Paisagismo do Estúdio Musgo provoca uma pausa necessária e sensorial na CASACOR SP 2026
11 jun, 2026 | Mostras, Acima de 200 m2, Cidade

Fotos: Denilson Machado / Divulgação
Escritório: Estúdio Musgo
Área: 226m²
Localização: CASACOR São Paulo
Em meio ao turbilhão de estímulos visuais e tendências de vanguarda que definem a 39ª edição da CASACOR São Paulo, no charmoso cenário do Parque da Água Branca, um espaço propõe o luxo supremo da atualidade: o tempo. Assinado pelo paisagista Denis Bessa, à frente do Estúdio Musgo, o Refúgio Fleury surge na mostra como um manifesto ao ato de desacelerar.
Caminhar por uma grande mostra de decoração é, invariavelmente, um exercício cerebral intenso. Dezenas de ambientes se sucedem, repletos de conceitos, materiais inovadores e soluções milimétricas de design. É justamente na passagem entre os dois prédios principais que Denis Bessa insere o seu refúgio de 226m². Uma localização cirúrgica para atuar como um intervalo necessário, onde o visitante pode parar, respirar e absorver a bagagem visual antes de continuar a caminhada.
Mente e coração: a geometria dos sentidos
O projeto nasce de uma leitura sensível do tema conductor da mostra deste ano: Mente e Coração. Se ao longo do percurso a mente é continuamente desafiada e estimulada, o Refúgio Fleury propõe um ajuste de ritmo, abrindo espaço para o coração através da experiência sensorial.
Diferente de abordagens puramente orgânicas, o Estúdio Musgo optou por desenhar o espaço a partir de recortes angulares precisos. Os bancos imersos no verde ostentam formas triangulares, desenho que se repete no espelho d’água e na espetacular lareira escultórica. Desenhada pelo próprio escritório, a lareira foi inteiramente revestida em espelho, criando um jogo geométrico que reflete a natureza ao redor.
“Esta linguagem cria ritmo, conduzindo o olhar e estruturando a experiência do espaço de forma sutil e precisa”, explica Denis Bessa.
Essa mesma volumetria poligonal se desdobra sob os pés dos visitantes através do elegante deck de madeira natural de garapeira. Um detalhe que merece destaque para os dias atuais: toda a madeira especificada possui procedência rastreada e documentação que comprova sua origem legal.
Um teto vivo de identidade nacional (70% de espécies nativas)
A curadoria botânica do espaço foi guiada por duas diretrizes muito claras:
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Valorização da Flora Nacional: 70% de toda a vegetação do ambiente é composta por espécies nativas brasileiras.
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Conexão Olfativa: A introdução estratégica de plantas aromáticas e medicinais como alecrim, lavanda, sálvia e capim-limão cria uma atmosfera terapêutica que conduz o visitante também pelo olfato, associando natureza à saúde.
As grandes protagonistas do ambiente são as árvores de estrato alto. Denis trouxe para a mostra 15 sibipirunas (espécie nativa que atinge até seis metros de altura), cujas copas majestosas se entrelaçam para formar um verdadeiro “teto vegetal”. Complementando o grupo de copa alta, estão duas imponentes e ramificadas sete-copas africanas e românticas jabuticabeiras.
Essa densidade nas alturas altera completamente a volumetria da entrada: ao cruzar o corredor entre os edifícios da mostra, o visitante é surpreendido por uma sombra fresca e uma cobertura verde exuberante. No estrato mais baixo, o adensamento ganha texturas ricas com guaimbês, marantas, zebrinas, alocasias e philodendrons. Vale ressaltar o cuidado técnico: em respeito à preservação do local, toda a vegetação está disposta em vasos ocultados pelo deck.
Design assinado, arte e convivência
O mobiliário não apenas decora, mas desenha o percurso do visitante. Um imponente sofá central está estrategicamente posicionado na área de maior fluxo, logo à frente de uma charmosa arquibancada voltada para o jardim, incentivando a socialização e a contemplação.
O design nacional de alta assinatura se faz presente nas icônicas poltronas de Carlos Motta, que abraçam a área do lounge junto à lareira espelhada. Além disso, espelhos flutuantes assinados por Tomas Graeff multiplicam o verde e diluem os limites entre a arquitetura e a floresta urbana. Para arrematar a sofisticação conceitual, o espaço recebe duas obras de arte do artista Moyses Mellin, que conectam a natureza ao conceito de presença constante que orienta o projeto.

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