Cobertura duplex cercada pela natureza da Floresta da Tijuca
31 jul, 2026 | Apartamentos, Acima de 200 m2, Cidade

Fotos: Luiza Schreier / Divulgação
Escritório: Rafael Ramos Arquitetura
Produção visual: Andrea Brito Velho
Paisagismo: Luan Moliv
Área: 340m²
Localização: Alto da Boa Vista, Rio de Janeiro
Projetada pelo arquiteto Rafael Ramos, esta cobertura duplex no Alto da Boa Vista passou por uma reforma completa para se transformar em um lar acolhedor, contemporâneo e profundamente conectado à paisagem da Floresta da Tijuca. Com 340m², o imóvel, localizado em um edifício dos anos 1960, foi completamente reestruturado para atender ao novo momento de vida do casal Rafael Sach e Pamela Lang e da filha Sabrina, priorizando integração, conforto e convivência.
O apartamento foi adquirido em condições bastante deterioradas, com infiltrações, rachaduras e diversos problemas estruturais. Ainda assim, o potencial do imóvel era evidente: ambientes amplos, pé-direito generoso e uma vista privilegiada para a mata nativa. A reforma aproveitou essas qualidades para criar uma arquitetura que aproxima o interior da natureza e valoriza cada enquadramento da paisagem.
Uma planta pensada para integrar os ambientes
A principal transformação aconteceu na planta. A cozinha foi aberta para o living, um dos quartos deu lugar à sala de TV e a circulação entre os dois pavimentos foi completamente redesenhada. No piso superior, uma nova cozinha gourmet passou a integrar a área externa, que também recebeu piscina recuperada, ofurô e espaços de estar pensados para receber amigos e aproveitar o clima da região.
Decoração contemporânea com memória afetiva
A decoração segue uma linguagem contemporânea, mas evita excessos. A base neutra, formada por paredes brancas e piso original de madeira restaurado, cria um pano de fundo elegante para a marcenaria em freijó claro e para uma paleta de tons terrosos, verdes suaves e tecidos naturais. O resultado é uma atmosfera leve, iluminada e extremamente acolhedora, capaz de reforçar a sensação de estar em uma casa de serra, mesmo em plena cidade do Rio de Janeiro.
Outro aspecto que chama atenção é a presença da memória afetiva na composição dos ambientes. Em vez de substituir completamente o mobiliário, o projeto incorporou peças importantes da história da família, como uma vitrola de 1958 trazida da Alemanha pelo avô da moradora, restaurada e adaptada para bluetooth. Quadros adquiridos em viagens e uma tapeçaria comprada no México também ajudam a construir interiores com identidade própria e contam um pouco da trajetória dos moradores.
Living e cozinha valorizam a vista para a Floresta da Tijuca
No living, o sofá em ilha foi posicionado de frente para a vista da floresta, permitindo diferentes configurações conforme a ocasião. Já a mesa de jantar revela uma solução inusitada: além da função principal, ela também se transforma em mesa de bilhar, um dos hobbies preferidos da família. Ao lado da escada, uma bancada em pedra acomoda um pequeno bar com adega, reforçando a vocação dos espaços para receber convidados.
A cozinha integrada também foi desenhada para fortalecer a convivência. A ilha com cooktop permite cozinhar olhando para a sala e para a paisagem externa, enquanto um nicho dedicado ao café funciona como um pequeno coffee bar. A cristaleira transparente exibe louças trazidas de viagens, transformando objetos do cotidiano em parte da decoração.
Escada redesenhada transforma circulação em elemento de destaque
Entre as intervenções arquitetônicas mais importantes está a substituição da antiga escada helicoidal. O novo desenho, criado por Rafael Ramos, exigiu reforço estrutural e demolição parcial da laje, mas trouxe muito mais conforto para a circulação. Além disso, a estrutura passou a incorporar banco, chapelaria e espaço para sapatos, mostrando como soluções funcionais podem ganhar protagonismo no projeto.
Uma reforma que acompanha um novo estilo de vida
Segundo o arquiteto, o maior desafio foi justamente recuperar um imóvel que apresentava inúmeras patologias construtivas. Depois de aproximadamente um ano entre projeto, aprovações e obra, a cobertura passou a refletir também uma mudança no estilo de vida dos moradores, que hoje valorizam mais os momentos vividos dentro de casa do que os programas externos. A arquitetura acompanha essa transformação ao oferecer ambientes versáteis, confortáveis e pensados para o uso cotidiano.
Mais do que renovar uma cobertura, o projeto demonstra como uma reforma pode resgatar o potencial de um imóvel antigo sem abrir mão de personalidade. Ao integrar arquitetura, interiores e paisagem, Rafael Ramos criou uma residência que combina funcionalidade, memória afetiva e uma relação permanente com a natureza, fazendo da cobertura duplex no Alto da Boa Vista um exemplo de morar contemporâneo em sintonia com o entorno.


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