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Uma cobertura que tem alma de casa no Alto da Lapa | Open House com Manu Garcia e Ana Sawaia

Fotos: Miti Sameshima / Divulgação

Tem casas que impressionam pelo tamanho. Outras, pelos acabamentos. Mas existem aquelas que conquistam logo nos primeiros minutos por um motivo mais difícil de explicar: elas têm alma. Foi exatamente essa sensação que tive ao visitar a cobertura da empresária Manu Garcia, fundadora da Boutique M, no Alto da Lapa, em São Paulo.

Confesso que um dos grandes prazeres dos Open Houses é descobrir bairros da cidade por outros olhares. E o Alto da Lapa me surpreendeu. Ruas tranquilas, muitas árvores, casas baixas e uma atmosfera rara para quem vive em São Paulo. Quando cheguei ao prédio, já imaginava que encontraria uma cobertura especial. Mas não esperava encontrar um apartamento que transmite tão claramente a sensação de estar em uma casa suspensa sobre a cidade.

O projeto leva a assinatura da arquiteta e urbanista Ana Sawaia, profissional que admiro há anos pela capacidade de criar ambientes elegantes sem excessos, sempre muito conectados à forma como os moradores vivem. E aqui tudo faz sentido para a rotina da Manu e do marido.

Integração sem perder o aconchego

O apartamento já havia passado por uma reforma antes da compra, o que evitou grandes intervenções estruturais. Ainda assim, Ana Sawaia foi responsável por transformar completamente a atmosfera dos espaços.

Logo na área social, a vista para o Pico do Jaraguá divide atenção com soluções inteligentes de marcenaria e serralheria. Um dos destaques é o banco desenhado pela arquiteta para integrar uma área que poderia parecer desconectada da sala. O resultado é tão natural que parece ter existido desde sempre.

Outro recurso interessante aparece no sofá modular disposto em torno das vigas estruturais. Em vez de enxergar limitações, Ana aproveitou a arquitetura existente para criar uma composição acolhedora e convidativa — perfeita para uma casa que recebe amigos e família com frequência.

Ao longo do projeto, fica evidente uma característica muito presente no trabalho da arquiteta: valorizar o que já existe, evitando intervenções desnecessárias. A escada original, por exemplo, foi preservada. A mudança ficou por conta do novo corrimão em serralheria leve, que trouxe transparência e permitiu destacar elementos que antes passavam despercebidos.

Soluções que inspiram quem quer reformar sem quebra-quebra

Uma das partes mais interessantes deste Open House é perceber como muitas das transformações aconteceram sem obras complexas. A cozinha, por exemplo, manteve sua estrutura original. A mudança veio através da pintura dos armários e de detalhes cuidadosamente escolhidos para alinhar o ambiente à identidade dos moradores.

Nos banheiros, o revestimento monolítico aplicado sobre as superfícies existentes trouxe uma estética contemporânea sem a necessidade de remoções extensas. É uma solução cada vez mais procurada por quem deseja renovar ambientes de forma mais prática e rápida.

As portas em serralheria e vidro canelado também chamam atenção. Além de delimitar ambientes e garantir privacidade quando necessário, elas criam camadas visuais que ampliam a sensação de profundidade e mantêm a integração da planta.

Uma casa que conta histórias

Talvez o que mais encante neste apartamento seja a quantidade de memórias espalhadas pelos ambientes. Há quadros trazidos de viagens, coleções de ímãs de diferentes países, objetos garimpados ao longo dos anos e peças que acompanharam a Manu em outros endereços. Nada parece ter sido comprado apenas para compor uma decoração.

No escritório, que ocupa um dos antigos dormitórios, convivem lembranças de viagens, premiações profissionais e objetos afetivos. É um ambiente que revela muito sobre a trajetória da moradora e reforça a sensação de que a casa foi construída aos poucos, sem pressa.

O refúgio no último andar

Mas é impossível negar: o grande protagonista do projeto está no pavimento superior. Ao subir a escada, a sensação é de deixar a cidade para trás. A área externa reúne cozinha gourmet, piscina, floreiras generosas e uma vista aberta que parece não ter fim. A presença constante das plantas ajuda a suavizar os limites entre interior e exterior, enquanto os acabamentos claros reforçam a atmosfera leve e serena que a Manu tanto buscava para o dia a dia.

A piscina ganhou um revestimento escolhido especialmente para criar um tom de água mais natural, próximo aos tons encontrados em hotéis e refúgios tropicais. Já os jardins elevados e o espelho estrategicamente posicionado ampliam a sensação de profundidade do espaço.

O resultado é um ambiente que convida a desacelerar, e quero aproveitar para te convidar a assistir à visita completa. É só apertar o PLAY!

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