CASACOR São Paulo 2026: Casa Brasiliense, por Maria Araújo
05 jun, 2026 | Mostras

Fotos: Camila Santos / Divulgação
Se você está buscando referências de decoração que fujam dos clichês e tragam uma verdadeira conexão com a história e a cultura brasileira, os detalhes da Casa Brasiliense são uma fonte inesgotável de inspiração. Assinado pela arquiteta Maria Araujo, o ambiente de 61 metros quadrados propõe um equilíbrio perfeito entre o rigor geométrico e o aconchego das memórias afetivas.
Com uma leitura atenta de layout, materiais e texturas, o projeto se transforma em um guia prático de como aplicar a arquitetura contemporânea em espaços que valorizam o pertencimento e a sofisticação.
O conceito estrutural: mente e coração na arquitetura
O ponto de partida do projeto baseia-se em dois pilares bem definidos: a razão do planejamento e a emoção do conteúdo.
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A mente na estrutura: A precisão formal aparece logo no primeiro olhar. Portais alinhados de forma cartesiana criam uma sequência de eixos visuais que remetem diretamente ao traçado icônico e urbanístico de Brasília.
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O coração no conteúdo: Rompendo a rigidez das linhas retas, o afeto preenche o espaço através de uma curadoria expressiva de móveis assinados por designers do Centro-Oeste, matérias-primas regionais e obras de arte de peso.
Mix de elementos: resgate histórico e marcenaria autoral
Intervir em um espaço com história exige sensibilidade para criar um diálogo harmônico entre o antigo e o novo. No projeto, as aberturas originais foram mantidas totalmente expostas, o piso antigo foi preservado e os rodatetos originais foram integrados ao ambiente.
A identidade contemporânea se afirma através das cores e texturas. O tom avermelhado aplicado nos painéis de MDF funciona como uma moldura para os arcos centenários. Tons de verde e azul completam a paleta cromática, trazendo frescor ao décor.
A escolha da marcenaria reforça o DNA do projeto através de dois padrões distintos de madeira:
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MDF Pau-Ferro: Espécie tradicionalmente ligada à arquitetura modernista do Centro-Oeste, usada pela forte carga simbólica e elegância.
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Laminado Natural de Sucupira: Reveste as peças de design autoral desenvolvidas pela própria arquiteta especialmente para o espaço: a estante, a escrivaninha e a mesa de cabeceira.
Para equilibrar o calor da madeira, as bancadas ganharam o toque minimalista do quartzito cinza brasileiro.
O banheiro e o charme do revestimento da Portinari
O grande destaque na área de banho é a sensível homenagem à memória visual da capital federal por meio de revestimentos cerâmicos em pequenos formatos. Para traduzir essa estética com foco na sofisticação moderna, a escolha ideal foi o revestimento MC FILLET BL MATTE da Portinari.
Com acabamento fosco e uma paginação milimétrica, o produto conversa perfeitamente com a proposta geométrica do escritório. O formato menor adiciona textura e delicadeza às paredes, provando que os revestimentos cerâmicos clássicos continuam sendo uma escolha elegante e atemporal para projetos de alto padrão. Ele cria uma atmosfera íntima, que une a precisão técnica da paginação ao acolhimento estético.
Curadoria de design: o encontro entre o local e o internacional
A decoração da Casa Brasiliense brilha ao mostrar como o mobiliário consagrado mundialmente pode conviver em perfeita sintonia com a produção artesanal e local.
O espaço acomoda clássicos internacionais como o sofá Fiandra, de Vico Magistretti, e a icônica cadeira Hill House, de Charles Mackintosh. Mas o verdadeiro charme está na convivência dessas peças com a força do design brasileiro:
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Sustentabilidade no cerrado: A cadeira que acompanha a escrivaninha é assinada por Tunico Lages, confeccionada com madeira de reaproveitamento do cerrado.
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Upcycling de luxo: Os espelhos desenvolvidos por Danilo Vale trazem molduras feitas com retalhos de couro, gerados a partir do próprio processo de estofamento de outro móvel do espaço.
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Mobiliário brasileiro: Poltronas de Percival Lafer e Pascal Mourgue, banqueta Novo Rumo e mesa lateral de Noemi Saga arrematam a composição.
Nas paredes, a curadoria de arte feita em parceria com a Galeria Cerrado e Almeida Dale eleva o status do ambiente. Telas e instalações de Siron Franco, Renato Rios e Helô Sanvoy — esta última com uma obra poética em vidro e cor no quarto — trazem o acabamento digno de galeria para dentro de casa. A atmosfera acolhedora é finalizada pelas cortinas da marca A morada, tapetes da Carminati e um refinado projeto de iluminação que une a Persoluce a luminárias decorativas de Adriana Yazbek, La Lampe & Dominici e Interpam.

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