeiras garimpadas e a seleção das plantas. São elementos que ajudam a afastar o projeto de soluções genéricas normalmente associadas a imóveis temporários.
“Hoje, esse projeto é o meu lar. Me sinto em paz, contemplo as cores e, muitas vezes, me sinto morando dentro de uma obra de arte. Amizade, carinho e criação se misturam por todo esse espaço, que se torna único”, completa.
Assim, a condição de imóvel alugado não aparece como impedimento para a construção de uma casa pessoal. Em uma área reduzida e com investimentos controlados, o projeto concentra suas decisões naquilo que pode alterar a experiência do espaço: materialidade, luz, arte, cor e objetos escolhidos a partir da relação da moradora com a própria casa.

Deixar um comentário