CASACOR São Paulo 2026: Casa Simonetto, por Gabriel Fernandes

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06 2026

CASACOR São Paulo 2026: Casa Simonetto, por Gabriel Fernandes

09 jun, 2026 | Mostras, De 100 a 200 m2, Cidade

Fotos: MCA Estúdio / Divulgação
Projeto: Gabriel Fernandes | GF Estúdio 55
Paisagismo: Regina Peres
Produção: Paulo Carvalho e Aldi Flosi
Área: 160m²
Localização: CASACOR São Paulo 2026

A valorização do fazer manual brasileiro conduz a narrativa da Casa Simonetto, um tributo à Janete Costa, ambiente assinado por Gabriel Fernandes para a CASACOR São Paulo 2026. Em sua quarta participação ao lado da Simonetto, o arquiteto apresenta um espaço de 160m² que homenageia uma das principais responsáveis por aproximar arte popular e arquitetura erudita no país, estabelecendo um diálogo entre memória, artesanato e contemporaneidade.

Inspirado pelo tema da mostra, “Mente e Coração”, o projeto parte do legado deixado por Janete Costa para construir uma atmosfera que combina monumentalidade, proporção e equilíbrio. A proposta resgata referências ligadas ao território brasileiro e à produção artesanal, traduzidas por meio de uma composição marcada pela simetria, pela materialidade natural e pela valorização do trabalho manual.

“A ideia é apresentar a Casa Simonetto como uma homenagem sensível a uma das figuras mais importantes da arquitetura e da arte popular no Brasil. Como alguém que se considera aluno dessa escola, Janete Costa, minha busca foi criar um espaço capaz de provocar a mesma emoção que senti ao entender a potência do território e do fazer manual como transformação na vida das pessoas.”

O layout organiza os ambientes a partir de uma leitura clara da arquitetura modernista. O living, marcado pelo pé-direito generoso, enfatiza a profundidade e a perspectiva do espaço, enquanto a lareira assume posição central para reforçar o eixo de simetria que estrutura a composição. Ao fundo, cozinha e jantar se conectam por meio de uma distribuição equilibrada, que privilegia a fluidez visual sem abrir mão da definição dos usos.

Um dos principais elementos do projeto é a estante monumental que ocupa toda a altura do ambiente. Desenvolvida em parceria com o artista mineiro Nelinho, de Tiradentes, a peça reúne gavetas entalhadas em madeira inspiradas nas volutas do barroco brasileiro. Mais do que um elemento funcional, a estrutura atua como suporte narrativo, armazenando memórias relacionadas ao ofício artesanal, à arquitetura e à cultura popular brasileira.

A marcenaria assinada pela Simonetto ganha protagonismo ao apresentar a nova lâmina natural de pau-ferro, aplicada em diferentes elementos do ambiente. Chanfros delicados e acabamentos em tom caramelo contribuem para a construção de uma atmosfera acolhedora, evidenciando o cuidado com os detalhes e o alto nível de personalização presente em todo o projeto.

A iluminação concebida por Carlos Fortes atua como ferramenta de valorização da arquitetura e dos materiais. Por meio de diferentes camadas de luz, o projeto destaca volumes, texturas e transparências, ampliando a percepção espacial e reforçando a sofisticação discreta que caracteriza o ambiente.

As tramas artesanais ocupam papel central na composição. O tapete combina palha natural e fios de algodão, enquanto o tecido do sofá foi desenvolvido por Gabriel Fernandes em parceria com o designer Renato Imbroisi, colaborador de Janete Costa ao longo de sua trajetória. A escolha reforça a continuidade de um pensamento que reconhece o artesanato como parte fundamental da identidade cultural brasileira.

A paleta cromática também estabelece conexões com importantes referências da arquitetura nacional. Um amarelo vibrante, desenvolvido em parceria com a Coral, surge pontualmente no espaço em alusão às composições utilizadas por Janete Costa e às tonalidades observadas por Gabriel Fernandes em obras de Oscar Niemeyer. O recurso introduz contraste e emoção à base predominantemente natural do projeto.

A curadoria de mobiliário e arte amplia essa narrativa ao reunir peças que atravessam diferentes períodos e linguagens. Entre os destaques estão as poltronas desenhadas por Janete Costa e Acácio Borsoi pertencentes ao acervo de Vilma Eid, obras de Tomie Ohtake e Roberto Burle Marx, além de peças dos irmãos Campana e de Geraldo de Barros. A presença desses elementos cria conexões entre arte, design e arquitetura, evidenciando a riqueza das referências que orientam o trabalho do arquiteto.

Na cozinha, a marcenaria organiza todas as funções em torno da mesa de jantar, reforçando a ideia de convivência como núcleo da casa. Já a varanda, concebida por Regina Peres, presta homenagem ao paisagismo de Burle Marx por meio da presença marcante de bromélias e vasos de diferentes escalas, estabelecendo continuidade entre interior e exterior.

Mais do que uma mostra de soluções estéticas, a Casa Simonetto propõe uma reflexão sobre a permanência dos saberes manuais e sobre a capacidade da cultura popular de permanecer relevante ao longo do tempo. Ao revisitar o legado de Janete Costa, Gabriel Fernandes constrói um ambiente que reconhece a força da memória como instrumento de projeto e reafirma o valor da produção artesanal na arquitetura contemporânea brasileira.

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