CASACOR São Paulo 2026: a Casa Coral Celeiro Alvorada, por Nildo José
05 jun, 2026 | Mostras, Acima de 200 m2, Cidade

Fotos: MCA Estúdio / Divulgação
Escritório: NJ+ Arquitetura
Área: 213m²
Localização: CASACOR São Paulo
O morar contemporâneo tem buscado, cada vez mais, respostas no passado. Em um mundo hiperconectado, a arquitetura de interiores se volta para o aconchego das memórias e a verdade dos materiais. É exatamente sob essa premissa que nasce a Casa Coral Celeiro Alvorada, espaço de absoluto destaque na CASACOR São Paulo 2026, assinado pelo arquiteto Nildo José e seu escritório NJ+ Arquitetura.
Em sua sétima participação na mostra, o arquiteto une forças com a Tintas Coral (patrocinadora e tinta oficial do evento) para criar um refúgio de 213m² no coração do Parque da Água Branca. Alinhado ao tema central desta edição, “Mente e Coração”, o ambiente transita entre a sofisticação e a simplicidade interiorana, entregando um manifesto sobre afeto, identidade e permanência.
“Pensamos em um ambiente que fala sobre identidade, pertencimento e continuidade. A Casa Coral Celeiro propõe um olhar sensível para as memórias, os vínculos e aquilo que realmente permanece ao longo do tempo”, comenta Nildo José.
O Conceito: “Celar” as Histórias e Origens
O nome do projeto traz uma bela dualidade poética. Nasce do verbo “celar”, que remete ao ato de guardar com cuidado aquilo que nos é precioso, e evoca a tipologia do celeiro, homenageando os 30 anos de tombamento do Parque da Água Branca — local com raízes profundamente ligadas à agricultura e ao agronegócio.
Além do resgate histórico, o espaço pulsa uma homenagem íntima: Nildo José buscou inspiração na figura de seu falecido pai. Referências às fazendas e à vida no campo aparecem de forma sutil, refinada e longe de clichês, propondo uma reconexão com o tempo natural, com a paisagem e com as nossas próprias origens.
Uma Paleta Emocional: As Cores Como Protagonistas
Na Casa Coral Celeiro Alvorada, as cores abdicam do papel secundário de mero acabamento. Elas estruturam o espaço, delimitam sensações e constroem pontes emocionais. Inspirada nas obras de arte do artista e pesquisador Dalton Paula, a paleta equilibra tons terrosos, sóbrios e marcantes.
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Azul Imponente (Coralit Total Base Água): Recebe os visitantes logo na entrada, cobrindo uma galeria que funciona como antessala. O tom profundo cria um ambiente misterioso e imersivo, contrastando perfeitamente com a mesa em quartzito Breccia Luna e o icônico abajur de Sergio Rodrigues.
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Caramelo Suave com Efeito Granos: No living, esta cor ganha a textura de pedras naturais através do novo produto Coral Granos (acabamento médio). Em uma aplicação inédita e audaciosa na CASACOR, o efeito reveste não apenas as paredes, mas também o teto, gerando uma sensação de caixote acolhedor e terroso.
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Montanha Distante (Decora Matte): O elegante tom cinza-esverdeado foi aplicado estrategicamente nos rodapés, no roda-teto e nos volumes curvos, garantindo continuidade visual e suavizando as transições arquitetônicas.
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Tapeçaria Renascentista (Coralit Total): Um tom berinjela marcante que dá vida à belíssima escada helicoidal, transformando-a em uma verdadeira escultura no centro do projeto.
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Saibro (Decora Matte): Tonalidade escolhida para a área íntima do dormitório, idealizada para transmitir calma, quietude e desaceleração.
Arquitetura de Permanência: O Coração do Projeto
Ao entrar no living central, o olhar é imediatamente capturado pelo pé-direito duplo e pelas imensas janelas que emolduram o verde das árvores do parque, trazendo o paisagismo de Leticia Bononi para dentro de casa.
O elemento arquitetônico que amarra todo o espaço é a monumental estante de livros, executada pela Evviva São Paulo. Composta por 4.000 exemplares, a biblioteca funciona como o fio condutor da narrativa:
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Nos primeiros nichos, fotografias, poemas e objetos afetivos revelam as memórias pessoais do arquiteto e de seu pai.
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Ao longo de sua extensão, os livros preenchem os espaços simbolizando o acúmulo de conhecimento e a permanência.
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Em seu vão central, encontram-se embutidas de forma minimalista a cozinha e a sala de jantar, gerando um equilíbrio perfeito entre a imponência da marcenaria e o calor do convívio cotidiano.
Cenográfica e escultural, a escada helicoidal no tom berinjela corta a estante e conecta suavemente o térreo ao mezanino, reforçando as linhas fluidas que são marca registrada do escritório NJ+ Arquitetura.
O Design Autoral Encontra a Lareira de Travertino
No living, o diálogo entre texturas e materiais naturais dita o tom orgânico: vigas aparentes de madeira tonalizada e o piso de tijolos rústicos (Brick Mattone Castagna, da Lepri) dividem a cena com o mobiliário impecável. O sofá marrom desenhado pela própria equipe do NJ+ harmoniza-se com peças de grandes nomes do design nacional e internacional, como Sergio Rodrigues, Percival Lafer, Claudia Moreira Salles, Carlos Motta, Lina Bo Bardi e os Irmãos Campana.
Outro grande ápice do espaço é a lareira escultural moldada em travertino bruto, executada pela Sólida Mármores com pedras da Granos. Inspirada nas obras do artista uruguaio Gonzalo Fonseca, a peça foi talhada à mão e traz detalhes sutis gravados na pedra que remetem à vida no campo — como representações de pássaros, símbolos de marcas de gado e memórias afetivas do pai de Nildo. Integrado à lareira, um elegante bar também em travertino divide espaço com uma árvore Jasmim Manga, reforçando a biofilia do ambiente.
O Santuário Íntimo e a Banheira de Contemplação
Seguindo as linhas orgânicas de uma parede curva, o visitante é conduzido à área íntima. O dormitório exibe um layout minimalista e relaxante. A cama (da Madeira Bonita) e os painéis na cor Saibro servem de moldura para obras de arte de David Almeida e Lorenzato. O espaço ganha um canto de trabalho refinado com uma cadeira assinada pela promissora designer Luisa Moyses.
O banheiro master coroa a experiência de morar com foco no bem-estar. Planejado para usufruir ao máximo da ventilação natural, o espaço conta com uma acolhedora banheira de imersão posicionada estrategicamente rente à janela. Tomar um banho ali, observando o balanço das folhas das árvores do parque, resume a proposta da Casa Coral Celeiro Alvorada: um convite irrecusável à contemplação, ao silêncio e ao encontro com as nossas próprias verdades.


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