Texturas, pontos de cor e peças de design brasileiro em 150m²
23 abr, 2026 | Acima de 200 m2, Cidade

Fotos: Fran Parente / Divulgação
Projeto: Marcela Penteado Arquitetos
Área: 150m²
Localização: Cidade Jardim, São Paulo
A reforma deste apartamento de 150m² parte de um desejo particular de sua moradora: viver em um espaço onde referências brasileiras e internacionais coexistissem com naturalidade, sem contraste forçado, apoiadas por uma base material consistente e por uma área social efetivamente integrada. A partir desse pedido, o projeto assinado por Marcela Penteado propôs duas decisões centrais: a reconfiguração da planta e a construção de uma materialidade contínua capaz de sustentar diferentes camadas de leitura.
A planta original foi redesenhada para ampliar a área de convivência e ajustar o programa ao novo modo de uso. A incorporação da varanda à sala e a integração parcial de um dos dormitórios ao estar deslocaram o eixo do apartamento para o centro, concentrando ali as atividades sociais. Essa mudança permitiu com que estar, jantar e home passassem a funcionar como um único campo, sem hierarquias rígidas entre os ambientes.
“A planta original passou por transformações significativas. A varanda foi incorporada à sala, ampliando a área social, e uma das suítes teve parte do dormitório integrada ao estar. O banheiro existente foi transformado em extensão da suíte master, que passou a abrigar também o closet. Na cozinha, a reconfiguração trouxe maior funcionalidade. O acesso à lavanderia ocorre agora pelo louceiro, otimizando a marcenaria e liberando espaço para uma bancada de refeições rápidas.”
A organização desse espaço não depende de elementos de separação, mas da forma como o mobiliário é implantado. O sofá em ilha, posicionado no centro da sala, assume papel estruturador ao definir diferentes frentes de uso e orientar a circulação. A partir dele, os ambientes se articulam com clareza, mantendo continuidade visual e funcional.
A materialidade também reforça essa leitura: os painéis de nogueira percorrem o apartamento e integram arquitetura e marcenaria em um mesmo plano, enquanto o piso em mármore Travertino estabelece uma base contínua para a área social. Os tons terrosos aparecem como extensão dessas escolhas, garantindo unidade e evitando rupturas entre os espaços. Na cozinha, a reconfiguração busca eficiência sem romper com a integração. A nova marcenaria reorganiza o armazenamento e incorpora uma bancada para refeições rápidas. O acesso à lavanderia passa a acontecer pelo louceiro, solução que libera área e melhora o fluxo interno.
O projeto ganha densidade na curadoria de mobiliário e arte, que traduz de forma direta o desejo inicial da moradora. Ícones do design brasileiro, como as poltronas Beg, de Sergio Rodrigues, convivem com peças internacionais, como a poltrona Cité, de Jean Prouvé. Obras autorais e objetos artesanais, como o vaso Tijuco, de Domingos Tótora, e a escultura de Marcos Coelho Benjamin, são incorporados ao espaço como parte da sua organização, e não como sobreposição decorativa.
“O projeto se destaca pela curadoria de mobiliário e arte, combinando ícones do design brasileiro, como peças de Sergio Rodrigues, com referências internacionais, como Jean Prouvé. Também há forte presença de obras autorais e artesanais, como esculturas e peças vindas de diferentes contextos culturais, criando um diálogo entre passado e presente, artesanal e industrial.”
Na área íntima, a nova configuração viabiliza duas suítes e um lavabo, sendo uma delas utilizada como escritório. O projeto se consolida a partir da relação entre planta, materialidade e curadoria, construindo um espaço onde diferentes referências operam dentro de uma mesma lógica, orientada pelo uso e pela permanência.




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