Paisagismo como solução de privacidade em apartamento de 140 m²
26 maio, 2026 | Apartamentos, De 100 a 200 m2, Cidade

Fotos: Paula Chaffin / Divulgação
Escritório: Garimpório Arquitetura
Paisagismo: Caule Interiores
Produção: Diego Matos
Área: 140 m²
Localização: Botafogo, Rio de Janeiro
Mudar-se para um imóvel novo traz sempre a expectativa de construir um verdadeiro lar. Quando um casal composto por um auditor aposentado e uma analista de sistemas recebeu as chaves de seu novo apartamento de 140 m² em Botafogo, no Rio de Janeiro, deparou-se com um desafio comum dos grandes centros urbanos: a proximidade com o prédio vizinho.
Para adaptar o imóvel recém-entregue à rotina da família, que conta ainda com o filho do casal e a fofa Noca, uma cadela da raça Shiba Inu, eles convidaram a arquiteta Natasha Frota, do escritório Garimpório Arquitetura. O resultado? Uma reforma inteligente focada na integração de varanda e sala e no uso estratégico do paisagismo para criar a atmosfera acolhedora de uma casa.
O desafio da privacidade e a solução através do paisagismo
Um dos pontos centrais do briefing entregue à arquiteta era como preservar a intimidade da família sem perder a luminosidade natural, já que o entorno direto ficava muito exposto.
A resposta para o dilema não veio através de cortinas pesadas ou bleocautes, mas sim da própria natureza. Natasha Frota apostou em um paisagismo interno estratégico, assinado pela @CauleInteriores, com plantas posicionadas em jardineiras brancas lineares logo abaixo das janelas.
As folhas texturizadas e volumosas criam uma barreira visual orgânica contra o olhar dos vizinhos, funcionando como um verdadeiro “filtro verde” que oxigena e traz vida para a área social.
“Este recurso acabou se tornando protagonista do projeto, reforçando a sensação de acolhimento e garantindo o resguardo desejado, sem bloquear a entrada de luz natural.”
Integração de varanda e sala: o coração do projeto
O principal movimento estrutural da reforma foi a eliminação das barreiras físicas entre o estar e a área externa. Ao incorporar a varanda — incluindo o espaço que antes era destinado à churrasqueira —, o projeto reorganizou completamente a planta da área social.
Essa integração trouxe vantagens claras para o dia a dia da família:
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Sensação de amplitude: Os 140 m² parecem multiplicados com a fluidez visual entre os ambientes.
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Convivência fluida: O layout foi desenhado para eliminar a compartimentação, permitindo que a família e os amigos desfrutem do mesmo espaço de forma contínua.
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Linguagem contemporânea e leve: A decoração segue uma base neutra e clara, atendendo ao desejo da moradora de fugir de excessos ou estéticas rústicas.
O novo arranjo também buscou trazer para Botafogo a memória afetiva do Leblon, bairro onde a família residia anteriormente. A proposta abraçou o clássico estilo de vida carioca: descontraído, leve, com forte presença de texturas naturais, madeira clara e uma relação íntima com o verde.
Detalhes que contam histórias
Mais do que soluções técnicas de arquitetura, o lar se faz através das miudezas que revelam a identidade de quem o habita. Na área social, elementos marcantes da história do morador ganharam destaque no mobiliário sob medida.
Uma elegante cristaleira exibe a coleção de taças da família, enquanto uma vitrola vintage e referências ao universo dos vinhos ajudam a desenhar uma narrativa afetiva pelos cantos da sala. O equilíbrio exato entre o design limpo e os objetos de apego emocional permite que cada membro da família se reconheça nos espaços.
No final, a intervenção cirúrgica da Garimpório provou que, mesmo dentro de um edifício residencial padrão, é perfeitamente possível alcançar a liberdade, o conforto e o resguardo que costumamos associar a uma casa de rua.


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