Um paisagismo que convida ao convívio e à contemplação

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03 2026

Um paisagismo que convida ao convívio e à contemplação

26 mar, 2026 | Acima de 200 m2, Campo

Fotos: Anita Soares / Divulgação
Escritório: Júlio Sousa
Área: 7.420m²
Localização: Teresópolis, Rio de Janeiro

Entre as montanhas do interior de Teresópolis, este projeto de paisagismo assinado por Júlio Sousa revela uma leitura sensível do morar no campo. Em uma área generosa de 7.420m², o terreno se transforma em um convite à contemplação, onde natureza e arquitetura colonial encontram um ponto de equilíbrio.

Pensado para um casal jovem com dois filhos e um cachorro, o projeto nasceu do desejo de criar um refúgio acolhedor, capaz de receber familiares e amigos nos finais de semana com leveza e espontaneidade. A indicação de amigos que já haviam vivenciado o trabalho do escritório trouxe confiança ao processo, permitindo que as ideias fluíssem com liberdade desde o início.

A proposta partiu de uma paginação naturalista, com desenhos orgânicos que se desdobram pelo terreno como se sempre tivessem pertencido àquele lugar. Espécies de baixa manutenção foram escolhidas com rigor, mas sem abrir mão da presença de cores e texturas que acompanham as mudanças das estações. O resultado é um jardim vivo, que se revela aos poucos e valoriza o tempo da natureza.

“A família estava em busca de uma casa de acolhimento no qual eles pudessem aproveitar com a família e amigos, e que fosse um ambiente em que seus filhos pudessem desfrutar o contato direto com a natureza. Após mudanças feitas na parte interna da casa, eles sentiram falta de um paisagismo que completasse a residência, o paisagismo que antes para eles era simples e primitivo, se tornou o refúgio que liga a arquitetura com a natureza do campo. Hoje eles tem o prazer de aproveitar o que a serra os proporcionou.”

Um dos principais desafios foi reinterpretar o conceito de morar no campo, usando o paisagismo como elo entre a residência e seu entorno. A estratégia adotada por Júlio Sousa foi a criação de microcenários que conduzem o olhar e o corpo por diferentes experiências. Caminhos de transição, áreas de descanso, espaços para convivência e contemplação surgem de forma quase intuitiva, respeitando a topografia e a paisagem original.

Entre esses cenários, elementos como a piscina, a quadra, a ponte ornamental que leva a uma pequena ilha no lago e o fogo de chão se destacam como pontos de encontro. Cada espaço foi pensado para estimular usos diversos, desde momentos de lazer em família até encontros mais amplos, sempre com a natureza como pano de fundo.

O fogo de chão, em especial, carrega uma narrativa própria. Delimitado por capim-do-Texas, o espaço cria uma barreira visual natural que reforça a sensação de acolhimento e proteção. A vegetação ao redor ajuda a conter o vento e a manter o calor, tornando o ambiente ainda mais convidativo. Como um gesto silencioso de sustentabilidade, todo o material utilizado na base foi extraído do próprio terreno, conectando ainda mais o projeto ao seu contexto.

“O fogo de chão é um dos elementos mais estratégicos para a convivência. A área foi delimitada por Capim-do-Texas, formando uma barreira visual natural e proporcionando uma sensação de acolhimento e proteção. Essa vegetação de médio porte ao redor não apenas emoldura o espaço, mas também ajuda a quebra as correntes de vento, mantendo o calor do fogo por mais tempo. Vale a pena destacar também que todo o material utilizado para construção da base foi extraído do próprio local demonstrando a sustentabilidade do cenário criado.”

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