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Apartamento novo, mas cheio de histórias! | Open House com Juliana Fabrizzi

Fotos: Daniel Santo / Divulgação

O pedido que chegou à arquiteta Juliana Fabrizzi era por um apartamento com tudo novo, para acompanhar uma nova fase da vida do morador. Mas, conforme as conversas avançavam, começaram a aparecer os abajures da avó, os tapetes, o piano, uma mesa da qual ele gostava muito… Já sabe, né? Fui conhecer o resultado neste Open House, acompanhada pela Juliana, e encontrei uma casa em que essas peças tiveram tanto espaço quanto a vontade de mudar.

Gosto de acompanhar essas descobertas que acontecem durante um projeto. Às vezes, o desejo de renovação vem antes de entender exatamente do que queremos nos cercar. Aqui, até a ideia de usar poucas cores foi ganhando outros contornos: o verde apareceu na mesa do escritório, o azul chegou à cozinha e um dos quartos recebeu uma combinação de listras. Tudo foi sendo construído na conversa, com o morador participando de perto das escolhas.

O que já estava no apartamento

O imóvel já havia passado por uma reforma e tinha uma base que pôde ser aproveitada. Parte da marcenaria, revestimentos e elementos como um espelho e um pendente permaneceu, mas ganhou outra companhia.

O pendente, aliás, rendeu uma boa solução. Juliana o transferiu para o hall, onde a peça passou a ocupar um lugar de destaque sem interferir na simetria que ela queria preservar na área social. Os vasos abaixo dele ajudam a orientar a circulação e a evitar que alguém passe diretamente sob a luminária.

As paredes, antes brancas, receberam textura, e o hall ficou mais escuro. É uma mudança que se percebe no percurso: depois dessa entrada mais intimista, a vista verde do terraço parece ganhar ainda mais presença.

As peças que foram chegando

Os dois abajures que pertenceram à avó do morador passaram por restauro e foram distribuídos pela sala. Outras peças também receberam cuidados da Casa Prates, incluindo o toalheiro do lavabo e objetos antigos da família.

Os tapetes vieram do acervo do morador, assim como móveis, gravuras e objetos ligados à equitação. Juliana foi encontrando lugar para aquilo que ele gostava de ter por perto, enquanto acrescentava os elementos necessários para o apartamento funcionar no dia a dia.

No jantar, por exemplo, a nova mesa tem madeira mais clara que a marcenaria existente. Durante a visita, conversamos sobre essa dúvida tão comum: será que todas as madeiras precisam ser iguais? Aqui, os diferentes tons ajudam a dar leveza ao conjunto e mostram como é possível misturar sem perder a relação entre os ambientes.

Um jardim diante da paisagem da infância

O terraço tem uma particularidade que adorei descobrir: de lá, o morador avista as casas da região onde viveu quando criança. Dá para entender por que Juliana fez questão de deixar essa paisagem aparecer.

A proposta foi criar um jardim com poucos móveis. Uma jardineira sob medida acompanha a curva do terraço, com paisagismo executado por Leandra Godinho e até uma jabuticabeira. O aparador também foi desenhado para o espaço, com vidro e estrutura visualmente leve.

Sem cortinas no terraço, o verde participa do apartamento o tempo todo. À noite, a iluminação nas jardineiras e os pequenos abajures criam outra maneira de aproveitar o ambiente. É um lugar que dá vontade de usar no café da manhã e continuar por ali.

Cor nova para a cozinha

Na cozinha e na copa, o ladrilho existente passou por um trabalho de recuperação, com polimento e renovação do rejunte. A madeira de demolição também foi mantida e ganhou a companhia de pastilhas artesanais e banquetas azuis.

A cor ajudou a aproximar os elementos que já estavam ali. É um bom exemplo de como um revestimento novo pode mudar a leitura de todo o ambiente, inclusive de um piso que o morador ainda estava em dúvida se queria preservar.

Outro detalhe que mostro no vídeo são os fechamentos de madeira, que permitem isolar essa área quando necessário. A casa pode ficar mais aberta no cotidiano e se organizar de outro jeito na hora de receber.

Um escritório com lugar para o piano

Um dos quartos foi transformado em escritório, com marcenaria planejada para receber o piano e guardar os documentos do morador. A poltrona, o tapete, as arandelas e outros objetos que ele já tinha também entraram na composição.

Como ele toca piano, houve cuidado com a absorção do som, incluindo um papel de parede acústico. A mesa verde trouxe cor ao ambiente sem recorrer aos tons vibrantes que, inicialmente, ele tinha receio de usar.

Nos quartos de hóspedes, as escolhas seguiram caminhos diferentes: um ficou mais neutro, enquanto o outro ganhou azul, branco e listras de diferentes proporções. O hóspede que costuma ocupar esse quarto participou das decisões, incluindo a seleção de objetos.

Saí da visita pensando em como foi importante abrir espaço para o pedido inicial mudar. Cada peça que o morador apresentou ajudou Juliana a entender melhor a casa que ele queria, mesmo quando ainda falava em ter tudo novo.

No Open House completo, percorro o apartamento com ela e mostro de perto essas soluções. É só apertar o PLAY para assistir à visita!

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