Casa em Trancoso com arquitetura colonial e materiais brasileiros
04 ago, 2026 | Casas, Acima de 200 m2, Praia

Fotos: Antonio Soto / Divulgação
Escritório: Brunno Costa
Área: 746m²
Localização: Trancoso, Bahia
Projetar uma casa em Trancoso significa, antes de tudo, compreender a relação entre arquitetura, paisagem e modo de viver. Foi exatamente esse o caminho seguido por Brunno Costa na Casa Caju, residência de aproximadamente 746m². Convidado para assumir o projeto na etapa final da obra, o arquiteto reestruturou conceitos arquitetônicos, estéticos e funcionais para transformar a construção em uma casa que traduzisse a identidade do lugar, valorizando materiais brasileiros, referências coloniais e uma conexão permanente com a natureza.
“Quando pensamos em construir esta casa, buscávamos uma arquitetura genuinamente local — uma casa com a essência de Trancoso. Queríamos unir conforto, estética e história, mas, sobretudo, criar um espaço profundamente integrado à natureza.”
Arquitetura colonial inspira a nova identidade da casa em Trancoso
O principal desafio foi abandonar uma linguagem excessivamente contemporânea e aproximar a residência da tradição arquitetônica da região. Em vez de seguir tendências, Brunno Costa apostou em elementos que dialogam com a cultura local, reinterpretando a arquitetura colonial por meio de espaços amplos, acolhedores e marcados pelo uso de materiais regionais. O resultado é uma casa que respeita o contexto de Trancoso sem abrir mão da sofisticação.
Essa intenção também aparece na escolha dos acabamentos. Madeira de demolição, portas e janelas garimpadas em antigos casarões de Minas Gerais, cimento queimado e a madeira paraju no telhado ajudam a construir uma estética autêntica. Ao mesmo tempo, a decisão de não utilizar eucalipto, material bastante presente na arquitetura local, reforça a personalidade do projeto e cria uma leitura própria da arquitetura de Trancoso.
“Desde o início do projeto, optamos por dividir a casa em blocos, com a intenção de permitir que o jardim não fosse apenas contemplado, mas vivido. Não queríamos apenas ver o verde — queríamos que ele atravessasse a casa, que fizesse parte do cotidiano.”
Living integrado fortalece a convivência
O grande protagonista da residência é o living com pé-direito duplo, que evidencia a estrutura do telhado colonial e amplia a sensação de conforto. Grandes pendentes artesanais reforçam a verticalidade do ambiente, enquanto a integração entre estar, jantar, cozinha gourmet, terraço e mezanino favorece uma circulação fluida e natural, ideal para uma casa pensada para receber amigos e familiares.
O mobiliário acompanha essa proposta. Sofás generosos organizam o centro do living sem bloquear a vista para o jardim e a piscina, enquanto a mesa de jantar em madeira maciça, produzida por artesãos locais e dimensionada para 12 pessoas, estabelece um diálogo direto com a ilha da cozinha, criando um espaço naturalmente voltado para o encontro.
“Na implantação, movimentamos os volumes de forma cuidadosa, sempre com o compromisso de preservar o máximo possível das árvores existentes. Além disso, incorporamos materiais e elementos locais: piso em madeira de demolição, portas e janelas garimpadas de antigos casarões de Minas Gerais, cimento queimado e, no living principal, a presença marcante da madeira paraju no telhado.”
Natureza faz parte da experiência de morar
Mais do que emoldurar a paisagem, a vegetação participa da arquitetura. Desde o início, a implantação dos volumes foi pensada para preservar o maior número possível de árvores existentes e permitir que os jardins atravessassem a casa. Todos os banheiros possuem jardins privativos e duchas externas, reforçando a sensação de estar sempre em contato com o ambiente natural.
A mesma lógica orienta a escolha das cores e dos materiais. A paleta terrosa acompanha os tons da fachada, das portas e das esquadrias, criando continuidade visual entre os espaços internos e o paisagismo assinado pelo Viveiro Licuri. O resultado é uma arquitetura que parece surgir naturalmente da paisagem baiana, valorizando luz, texturas e ventilação natural.
“Buscávamos uma estética que fosse, ao mesmo tempo, autêntica e pessoal. Queríamos uma casa com a cara de Trancoso, mas sem recorrer ao uso de eucalipto — uma escolha consciente, quase como um respiro dentro de uma linguagem já muito explorada. Antes de construir, alugamos diversas casas na região e fomos absorvendo o que mais nos encantava em cada uma delas. Esse processo, leve e intuitivo, ajudou a moldar muitos dos detalhes do projeto.”
Artesanato e design brasileiro completam a atmosfera da casa
Em toda a residência, arquitetura, decoração e arte caminham juntas. Peças produzidas por artesãos locais dividem espaço com clássicos do design brasileiro, como as poltronas Mole, de Sergio Rodrigues. No jardim, uma antiga canoa adquirida de um morador da região reforça o vínculo com a cultura local, enquanto vasos de cerâmica feitos à mão, objetos artesanais e um pendente inspirado nos símbolos dos orixás acrescentam camadas de memória e significado aos ambientes.
A varanda sintetiza a essência do projeto. Com aproximadamente 27 metros de comprimento, ela funciona como uma extensão da área social e traduz a principal intenção dos moradores: criar uma casa viva, acolhedora e profundamente conectada ao modo de viver de Trancoso. Como eles mesmos definem, trata-se de uma grande casa de pescador em sua essência, simples na linguagem, mas rica em significado.

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