
Fotos: Arquivo pessoal / Reprodução
Para entender a Casa Treliça, projeto assinado pelo arquiteto Roberto Moita, precisamos primeiro fazer uma parada em sua “ilha criativa”. O escritório de Roberto, um edifício de 30 anos envolto em infinitos tons de verde, antecipa a filosofia que veríamos na casa: a busca pelo vazio, pelo silêncio e pelo conforto que só a natureza generosa de Manaus pode oferecer. Foi nesse ambiente inspirador que um casal de amigos, motivado por uma “inveja boa” do refúgio particular do arquiteto, decidiu que era hora de tirar suas duas filhas da selva de concreto e reconectá-las com o universo real.
A implantação da residência de 320m² é uma lição de respeito ao terreno. Roberto optou por concentrar a construção em uma metade do lote, deixando a outra metade inteiramente para o bosque nativo. A estratégia permitiu preservar as árvores originais, mantendo o nível natural do solo para garantir a saúde da fauna e flora locais. O resultado é o que o arquiteto chama de “casa ausente”: uma presença leve e sutil que parece flutuar na mata, onde o jardim plantado e o herdado se fundem de tal forma que as fronteiras se tornam invisíveis.
No coração do projeto, o espaço social funciona como uma grande varanda integrada, pensada para uma família que ama celebrar a vida. Living, cozinha e área de lazer estão “tudo junto e misturado”, permitindo que as festas fluam naturalmente entre o interior e a piscina. Esta última, desenhada como uma península que adentra o bosque, conta com prainha para os pequenos e hidromassagem, tornando-se o ponto de encontro perfeito para adultos e crianças sob a sombra das árvores que respiram e resfriam o microclima da casa.
Tecnicamente, a Casa Treliça é um exemplo do que Roberto denomina “High-Tech Caboclo”. Unindo saberes locais à eficiência industrial, a estrutura utiliza um sistema leve de aço e madeira, com fechamentos em painéis de madeira por fora e drywall por dentro. Essa escolha permitiu uma obra limpa e rápida, concluída em apenas 10 meses, evitando o desperdício de energia dos processos artesanais exaustivos. É uma arquitetura que abraça a tecnologia para servir ao clima tropical, garantindo isolamento térmico e acústico de alta performance.
Um dos detalhes mais poéticos do projeto é a sua relação com o céu. O terreno está na rota de aproximação do aeroporto, e ver os jatos cruzando as nuvens despertou memórias afetivas profundas no proprietário, lembrando sua infância em Fortaleza. Essa “Aviation Boulevard” — que rendeu até uma placa comemorativa na casa — prova que a arquitetura vai além das objetividades.
A sustentabilidade aqui também não é um discurso, mas uma prática vivida. Os beirais generosos de quase quatro metros protegem a madeira da chuva e do sol, enquanto a ventilação estratégica reduz drasticamente o uso de ar-condicionado. Até o chão de folhas do bosque é valorizado como uma forração vital que nutre a bioquímica da floresta e protege o solo.
Ao final do tour, a sensação é de que a Casa Treliça estabelece um novo paradigma para a nossa relação com o planeta. Ela nos convida a revisitar os princípios da vida e a trocar o uso intensivo de recursos e energia pela sofisticação da simplicidade. É um exercício de viver melhor com menos. Ficou curioso para sentir essa atmosfera? Confira o tour completo e fique por dentro de cada detalhe dessa visita!
Aperte o PLAY para assistir ao Open House completo.
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